quinta-feira, 12 de julho de 2012

"NOVO" SISTEMA DE TRANSPORTE IMPÕE SOBRECARGA HORÁRIA A MOTORISTAS NO RJ


Os motoristas de ônibus do Rio de Janeiro se queixam de que o "novo modelo" de transporte coletivo impõe carga de horário longa, junto às péssimas condições de trabalho.

Essa é a lógica que está por trás de um padrão de "mobilidade urbana" que, imposto a partir do projeto de Jaime Lerner em Curitiba, no auge da ditadura militar, esconde diversos transtornos e prejuízos através de atrativos meramente paliativos como os corredores expressos e os BRTs.

Esse "modelo" de transpote coletivo se baseia na concentração de poder das secretarias de transportes, que vendem uma falsa imagem de "xerifes do sistema de ônibus". Esse "modelo" impõe medidas antipopulares que, do contrário que a teoria promete, causa prejuízos e transtornos para os passageiros.

A padronização visual dos ônibus não é o único, mas o principal aspecto desse "modelo" de transporte. A medida desafia a atenção dos passageiros e impede que o cidadão comum reconheça a empresa de ônibus que opera a linha, o que faz a padronização visual ser não somente uma perda de valor estético, mas também uma perda total de funcionalidade no sistema de ônibus.

Para piorar, somente técnicos e busólogos "profissionais" - aqueles que estão mais chegados a empresários e políticos - conseguem reconhecer, de fato, a empresa de ônibus. E essa verdadeira elitização é motivo de muitas vaidades pelo privilégio obtido e que é defendido às custas de desculpas inconvincentes, como o tal "interesse público" que eles nem conseguem explicar direito do que se trata.

Os passageiros também sofrem com medidas "racionais" como a redução das frotas de ônibus em circulação, além da construção de pistas para BRTs afetar também várias comunidades populares, desalojadas de suas casas destinadas a demolição, isso quando os corredores não afetam áreas ambientais ou patrimônios históricos.

Esse sistema "racional" ainda apela para a extinção gradual da função do cobrador, sob a promessa de universalização dos tais bilhetes únicos, o que esconde interesses de demissão em massa para agilizar a informatização dos postos de trabalho. Com isso, os motoristas, além da sobrecarga horária, em muitos casos precisam se dividir entre cobrar passagens e dirigir um ônibus.

Isso sobrecarrega as mentes dos motoristas, que, juntando todos os transtornos que sofre, correm risco de sofrer doenças em pleno volante, oferecendo riscos aos passageiros. Em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, só para citar os principais exemplos, isso causou vários acidentes de ônibus, não raro com vítimas fatais.

Esse modelo de transporte é meramente tecnocrático. Não deveria ser referência para o Brasil nem para o mundo. Mas, infelizmente, é, o que pode ser bom para determinados "especialistas" em transporte ou mesmo para blogueiros de ônibus "imparciais" que se dividem entre os interesses públicos e os patronais. Só que a sociedade, incluindo os trabalhadores rodoviários, sai prejudicada com isso, e nada pode fazer senão aguentar transtornos, injustiças e tragédias.

Um comentário:

  1. A ESPN Brasil denunciou a expulsão de forma truculenta algumas famílias que moravam, no redondo, 30 anos ou mais em Madureira da tal Transcarioca.

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