quarta-feira, 5 de março de 2014

COMISSÃO DA VERDADE QUER TROCAR NOME DA PONTE RIO-NITERÓI


O presidente da Comissão da Verdade, Wadih Damous, quer trocar o nome oficial da Ponte Rio-Niterói, que liga os dois municípios fluminenses desde os últimos tempos em que Rio de Janeiro era capital da Guanabara e Niterói, do Estado do Rio de Janeiro. Damous propõe que a ponte passe a se chamar Ponte Deputado Rubens Paiva.

A ponte foi inaugurada em 04 de março de 1974, tendo completado 40 anos ontem com um fluxo de carros muito maior do que o que se esperava na época. Construída a partir de 1967, depois de uma série de estudos e propostas de ligação entre as duas cidades desde o final dos anos 50, ela recebeu o nome de Presidente Costa e Silva em homenagem ao antigo ditador que implantou o AI-5.

Foi o general Artur da Costa e Silva que governou o Brasil quando a Ponte Rio-Niterói começou a ser construída, num difícil processo de construção que causou várias mortes de operários em diversos acidentes de trabalho.

Costa e Silva também implantou o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), que previa rigor na censura e repressão por parte da ditadura militar, e meses depois sofreu uma trombose que o matou depois de deixar o mandato para uma junta militar que governou o país até a posse de Emílio Garrastazu Médici, presidente em cujo governo foram encerradas as obras de construção da ponte.

Rubens Paiva, por sua vez, foi um antigo deputado do PTB de São Paulo. Pai do escritor, jornalista e autor teatral Marcelo Rubens Paiva, o deputado era ligado à tendência esquerdista comandada por Leonel Brizola e João Goulart, e por isso foi sequestrado em 1971 quando se preparava para sair com sua família (inclusive o filho Marcelo) para um passeio.

Paiva teria sido aparentemente detido pela polícia, que procurou se omitir à família ao se recusar a lhe dar informações. Enquanto isso, Paiva foi misteriosamente assassinado, crime que só agora foi revelado, inclusive com a identificação de seus responsáveis.

A mudança de nome se seguirá à alteração do nome de um colégio no Stiep, em Salvador (Bahia), que trocou o nome de Emílio Garrastazu Médici para o do deputado comunista Carlos Marighella, mudança que será colocada em prática em breve.

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