quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O COMPLICADO "RACHA" VISUAL DE CERTAS EMPRESAS DE ÔNIBUS


A padronização visual dos ônibus traz mais complicações do que se imagina. E não é questão estética, não, porque a medida, no fundo, também peca pela falta de funcionalidade.

Isso se torna claro quando a medida "racha" as frotas de uma mesma empresa de ônibus devido às linhas que variam quanto às regiões de bairros, tipos de ônibus e municípios servidos pela mesma empresa.

Ou seja, a empresa é incapaz de apresentar sua identidade visual unificada, porque num município que adota uma padronização visual, ela tem uma pintura, em outro município adota outra pintura, e, quanto às regiões de bairros, a pintura varia dependendo das linhas operadas, e também há o caso do tipo de ônibus, que também influi na variação de pintura.

Sabe o que isso significa? Com tanta propaganda que tem que exibir das diferentes prefeituras e governos estaduais, por conta dos padrões visuais adotados, a empresa não pode se apresentar ao público, mas o aspecto mais grave disso é de ordem econômica, que é o de gastar mais dinheiro com tinta ou plotagem.

Isso tudo já tira dinheiro das empresas de ônibus. Parece bobagem, mas isso aumenta sem necessidade o volume de gastos, porque são mais cores a serem utilizadas em diferentes pinturas. Sem a identidade visual própria e unificada, a empresa, além disso, deixa de investir em manutenção ou em mão-de-obra, ou terá que pedir mais dinheiro para prefeituras e governos estaduais, por conta do aumento de gastos.

Outra desvantagem está no deslocamento de um carro de um tipo de linha para outro. Há casos de ônibus intermunicipais, por exemplo que, quando se tornam semi-novos, são deslocados para linhas municipais de maior status e, em seguida, para linhas de menor status.

Se houvesse a identidade visual unificada, bastaria apenas substituir o código numérico numa plotagem e fazer apenas alguns ajustes, como a substituição das bandeiras de lona ou a troca de dados, no caso de bandeira digital. Quando muito, apenas é feita uma repintura apenas para renovar visualmente o veículo, sobretudo no caso de pinturas envelhecidas pelas sujeiras e pelas chuvas.

Mas, com a variação dos padrões visuais, a situação se complica. O ônibus que serve um município A que se desloca para a frota da capital precisa ser repintado independente do estado da pintura anterior. Digamos que ele, com três anos de uso, se destine para uma linha da Zona Sul, mas, depois, se destine para uma linha da Zona Norte. Passará, em cada etapa, por três pinturas diferentes.

Mesmo em casos em que frotas municipais ou intermunicipais ou frotas rodoviárias, se for o caso, mantém a identidade visual própria da empresa, o deslocamento de carros para frotas que usam padronização visual representa os gastos acima citados.

Parece pouco, mas isso gera mais problema para a empresa. E, é claro, o aumento de gastos pode puxar aumento das passagens, mas se elas não ocorrem, as empresas operam no vermelho, e aí adeus ônibus novos, adeus manutenção, adeus funcionalidade.

Com isso, a padronização visual tão defendida por uns perde seu sentido, e acaba fazendo com que os defensores da medida, eles sim, pensem mais em aspectos estéticos do que na funcionalidade do sistema de ônibus.

2 comentários:

  1. Mais uma consequência dessa palhaçada que foi imposta na marra.

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  2. OFF: em Niterói, eles mecheram, também, nos números de ordem abolindo o começo de sempre começar com NITxx.100.

    Não sei como a tradicionalíssima centena 500 no Rio se manteve apesar esse pessoal que está tentando a reeleição à Prefeitura do Rio. Até agora, aquelas bagunças que, infelizmente, está acontecendo na Pégaso, na Jabour, na sucessora da Erig, na sucessora da Breda e na Tijuquinha (as 2 últimas ocupando espaço de empresas que existiram como a Colúmbia e a Uruguai, respectivamente).

    Detalhe: naquela comunidade, não vi os busólogos "profissionais" apoiando a mudança lá em Niterói onde essa gente jogou o porrete na centena 500. Na versão Face daquela comunidade, aí, eu não sei.

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