sábado, 15 de setembro de 2012

O QUE A PADRONIZAÇÃO VISUAL PODE FAZER PARA CONFUNDIR...


Esta foto, no cruzamento da Rua Dr. Paulo César com a Av. Roberto Silveira, na esquina da Av. Marquês do Paraná, em Niterói, dá uma boa noção do que a chamada padronização visual nos ônibus pode fazer para confundir as pessoas.

É bom deixar claro que, no dia a dia, muitas pessoas ficam ocupadas demais para "examinar sem pressa" o ônibus que vai pegar e é ilusão que todo mundo "receba" sempre o ônibus vendo o veículo pela dianteira.

Muita gente tenta pegar um ônibus vendo-o na lateral, de longe, porque tem pressa e nem todas as linhas possuem uma frota grande, obrigando muitos a correrem para o primeiro ônibus que virem, mesmo à distância.

Esta foto é ilustrativa. O desavisado poderia imaginar que um carro da Viação Fortaleza, na linha 57 (Santa Rosa / Centro, via Fagundes Varela), cortou pela Paulo César - geralmente ele vai pela Rua Gen. Pereira da Silva antes de dobrar a Roberto Silveira - por alguma eventualidade e se dirige à pista lateral da avenida para dobrar a Rua Miguel de Frias em direção à Fagundes Varela.

No entanto, o ônibus em questão é da Santo Antônio Transportes, linha 45 (Cubango / Centro), que havia pego um caminho alternativo, já que normalmente passa pela Paulo César direto, talvez para se dirigir sem problemas para a pista lateral da Av. Marquês do Paraná, exclusiva para ônibus.

A pintura padronizada do consórcio Transoceânica permitiu essa "pérola", que a elite busóloga não tem o menor problema de discernir, mas os cidadãos comuns, principalmente os mais pobres, têm muita dificuldade de identificar.

São transtornos assim que a gente questiona, mas nem todo mundo gosta. Afinal, a "novidade" do visual uniformizado, desse "baile de máscaras" que se tornou o sistema de ônibus de Niterói e do Rio de Janeiro, deslumbra alguns, sobretudo aqueles que querem mamar nas tetas do Estado e que por isso fazem defesa até do serviço irregular da Turismo Trans1000.

Só que, nas ruas, a realidade é bem outra do que aquela que a ilusão dos escritórios tenta inventar.

3 comentários:

  1. O panorama do transporte coletivo na Região Metropolitana Fluminense tem sido apreciado com apreensão pelas pessoas. A padronização visual dos ônibus das cidades do Rio de Janeiro e Niterói traz à tona um passado não muito distante, onde algumas empresas passaram pelo processo de "emcampação", uma medida adotada pelo então Governador Leonel Brizola como última cartada para salvar a CTC da falência e melhorar a qualidade do transporte coletivo na região.
    Como todos sabem, tal medida não adiantou, acarretando o sucateamento de todo o sistema, graves prejuízos às empresas de ônibus afetadas pelo processo que, deixaram a região praticamente sem o modal rodoviário, sobrecarregando os trens, na época representados pela CBTU, com graves transtornos aos usuários do sistema.
    A desconfiança causada pela padronização visual gera uma questão em todos os cidadãos: Para a melhoria do sistema de ônibus, a padronização visual era realmente necessária? Para cidadãos que, há décadas, já estavam acostumados com os números das linhas e a identidade visual das empresas, assimilando as eventuais alterações, tal reestruturação é desnecessária; para algumas linhas, a reestruturação faz sentido, mas o modo como foi feito foi brusco e desnecessário; por exemplo, a linha 266 (Cidade de Deus - Rodoviária) existe com este código numérico há mais de quarenta anos, quando a primeira reestruturação foi feita. Hoje em dia, ainda é difícil assimilar o novo número, 353.
    A mencionada primeira reestruturação no transporte coletivo, feita no final da década de 60, foi necessária para que o cidadão tivesse acesso a um transporte coletivo rodoviário de mais qualidade e organização, uma vez que, na época, tal modal era representado por milhares de lotações, individuais ou agrupados em cooperativas, sem qualquer tipo de identificação e fiscalização, semelhante às vans atuais. A reestruturação veio acompanhada de um normativo que deu forma e organização aos ônibus do Rio, processo que foi posteriormente copiado pelos municípios vizinhos e que perdurou até os dias atuais, sem que isso tivesse sido fator determinante para os inúmeros problemas relacionados ao sistema.
    Ora, o reajuste quase que semanal dos preços das passagens na época dos Planos Bresser e Cruzado, nada teve a ver com a organização que norteou o sistema organizacional das linhas e códigos das empresas, pois era um problema que atingiu todo o País, e não só relativamente às passagens de ônibus. O grande Quebra-Quebra de 1986, ocorrido no centro do Rio, com dezenas de ônibus incendiados, ilustra bem esta situação econômica.
    Voltando à chamada "Emcampação Branca", parece que só foi feita para agradar aos milhares de turistas que virão ao país por causa da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, que serão realizadas na cidade do Rio em 2016. Mas os velhos problemas continuam: Acidentes, Desrespeito à CLT quanto à jornada de trabalho dos motoristas e o Trânsito caótico agravado pelo inchaço no transporte coletivo representado pelas cooperativas de vans, a maioria controlada pelas milícias, além de problemas em outros modais de transporte, com o metrô, trens e barcas subdimensionados e parcialmente sucateados.
    E aí, fica a pergunta: e depois de 2016, o que acontecerá?

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  2. O quebra-quebra foi em 1987 e é exatamente isso que já comentei sobre esse assunto e concordo com cada palavra no comentário acima.

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  3. Bomba: segundo uma postagem do membro da comunidade "Ônibus Em Debate" no Orkut, Emílson França, de uma crítica de um jornal de Itaboraí da licitação de ônibus de São Gonçalo e adivinhham o modelo adotado? Os famigerados consórcios.

    Será que é mais uma? Será que essa farda vai se alastrar? Depende se o candidato da Prefeita ganhar embora não descarte uma das candidaturas concorrentes que é ligado, politicamente, ao atual Prefeito do Rio. Em parte, pinturas tradicionais da Galo Branco e da Mauá (essa principalmente por ter quase 40 anos).

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