domingo, 13 de outubro de 2013

CUIDADO TORCEDORES!! AUTORIDADES PODEM PADRONIZAR ATÉ UNIFORMES DE TIMES ESPORTIVOS


Agora é sério. Embora a notícia pareça uma espécie de "rádio leão" (boato) tão comum entre os busólogos, é eminente o risco dos times esportivos, a partir do popularíssimo futebol brasileiro, ser tomado para valer pela onda da pintura padronizada.

Aparentemente, não existem rumores "oficiais" a respeito, mas existe uma intenção, longe de ser remota mas a ser feita a médio prazo, de que times como Clube de Regatas do Flamengo e Fluminense Futebol Clube possam exibir o mesmo uniforme, mesmo quando os dois se enfrentarem em campo.

O grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, do qual integra o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório (ex-membro do Comitê Olímpico Rio 2016), possui boas relações com os dirigentes esportivos, e podem pegar o povo de surpresa anunciando a padronização visual para os times de futebol em todo o país, a partir do Rio de Janeiro.

A padronização visual adotada no transporte coletivo tem motivação nos eventos esportivos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, e por isso ela pode se estender, dentro de um prazo de dois a cinco anos, para os uniformes dos times de futebol. Já existe uma possível argumentação para empurrar a medida para a população.

Segundo o que se estima, a padronização visual dos times de futebol se dará da seguinte forma. Os times deixariam de exibir, cada um, o seu uniforme personalizado, valendo agora apenas um uniforme único de acordo com o Estado. O uniforme seria estabelecido pela federação estadual de futebol e valeria o mesmo uniforme para diferentes times estaduais, independente de serem grandes ou não.

O clube esportivo teria o nome colocado em menor destaque, enquanto o destaque maior está na identificação "Futebol de (Sigla do Estado)". O número do jogador passaria a combinar as iniciais do nome jurídico do time (por exemplo, CRF para Clube de Regatas Flamengo) e o número do jogador, antecedido do algarismo "0".

As argumentações estimadas seriam de que a padronização visual nos uniformes de futebol, a exemplo dos ônibus, seria uma forma de "harmonizar a imagem". As argumentações também seriam no sentido de afirmar que futebol não é uma questão de uniforme e sim de jogo, por isso a medida de colocar diferentes times de futebol para ter o mesmo uniforme de acordo com o Estado de cada time.

Outras argumentações são de que as autoridades adotariam a padronização para destacar mais os jogadores e, nas arquibancadas, os torcedores - prevê-se que a padronização atinja os torcedores de times esportivos - , e será usado até mesmo o pretexto de que a padronização visual irá inibir a ação de torcidas organizadas.

Aparentemente, não existe o menor interesse das autoridades em adotar a medida. Mas não vamos apostar nisso, já que Muitas das arbitrariedades de Paes e Cabral Filho são adotadas em última hora, depois de tantos desmentimentos.

É bem provável que a padronização visual dos times esportivos, a ser feita pela CBF (Confederação Brasileira do Futebol) com o apoio não só das autoridades fluminenses como de pessoas como Jaime Lerner, seja adotada já a partir de 2015.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

AUTORIDADES USAM PINTURA PADRONIZADA PARA ENGANAR A POPULAÇÃO


Depois do autoritarismo explícito da Prefeitura do Rio de Janeiro, que adotou a pintura padronizada nos moldes abertamente ditatoriais de Curitiba e São Paulo, outras prefeituras tentam camuflar a arbitrariedade com paliativos feitos tão somente para enganar a população.

É o caso de Niterói, em que a prefeitura vetou o direito de cada empresa de ônibus apresentar sua própria identidade, mas permitiu que coisas pequenas e que de longe são imperceptíveis, como colocar nome de empresa de ônibus em janelas ou letreiros digitais e "personalizar" placas de itinerários de linhas (algumas mais ilegíveis que bulas de remédios).

Além da antiga capital fluminense, São Gonçalo adotou a medida, paliativa e inútil, de exibir o logotipo de cada empresa nas laterais e janelas dos ônibus, algo que não se resolve de forma alguma o problema da confusão, uma vez que, vistos de longe, os logotipos não passam de meros rabiscos aleatórios.

EM SÃO GONÇALO, LOGOTIPOS DE EMPRESAS EXPOSTOS NA PINTURA PADRONIZADA SÃO MEROS "RABISCOS" QUANDO VISTOS DE LONGE E NÃO RESOLVEM O PROBLEMA DA CONFUSÃO PELOS PASSAGEIROS COMUNS.

É como, por exemplo, um motorista colocar na janela dianteira logotipos de revendedoras de chassis ou frases religiosas, algo que, em outros tempos, era usado nos ônibus de todo o país. São coisas pequenas, imperceptíveis.

AUTORITARISMO "DEMOCRÁTICO" E "INTERATIVO"

Agora o aspecto mais ridículo foi adotado pela Prefeitura de Araruama, que, para disfarçar o natural autoritarismo da pintura padronizada, lançou uma campanha "interativa" para os cidadãos "escolherem" a pintura padronizada a ser adotada, em três modelos em que os "bastões" colocados sobre as janelas laterais dianteiras são influenciados pela "estética" carioca.

É como rir da cara das pessoas e tratar o passageiro comum como se fosse otário. Imagine se a moda pega e a Prefeitura do Rio de Janeiro lança uma enquete para os internautas escolherem qual o melhor tempero para o gás de pimenta a ser atirado nos olhos dos manifestantes que nos últimos meses fazem intensos protestos contra a politicagem dominante no Estado?

Provavelmente, a Prefeitura de Araruama também fará seus paliativos, colocando nome de empresa em janelas ou letreiros digitais, como se isso fosse resolver os problemas da confusão ou garantisse mais transparência na medida da pintura padronizada. A experiência mostra que tais paliativos em nada resolvem em relação a tais problemas.

EMPURRANDO AÇÕES JUDICIAIS COM A BARRIGA

Já existem ações judiciais contra a pintura padronizada nos ônibus. No Rio de Janeiro e em Niterói, haviam sido lançadas ações no Ministério Público contra a pintura padronizada, que no entanto foram contestadas pelas autoridades através de argumentos inconvincentes.

No Rio de Janeiro, a desculpa utilizada foi o "reordenamento do transporte" e que a identificação dos ônibus se daria através do código numérico de cada veículo, essa "sopa de letras e números" que confunde e desnorteia os passageiros já em seus muitos compromissos pessoais.

Em Niterói, a desculpa, que também cita o "reordenamento do transporte", já dá ênfase ao "desvínculo de imagens das empresas" e a identificação por "zonas", embora não fizesse menção aos paliativos de exibir nomes de empresas em janelas ou letreiros ou na personificação das placas de itinerários.

As autoridades adotam desculpas inconvincentes, que no entanto são acatadas pelos advogados do Ministério Público. O grande problema é que a pintura padronizada está relacionada com a corrupção nas empresas de ônibus, favorecidas pelo fato de que empresas diferentes estão agora com o mesmo visual.

Chegou-se a haver uma CPI dos Ônibus no Rio de Janeiro, mas ela foi sabotada por aqueles que eram contra a comissão e estavam ligados não só ao grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, mas também a grupos milicianos. Em Niterói, a CPI continua, mas parece rumar também para uma postura "chapa-branca" mais sutil que a da CPI carioca.

INDIGNAÇÃO - Nas ruas, a população começa a expressar sua revolta contra a pintura padronizada. Nas redes sociais, na realidade das ruas, nas faculdades, as pessoas já desconfiam da medida, vendo nela uma forma de acobertar a corrupção das empresas de ônibus e de ludibriar a população.

Mesmo a aquisição de ônibus especializados - como BRTs, articulados ou com ar condicionado - ou demagógicos congelamentos ou reduções de passagens consegue convencer. As autoridades que defendem a pintura padronizada também não enganam com a postura de pretenso paternalismo, tentando parecer boazinhas com a população.

A pintura padronizada, portanto, torna-se uma medida impopular, ineficaz e inútil, além de ser prejudicial para aquele que é o maior interessado do transporte coletivo: o passageiro comum, que pega ônibus todo dia e sabe que pintar diferentes empresas de ônibus não vai resolver os problemas vividos diariamente no sistema.

Afinal, ninguém em sã consciência vai tratar carimbos de prefeitura como "santos milagreiros" da mobilidade urbana. O povo sabe que a pintura padronizada não passa de um mero véu para acobertar a corrupção político-empresarial que faz agravar as conhecidas irregularidades dos sistemas de ônibus das grandes cidades.
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