quinta-feira, 10 de abril de 2014

COBRADOR FORA DO SEU LUGAR NÃO TRAZ FUNCIONALIDADE NEM SEGURANÇA


A cena é a seguinte. Num ônibus, um cobrador permanece em pé no corredor do ônibus e mal se encosta junto à mesa do torniquete para cobrar passagens. Às vezes, dependendo do caso, até pula para sentar na sua cadeira, quando um dado número de pessoas embarca no veículo.

No entanto, é só sentar o último passageiro em embarque e o ônibus dar alguns metros depois da arrancada para o cobrador sair de seu lugar e se dirigir para a frente do ônibus, geralmente em pé no degrau da porta dianteira.

Se o banco do cobrador se encontra junto à porta de trás, a coisa fica ainda mais grosseira. O ônibus circula com o banco do cobrador vazio enquanto o referido cidadão se encontra geralmente na frente do ônibus ou sentado em algum banco de passageiro.

As desculpas para essa prática são muitas, incluindo calor, desconforto e prevenção (?!) contra assaltos. Só que a medida comprovadamente não garante segurança e não traz a menor funcionalidade, além de causar incômodo aos passageiros e faltar com o profissionalismo.

ANALISANDO O PROBLEMA

Antigamente, pelo menos entre os anos 70 e 80, o cobrador de ônibus ficava sentado o tempo inteiro do percurso sentado em seu banco. Desde o embarque do primeiro passageiro até o ponto final, ele permanecia no seu lugar, disciplinado, cobrando passagens, dando o troco e mantendo-se sentado no seu lugar mesmo não recebendo o passageiro na ocasião da tarifa.

Hoje, porém, há casos de cobradores que ficam o tempo inteiro fora de seus bancos. Inquietos e, por vezes, agressivos, alguns chegam mesmo a conversar temas banais com os respectivos motoristas, algo que já não é aconselhável nos avisos colocados nos painéis dos ônibus.

Evidentemente há vários fatores que fizeram mudar tal prática. Primeiro, é a colocação do torniquete na parte dianteira, mudando o embarque para a porta da frente, o que faz com que os cobradores dos ônibus que ainda mantém torniquetes na parte de trás tenham o banco do cobrador praticamente desocupado, a não ser em momentos de significativa lotação.

Isso quer dizer que o cobrador acaba tendo ânsia de ficar próximo do motorista, mas o hábito de ficar fora de seu lugar, em vez de trazer a presumida segurança - os cobradores alegam medo de serem assaltados - , só agrava as coisas, já que os ladrões simplesmente encontram a roleta livre para, quietos, se sentarem em alguns bancos de passageiros para depois fazerem o assalto.

Além disso, é muito fácil o ladrão render o cobrador que se situa em pé no degrau da porta dianteira, de forma ainda mais cruel do que quando o cobrador fica sentado em seu lugar. Para os ladrões, só o fato do cobrador ficar fora do lugar respectivo soa como uma reação ao assalto.

Em vez dessa atitude supostamente paliativa, os ônibus deveriam sempre ter algum policial, pelo menos nas linhas em que a ocorrência de assaltos é mais frequente. Reforçar o policiamento e a iluminação nas ruas, além de estimular o movimento das pessoas, seriam formas de diminuir tais riscos.

INTERVALOS PEQUENOS E BANCOS NADA ANATÔMICOS

Os problemas que influem também na atitude dos cobradores é que os intervalos de parada dos ônibus diminuiram drasticamente e os rodoviários mal têm tempo sequer para fazerem os lanches. Neste sentido, a responsabilidade fica com os empresários de ônibus, governantes e secretários de transportes que nada fazem para resolver tais problemas.

Antigamente, os ônibus tinham maior intervalo de parada. Com isso, o cobrador do ônibus que encerra eu percurso e chega ao ponto final poderia esperar o ônibus desligar o motor para sair de seu lugar e dar uma leve caminhada para um bate-papo ou lanche.

Hoje, portanto, tudo fica caótico. O cobrador faz folga em pleno serviço, e o bate-papo muitas vezes pode desviar a atenção do motorista, criando risco de acidente. E se o cobrador fica em pé no degrau da porta dianteira, o risco dele sair gravemente ferido num acidente é grande, já que ele pode ser atingido por estilhaços de vidro da janela quebrada.

Já quanto aos bancos, os ônibus criaram assentos para o cobrador que não são anatômicos. Os bancos não oferecem conforto nem segurança e podem prejudicar até a coluna. Até a posição da manivela prejudica as pernas, daí o incômodo que são esses assentos.

Os fabricantes de ônibus deveriam consultar ortopedistas para que sejam adaptados bancos de cobrador mais confortáveis e funcionais, para estimulá-los a permanecer neles sentados enquanto os ônibus seguem seus itinerários.

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