terça-feira, 30 de abril de 2013

CICLISTA MORRE ATROPELADO POR ÔNIBUS NA ZONA SUL DO RJ


O ciclista e dentista Pedro Nikolay, de 30 anos, morreu atropelado pelo ônibus da Transportes Vila Isabel na Avenida Vieira Souto, em Ipanema. O ônibus operava na linha 433 Vila Isabel / Leblon (Via Lapa) e o veículo não foi identificado na ocasião do acidente, às 10:10 h de hoje.

Ironicamente, o sistema de ônibus - dentro do modelo tecnocrático lançado pela ditadura militar e tido como "moderno" atualmente pelas autoridades - estava na pauta do programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo, exibido pouco depois do incidente.

No último fim de semana, na noite do último sábado, um homem foi imprensado e jogado contra um poste num trecho da Estrada dos Três Rios, em Freguesia, região de Jacarepaguá, depois de ser atropelado por um ônibus, provavelmente da Viação Redentor (a empresa não foi creditada pela imprensa).

A exemplo do acidente de hoje, o motivo teria sido o fato do motorista ter avançado no sinal vermelho. Com Pedro Nikolay, são pelo menos 12 os mortos este mês em acidentes de ônibus no Rio de Janeiro, incluindo um BRT que atingiu um carro, matando um motorista, no Recreio dos Bandeirantes, no último dia 21.

Pedro Nikolay é a segunda pessoa dotada de alguma celebridade a morrer na série de acidentes envolvendo ônibus do Rio de Janeiro este ano. Antes, no dia 01, morreu, de forma semelhante, a produtora da TV Globo, Gisella Matta, que trabalhou no programa Amor e Sexo, além do canal GNT.

SMTR FALA GROSSO DEMAIS, MAS O PROBLEMA É QUE O SISTEMA É DECADENTE

A Secretaria Municipal de Transportes Rodoviários (SMTR) que controla o sistema de ônibus municipais do Rio de Janeiro, tenta falar grosso e exigir das empresas maior eficácia no serviço e no preparo de motoristas. O secretário Carlos Roberto Osório chega a falar como se fosse um sargento do exército.

No entanto, o que se sabe é que esse modelo de transporte implantado em 2010 é que é decadente. Ele é defasado, por seguir uma linha implantada em Curitiba durante a ditadura militar que não traz mais respostas definitivas para a atual realidade da mobilidade urbana.

Além disso, há uma grande confusão entre regular o sistema e mandar no sistema, e o poder concentrado da SMTR não significa maior responsabilidade nem eficácia. Além disso, a pintura padronizada tira de cada empresa a identidade visual e a autonomia operacional que estimulariam as empresas a agir melhor no seu serviço.

Sem uma identidade a zelar, as empresas de ônibus, vendo que suas frotas simbolicamente são "usurpadas" pela Prefeitura que mantém seu monopólio de imagem sobre as frotas de ônibus. Isso acaba tirando das empresas a responsabilidade de investir nos ônibus, porque, ideologicamente, eles "pertencem" a Prefeitura carioca, por apresentarem apenas a marca dela, expressa nos "consórcios".

Isso explica por que, depois de 2010, ocorrem tantos acidentes e os ônibus, mesmo novos, circulam com lataria amassada, para-choques quebrados, pneus carecas e por que os motoristas sobrecarregados, seja pela dupla função de dirigir e cobrar passagens, seja para cumprir horários em uma cidade com trânsito difícil, estão causando mais acidentes.

Um dia esse modelo de 2010 terá que ser revogado. Não adianta presentear a população com mais ônibus com piso baixo, articulados ou com ar condicionado. Serão apenas ônibus novos para mais acidentes e mais mortos e feridos.

Um comentário:

  1. E mais uma vez a interferência política nas empresas ao mandar suspender ou demitir motoristas que foi, agora, no caso da Vila Isabel, a eterna Vermelhinha. Eu sei que é consequência desse novo sistema implantado pelo Prefeito, mas, acho errado o político querer dar palpite dessa questão de punir motoristas. Só falta eles interferirem em renovações de frota nas empresas (quando acontecer compra de carros novos).

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...