segunda-feira, 25 de junho de 2012

FASCISMO DE ALGUNS SÓ PIORA PRECONCEITO CONTRA BUSOLOGIA


Há poucos meses atrás, parece que a estupidez passou a ser a lei maior da busologia carioca.

Em nome da projeção política e da desesperada vontade de se aliar junto a autoridades, dirigentes esportivos e políticos, alguns busólogos passaram a investir numa "limpeza ideológica", ofendendo quem não concordasse com seus pontos de vista.

Era só questionar a padronização visual nos ônibus, a persistência da Transmil e seu péssimo serviço em suas linhas, ou mesmo contestar a estranha unanimidade dos chamados BRTs, que como um tipo específico de ônibus só resolve parcialmente algumas necessidades, que as ofensas vinham da parte de alguns busólogos "um pouco mais destacados".

As agressões chegaram ao ponto de empastelar uma petição pública contra a padronização visual nos ônibus cariocas, o que mostra o caráter anti-popular e fascista desses busólogos defensores da implantação do "pensamento único" no hobby. Eram agressões que não mediam escrúpulos de usar nomes conhecidos - até o da atriz norte-americana Annasophia Robb foi usado - para comentários grotescos, geralmente piadas homofóbicas ou críticas e ameaças reacionárias.

Nos bastidores da busologia, existe até mesmo um busólogo conhecido por usar métodos grosseiros de humilhar quem não pensa igual a ele, tanto como maneira de projeção política dele - aos moldes de Jair Bolsonaro - quanto para formação de uma "panelinha" de busólogos que só pensam igual e sempre dizem sim para Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho, Alexandre Sansão, Ricardo Teixeira e companhia.

Tornou-se um pesadelo. De repente, até ofensas pessoais, que mostram o preconceito contra homens solteiros - classificados pejorativamente de "virgens" - , eram feitas para afastar alguns busólogos do hobby. A coisa ficou tão séria que um busólogo veterano, Sydney Júnior, chegou a tirar do ar seu ótimo sítio CIA de Ônibus, magoado com as agressões da minoria fascista dos busólogos cariocas.

A intolerância chegou ao ponto de um blogue ser criado especialmente para ofensas pessoais, chamado de forma paródica "Comentários Críticos", e não adiantava fazer críticas que a busologia fascista reagia com gracejos ou ameaças.

Esses busólogos, agindo assim, sinalizavam para a carreira política baseada no fisiologismo, já que o apoio ao grupo político de Paes e Cabral Filho serviria como trampolim para suas carreiras parlamentares. Só que, se eles são capazes de destruir uma petição pública contra aquilo que eles defendem, eles, como parlamentares, vão perseguir quem não votar com eles na ALERJ e poderão reagir com opositores políticos à maneira de parlamentares provincianos, através do duelo nas ruas, à maneira do bangue-bangue.

Só que, em dado momento, essa prepotência passou a ser conhecida até fora da busologia, e os comentários de populares acabam agravando o preconceito que a busologia já sofre da sociedade. Com o fascismo de alguns, que não toleram que se critique, por exemplo, a padronização visual dos ônibus cariocas e niteroienses e os desserviços da Transmil, que igualmente prejudicam os passageiros, o povo acaba pensando que busólogo é egoísta, só gosta de chassis de ônibus e o povo é que se dane.

Ainda são publicadas, nas redes sociais, mensagens ofensivas por parte desses busólogos. Pior é que esses defensores de medidas anti-populares ainda têm a coragem de dizer que defendem os passageiros. Mas o povo não gosta de ser visto como pretexto para a defesa do discurso conservador dessa minoria barulhenta. O povo precisa de respeito, e não de puxa-saquismo.

Já dá para perceber quando esses poucos busólogos entrarem na vida política e chegarem às prefeituras do Grande Rio. Se isso acontecer, não será coisa boa.

domingo, 17 de junho de 2012

ÔNIBUS RECEBEM UMA MULTA DE TRÂNSITO A CADA 7 MINUTOS NO RIO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Até pouco tempo atrás, era tabu fazer críticas ao modelo de transporte do Rio de Janeiro implantado por Alexandre Sansão, secretário de transportes da gestão do prefeito carioca Eduardo Paes. Tinha busólogo que partia para calúnias mesmo, gente irritada achando que era trololó. Mas a realidade mostra que as críticas e denúncias são verdadeiras, e a parte reacionária dos busólogos cariocas tem que engolir seco com a realidade pouco agradável ou então limitar seus desaforos e ofensas para as redes sociais, cujo acesso é mais privativo, através de senhas.


Em tempo: muitas infrações cometidas por motoristas de ônibus se devem à relação entre trânsitos congestionados e pressão da Prefeitura do Rio de Janeiro para o cumprimento rigoroso de horário, dentro de condições, no entanto, bastante opressivas. E mais: depois dos dois trágicos acidentes, um no Caju e outro em Vila Kennedy, já ocorreu um outro com um BRT, em Guaratiba, sem vítimas, e outro com um ônibus da Auto Viação Bangu, com um morto e três feridos.

Ônibus recebem uma multa de trânsito a cada 7 minutos no Rio

Por Marcelo Dias - Jornal Extra

Na matemática das ruas, quanto é a soma da imprudência ao volante com a falta de fiscalização no transporte público? Até abril, essa resposta era a de uma multa de trânsito a cada sete minutos e quatro segundos para os motoristas de ônibus que trafegam na capital. De acordo com estatísticas do Detran, essa é a marca cravada pelas empresas de janeiro a abril deste ano, num total de 24.619 infrações.

E, pelo andar da carruagem, os ônibus chegarão ao fim do ano com o pé embaixo no desrespeito às leis de trânsito. Mantida a atual proporção, serão anotadas mais de 73,8 mil multas até lá. Assim, cada um dos coletivos terá recebido em média 8,58 infrações — mais do que o dobro registrado pelo Detran entre agosto de 2007 e agosto de 2008.

Assim, cada motorista de ônibus do Rio já foi multado, em média, pelo menos uma vez até abril. Nesse ritmo, o prontuário de infrações terá acumulado mais de quatro infrações no fim de 2012.

Para evitar que isso aconteça, a Secretaria municipal de Transportes diz que dispõe de 350 homens entre fiscais e policiais militares, que fazem bico, a serviço da prefeitura. Ou seja: cada agente tem que dar conta de 24,5 ônibus em toda a cidade.

Nessa conta que não fecha na relação entre fiscalização e respeito à lei, fica a promessa feita, há mais de dois anos, pelo secretário de Transportes, Alexandre Sansão.

— O sistema vai funcionar melhor. O modelo vigente faz com que o poder público tenha poucos instrumentos de regulação do sistema e, de fato, a frágil regulação prejudica a exigência por uma melhor qualidade do serviço — declarou o secretário no dia 29 de abril de 2010, referindo-se ao caos anterior à assinatura do contrato para exploração das linhas de ônibus, firmado em 17 de setembro daquele ano com os consórcios Internorte, Intersul, Transcarioca e Santa Cruz.

Sem resposta

Dentre as principais infrações cometidas nos primeiros quatro meses do ano, destacam-se o excesso de velocidade, com 45,95% do total; e avanço de sinal fechado, com 20,31% das anotações.

Procurada durante dois dias, a Secretaria de Transportes não se pronunciou sobre a quantidade de multas cometidas e nem sobre a qualidade do serviço prestado pelos consórcios. A Rio Ônibus, entidade que reúne as empresas do setor, tampouco respondeu às perguntas.

Às escondidas

Não bastassem as multas de trânsito, as empresas de ônibus cometem outra ao esconder o nome dos motoristas responsáveis. De acordo com o Detran, essa irregularidade valeu aos empresários o envio de mais 18.007 infrações como punição pela falta de identificação dos reais infratores.

Logo, somando-se às multas cometidas de fato nas ruas, as empresas de ônibus receberam 42.626 infrações. Assim, 42,24% desse total corresponde àquelas sem dono, como o EXTRA revelou nesta sexta-feira.

Apesar do deficit de 2.500 motoristas, a Rio Ônibus nega que se trate de uma estratégia para evitar que seus rodoviários fiquem pendurados e com direito de dirigir suspenso quando se atinge 20 pontos no prontuário do Detran, alegando problemas burocráticos.

Ao tomar conhecimento de que as empresas de ônibus omitem a identidade dos motoristas infratores, o prefeito Eduardo Paes ordenou anteontem que a Secretaria de Transportes tome providências e elabore um ranking com os nomes dos piores condutores da cidade.

— Vai ter que divulgar (quem são os motoristas infratores). Já determinei ao secretário Sansão que exija essa informação. Vamos exigir punição para os motoristas que desrespeitam permanentemente. É um absurdo, um escândalo o que aconteceu. É um erro de um indivíduo, mas a partir do momento em que a concessionária omite esse erro passa a ser um erro da concessionária — afirmou Paes.

Roleta de infrações

17 mil

Esta é a quantidade de motoristas de ônibus das empresas da capital.

1,44

Cada motorista já recebeu, em média, 1,44 multa de trânsito de janeiro a abril.

4,34

Mantido o excesso de infrações cometidas, esse será o número médio de multas registradas por cada condutor até dezembro.

8.600

São os ônibus das empresas de transporte do Rio.

2,86

Este é o número médio de multas de cada coletivo de janeiro a abril.

2,86

Segundo o Detran, a relação infração-frota é maior entre motoristas de ônibus. Em abril, os coletivos receberam 51,71% das multas, contra 8,27% dos carros de passeio.

Perigo ao volante

Ao todo, houve 11.313 multas por excesso de velocidade superando em até 20% o limite permitido na via — como no acidente do ônibus da linha 484, nesta terça-feira, na Avenida Brasil, no qual morreram cinco pessoas. O tacógrafo do veículo marcava quase 80km/h num trecho onde a velocidade máxima é de 60km/h.

Imprudência

Os ônibus do Rio de Janeiro receberam 5.002 multas por avanço de sinal.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

CPI INVESTIGARÁ TENTATIVA DE FRAUDE NO TRANSPORTE DO DF


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Camuflar ônibus com uma mesma pintura, além de complicar as atenções dos passageiros comuns - que não possuem os mesmos conhecimentos técnicos de muitos busólogos e urbanistas -  , esconde as empresas prestadoras do serviço de transporte coletivo aos olhos do público.

Isso permite a troca de empresas às costas dos passageiros, já que o reconhecimento das empresas prestadoras de serviço torna-se privativo de uns poucos, e não raro isso favorece a corrupção política, sobretudo o gigantesco esquema do bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira, cujas "águas" quase foram "banhar" Eduardo Paes, Alexandre Sansão e Jaime Lerner graças ao intermédio do empreiteiro Fernando Cavendish, da construtora Delta, a principal responsável pelas reformas urbanas para a Copa de 2014.

CPI investigará tentativa de fraude no transporte do Distrito Federal


Da Agência Estado - Reproduzida também no portal R7

Brasília - A CPI do Cachoeira decidiu incluir entre seus focos de investigação a suspeita de que o grupo de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tentou fraudar um processo de licitação para a bilhetagem eletrônica do sistema de transporte público do Distrito Federal. A decisão foi tomada nesta quinta, após a comissão aprovar o pedido para o recebimento de denúncia criminal sobre essa suspeita.

A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público do Distrito Federal no mês passado, na qual são citados Cachoeira e outras sete pessoas. Os envolvidos foram denunciados pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência. A ação é um dos desdobramentos da Operação Saint-Michel, feita em conjunto pelo MP e polícia do DF, em abril, e que levou à prisão Cláudio Abreu, o ex-diretor da Delta Construções no Centro-Oeste - solto por decisão da Justiça no último sábado. Cláudio Abreu, que esteve na CPI no dia 30 de maio, permaneceu em silêncio durante o depoimento.

A fraude ao processo não chegou a ser concretizada, uma vez que o governo local desistiu de levar adiante a licitação de bilhetagem por ter escolhido outras prioridades de investimento na área de transportes. O governador do DF, Agnelo Queiroz, rebateu nesta quarta na CPI qualquer suspeita de irregularidade no processo. "Tentou, mas não conseguiu, porque o DFTrans (responsável pela bilhetagem) nem sequer realizou a licitação", afirmou o governador.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

EM DOIS DIAS SEGUIDOS, DOIS ACIDENTES. UM DELES COM MORTES


Dois acidentes ocorreram com ônibus cariocas em dois dias, no subúrbio do Rio de Janeiro. Um deles, com cinco mortos até agora.

Na noite de anteontem, em Guadalupe, um ônibus da Auto Viação Três Amigos, linha 782 Cascadura / Marechal Hermes, bateu com um trem na altura da Rua Luís Coutinho Cavalcanti, deixando dez pessoas feridas.

Já na noite de ontem, ocorreu um acidente mais trágico, na altura do Caju, na Av. Brasil. Um ônibus da City Rio Turística, da linha 484 Olaria / Copacabana, invadiu um ponto de ônibus e causou a morte de cinco pessoas, além de 21 feridos. O motorista do ônibus teve fraturas nas pernas.

MODELO ULTRAPASSADO - O "novo" modelo de transporte coletivo ditado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, se baseia não só na padronização visual dos ônibus, que já confunde e desafia a atenção dos passageiros, mas também na pressão profissional sobre os motoristas, que, obrigados a cumprir horários dentro de ruas cheias de automóveis, precisam aumentar a velocidade para diminuir os atrasos causados pelos trechos em congestionamento.

Além disso, as empresas de ônibus, sem uma imagem a zelar - o visual padronizado impede o reconhecimento real da empresa e não permite um serviço mais personalizado e competitivo - , acabam também desleixando na renovação de frotas, já que os "consórcios", na prática, expressam o poderio da Secretaria de Transportes do Rio de Janeiro, contrário à Lei de Licitações 8666/93.

É uma lógica tecnocrática e opressiva, para o qual a renovação tendenciosa de frotas, em vez de ser um dever para a população, é usado como um recurso para diminuir as críticas. O modelo se baseia em Curitiba e São Paulo, cidades que já sofrem claramente o desgaste desse modelo em que um secretário de transportes vira dublê de administrador de ônibus.

BUSÓLOGO REACIONÁRIO NÃO GOSTA DE CRÍTICAS - Quando noticiei um acidente de ônibus no Rio, meses atrás, recebi uma imagem de muito mau gosto dizendo "Você comia criança quando era cocô?", de um desses fakes lançados por um busólogo reacionário, que não tolera críticas ao grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho.

Durante alguns meses, esse busólogo deu a ofender vários outros que não pensavam igual a ele. Pior, tal busólogo, querendo se ascender às custas da humilhação dos outros, por conta dos seus fakes, foi um dos que empastelaram uma petição pública que ia contra os interesses pessoais dele, e ele chegou a ponto de viajar para um terminal de ônibus distante a procura de desafetos para "uma franca conversa" e a criar um blogue especialmente para ofender desafetos.

A lista de vítimas dele é enorme, indo dos quase leigos em busologia Marcelo Delfino e Leonardo Ivo até o grupo OCD Holding, passando por André Neves, pelo Grupo Paratodos e por este que lhes escreve. É até lamentável que ele tenha escrito que "sentia nojo" pelo que seus discordantes escreviam, quando mais nojentos foram os métodos dele se destacar na busologia para eliminar quem não pensa igual a ele e o via como concorrentes.

Para piorar, o busólogo se revelou, em vários momentos, ser simpatizante da extrema-direita, através dos procedimentos que ele fazia usando o próprio nome ou usando pseudônimos (mas com a clara linguagem caraterística sua, afinal nem todo mundo pode ser um Chico Anysio ou Fernando Pessoa). A busologia chegou a viver um período de trevas, quando ele impôs sua prepotência para ofender os outros através de fakes, enquanto bancava o bonzinho nos fóruns do Facebook, Orkut e Ônibus Brasil.

Tais informações foram reveladas através de e-mails enviados por vários outros busólogos, que conhecem esse reacionário pessoalmente nos encontros de busologia há muito tempo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

PADRONIZAÇÃO VISUAL NOS ÔNIBUS VAI CONTRA LEI DE LICITAÇÕES


A prática da padronização visual nos ônibus, usada nas licitações dos serviços de ônibus das cidades e regiões metropolitanas, é uma medida ilegal.

É o que se constata ao verificarmos a Lei 8.666, de 21 de junho de 1993, no Artigo 11 e no Artigo 12, inciso II, a partir do seguinte texto, que aparece grifado:

Art. 11 As obras e serviços destinados aos mesmos fins terão projetos padronizados por tipos, categorias ou classes, exceto quando o projeto padrão não atender às condições peculiares do local ou às exigências específicas do empreendimento.

Art. 12 Nos projetos básicos e projetos executivos de obras e serviços serão considerados principalmente os seguintes requisitos:

II - funcionalidade e adequação ao interesse público;

Quanto ao Artigo 11, podemos fazer uma análise técnica, lembrando que o transporte coletivo é uma concessão pública dada a particulares para a prestação de um serviço.

Sendo uma concessão de serviço, seria exigência específica que a apresentação da imagem que deve prevalecer é a da prestadora de serviço, e não pelo poder que a concede.

E as condições peculiares do local ficam por conta do próprio hábito dos passageiros reconhecerem um ônibus não só dos números de linhas e seus destinos, mas pela identificação visual de cada empresa.

A padronização visual dos ônibus, portanto, desobedece não só um, mas ambos os artigos mencionados, porque contraria o critério de exigência específica do empreendimento e de condições peculiares do local (Artigo 11), como também vai contra a funcionalidade e qualquer adequação ao interesse público (Artigo 12, inciso II).

Isso porque a padronização visual erra por minimizar até mesmo a apresentação do nome da empresa, através de nomes de fantasia - como são conhecidos, pelo Direito, "apelidos" de empresas ou instituições adotados para o reconhecimento público - que são os chamados consórcios (como, no Rio de Janeiro, temos o Internorte, Intersul, Transcarioca e Santa Cruz).

Os consórcios, portanto, são nomes de fantasia que indicam a imagem que prevalece, que não é a da prestadora de serviço, mas a daquela que concede. Mas, na apresentação da imagem, o que prevalece nem é o desses apelidos jurídicos, mas o da instituição que concede o serviço, a prefeitura municipal ou a empresa que controla o sistema metropolitano.

Na prática, a padronização visual é apenas uma manobra, usada para enganar quem não está tão por dentro da lei, para fazer propaganda política das prefeituras ou governos estaduais usando como desculpa a "disciplina" atribuída à padronização visual.

A padronização visual dos ônibus, além de não obedecer à Lei de Licitação - e, no caso do Rio de Janeiro, foi feito à revelia de qualquer consulta pública - é uma medida falsamente ética, que comprovadamente só traz complicações para os passageiros em geral e, não raro, até permite a corrupção e o troca-troca de empresas às costas da sociedade.

CONTRÁRIO AO INTERESSE PÚBLICO - Ao público se dificulta, por duas vezes, a identificação da empresa de ônibus. Primeiro, é vedada a empresa de ter sua própria identidade visual, medida que há muito tempo fazia o diferencial nos serviços de ônibus, não apenas pela peculiaridade estética, mas pela própria identidade operacional e útil de cada empresa. Segundo, porque o próprio nome da empresa é, na maioria das cidades, colocado com menos destaque, e, no caso de Curitiba, ele nem sequer aparece.

A funcionalidade não existe na padronização visual dos ônibus. Fala-se em um padrão visual para disciplinar o serviço, para organizar as empresas ou evitar a poluição visual, mas tudo isso são meras desculpas. Não existe a menor funcionalidade nessa medida, já que não existe uma razão útil que possa justificar que, neste caso, empresas diferentes tenham a mesma pintura.

Isso vai contra o interesse público, e não possibilita qualquer adequação a esse interesse. Usar a renovação de frota para dizer que esse modelo "se adequa" ao interesse público, como seus técnicos e as autoridades tanto alardeiam, é incorreto e sugere uma verdadeira tapeação ao povo.

Comprar carros com piso baixo, articulados, com motor traseiro de marca sueca não podem ser vistos como "adequação ao interesse público", porque estes são outros aspectos, os de frota, que por si só não justificam o modelo adotado nem podem ser usados como prova do sucesso da padronização visual adotada.

Isso consiste até no AGRAVANTE de usar a renovação de frota para convencer a população a aceitar a camuflagem de empresas de ônibus diferentes com o mesmo visual. Na prática é um meio de "comprar" a opinião pública, usando um procedimento para justificar outro. E sabemos muito bem que a renovação de frota e a padronização visual são coisas completamente diferentes uma da outra.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

643 ÔNIBUS ENGUIÇARAM NO RIO DE JANEIRO, ENTRE MARÇO E ABRIL

Levantamento feito com base em imagens divulgadas pela CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro) mostra que, entre março e abril deste ano, nada menos do que 643 ônibus urbanos em circulação na Cidade Maravilhosa enguiçaram.

Foi apontado também que os ônibus têm 25 vezes mais risco de enguiçarem do que os automóveis de passeio.

O levantamento confirma a observação, nas ruas, feitas pelo nosso blogue, mas a realidade era desmentida, até com certa arrogância, por certos busólogos chapa-brancas que alegavam que isso era mentira de quem era contra o projeto de Eduardo Paes e Alexandre Sansão.

Pois o fato é grave, porque em dois meses, os ônibus enguiçados correspondem a 3,2 ônibus enguiçados por dia, se as ocorrências fossem em dias consecutivos. É certo que em determinados dias não havia número de ônibus enguiçados, mas em outros chegava-se a ver, nas ruas cariocas, até dez ônibus enguiçados.

Outro ponto grave é que os ônibus enguiçados não são somente de empresas consideradas deficitárias, como Pégaso e Campo Grande, mas também de empresas como a conceituada Transurb (exemplar na renovação de frotas), como no micro-ônibus da foto do alto, Santa Maria, como na foto acima, e outras empresas como Real, Madureira Candelária, Translitorânea (cujos Mega BRS já começam a ficar sucateados), entre outras.

Para piorar, foi o jornal O Globo, que se posiciona em defesa de Eduardo Paes, e a CET-Rio, do governo do Estado (do mesmo grupo político do prefeito carioca), que divulgaram a informação, o que faz com que a notícia dada por busólogos mais esclarecidos, neste caso, nada tem a ver com um "rádio leão"...
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