sexta-feira, 14 de junho de 2013

A VIOLÊNCIA DO "BAILE DE MÁSCARAS" DA MOBILIDADE URBANA DITATORIAL


(Excepcionalmente, o blogue suspendeu as férias para noticiar fatos urgentes do momento)

Diante do crescimento dos protestos da juventude nas capitais contra o aumento das passagens de ônibus, as autoridades, temerosas com o péssimo marketing que isso poderá causar nas proximidades da Copa das Confederações - evento que serve de "laboratório" para a Copa de 2014 - , fizeram o que realmente entendem de "mobilidade urbana": mobilizaram a polícia contra os estudantes.

No Rio de Janeiro e, sobretudo, em São Paulo - entre um Fernando Haddad submetido às pressões da mídia e ao fisiologismo político e um Geraldo Alckmin que só sabe governar com autoritarismo - , os protestos juvenis são vistos como "caso de polícia" pelos governantes e a mídia grande dá ênfase exagerada nos casos de vandalismo praticado durante os protestos.

Evidentemente, os protestos estudantis de hoje podem não ter o mesmo poder de fogo de 1968, ou seja, há 45 anos atrás. Mesmo assim, a histórica Passeata dos 100 Mil, realizada na Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro, também não conseguiu pressionar o poder militar a decidir pela redemocratização. Muito pelo contrário, as tensões causadas naquele ano só fizeram a ditadura endurecer ainda mais, com o AI-5.

Hoje o que se nota é que a ditadura midiática e o fisiologismo político, que, por sinal, investe num dos resíduos da ditadura militar, que é um modelo ditatorial de mobilidade urbana, só são "democráticos" e "progressistas" quando estão no discurso eletrônico ou na retórica política. Quando a coisa aperta, sabem muito bem serem autoritários.

Quanto ao vandalismo, são talvez alunos ou desocupados infelizes, sem qualquer ideal de vida, que pegam carona na justa causa de outros estudantes para provocar bagunça e chamar a atenção da repressão policial. Algo que, num outro contexto, ocorreu na busologia fluminense, com internautas reacionários (um deles ligado a uma prefeitura da Baixada Fluminense!) promovendo um festival de intolerância e baixarias.

Episódios assim mostram a grave crise que vive o modelo autoritário de mobilidade urbana, ainda inspirado pelas ideias do "filhote da ditadura" Jaime Lerner, também o "aluno de ouro" do reitor Suplicy de Lacerda (o mesmo do acordo MEC-USAID que enfureceu os estudantes em 1966-1968).

Autoridades e tecnocratas, visando a autopromoção político-eleitoreira junto a investidores e tecnocratas, ainda vendem esse modelo ditatorial como "novidade", impondo a pintura padronizada das frotas de ônibus, que estimula a corrupção dos empresários de ônibus dentro de um "baile de máscaras" que confunde os passageiros comuns.

Pois esse carnaval de máscaras, que desafia passageiros que, ainda se desfazendo do sono noturno, precisam pegar os ônibus para irem ao trabalho e aos ambientes de estudos, mostra a "ala da bateria" de policiais batendo em estudantes, sem discernir vândalos de manifestantes, em cidades onde, no caso carioca, o povo não consegue diferenciar uma Auto Viação Alpha de uma Real Auto Ônibus.

A grande mídia tenta parecer "solidária" com os protestos, mas enfatiza a desordem dos vândalos, enquanto a polícia prende manifestantes sem qualquer envolvimento com tais atos, e, como se não bastasse, os policiais também prendem quem estiver na frente, como jornalistas que apenas registravam as ocorrências no "olho do furacão", que é a essência de seu trabalho.

A própria mídia cria reportagens insossas sobre os problemas de transportes coletivos, querendo sempre falar do "mais do mesmo", divulgando problemas que já sabemos: ônibus lotados, veículos velhos, demora na espera dos ônibus, motoristas estressados etc.

Enquanto isso, nada se discute a respeito da farra de empresários de ônibus ligados a grupos políticos que se faz através de medidas paliativas como as linhas em pool - onde a irresponsabilidade de uma empresa de ônibus é disfarçada por uma intervenção parcial de uma outra ou mais empresas de ônibus numa mesma linha - e a intragável "pintura padronizada" que junta as empresas de ônibus num balaio de gatos visual.

As reportagens só ficam discutindo o óbvio, sem trazer qualquer proposta ou solução, e cansam leitores, espectadores e internautas pelo lero-lero que tem um quê de sensacionalista. E, depois que a mídia fala de ônibus lotados, velhos etc, no final são entrevistados políticos e tecnocratas que falam de propostas tecnocráticas baseadas na "moderna" mobilidade urbana trazida por Jaime Lerner no calor do AI-5.

Se a grande mídia parece sempre correr atrás do próprio rabo nas suas pachorrentas e repetitivas reportagens sobre ônibus, e as autoridades ficam adotando medidas paliativas e sensacionalistas para disfarçar as irregularidades do transporte coletivo brasileiro, os protestos estudantis são um bom contexto para mostrar o quanto mídia e políticos andam muito fora de sintonia.

Assim, não há como pensar em mobilidade urbana através de uma visão retrógrada e medidas sensacionalistas e sem eficiência definitiva. "Comprar" a opinião pública com ônibus especiais que custam muito caro e com corredores exclusivos que provocam danos ambientais, habitacionais e patrimoniais também não resolve. Daí os protestos estudantis, da juventude cansada de ser enganada o tempo todo.

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