segunda-feira, 28 de maio de 2012

DESMOBILIDADE URBANA - A TRADIÇÃO CONTRADITÓRIA DO POVO BRASILEIRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A redução do IPI para os automóveis, o que pode causar uma redução de 10% do preço de um carro, vai aquecer o consumo, já estimulado pelas criativas propagandas de automóveis que passam a toda hora na televisão. Só que é aí que está o problema, porque isso já causa há muito tempo os conhecidos congestionamentos no trânsito das grandes cidades, coisa que nenhum BRT conseguirá resolver, por si só. E ainda se fala em reduzir a circulação de ônibus nas ruas. Que mobilidade urbana é essa?

Desmobilidade Urbana - a tradição contraditória do povo brasileiro

Por Marcelo Pereira - Blogue Ultrabus

A população brasileira é tradicionalmente contraditória. Nega certas coisas em uma situação, afirmando em outras. Como aquelas pessoas que querem combater a pedofilia vestindo suas crianças como se fossem miniaturas de adulto. Como as religiões que ainda não encontraram uma maneira lógica de explicar os absurdos de seus dogmas, classificando suas contradições como "mistérios da fé". A contradição fascina o brasileiro, que em consequência reforça anda mais a sua imagem de povo idiotizado. E a contradição está em quase tudo na sociedade brasileira.

A mobilidade urbana também foi incluída nesta salada de contradições. O mesmo governo que torra dinheiro e o cérebro para tentar encontrar uma saída para os problemas de mobilidade que só aumentam em nosso país, resolveu baixar os impostos para facilitar a compra de automóveis e acelerar a economia.

Tudo bem que as indústrias automobilistas aceleram a economia. Mas pelo que sei, a indústria de automóveis não é o único tipo de indústria que existe em nosso país. Será que não haveria outra forma de acelerar a economia sem estimular venda de carros? Será que os metalúrgicos das indústrias automobilísticas só sabem fazer carro, não sabendo trabalhar em outro setor?

O BRT da Alegria

Enquanto isso quase todos enfiaram nas cabeças semi inertes que a solução definitiva para a mobilidade urbana é a construção de vias exclusivas para ônibus articulados, lindos feito Cavalos de Tróia, se esquecendo que mobilidade urbana mesmo é eliminar o excesso de automóveis.

Ah, mas os articulados poderão (poderão, vale frisar - o que não significa certeza) estimular a população a largar os carros, é o que dizem. Duvido muito, ainda mais numa sociedade onde é arraigada a ideia do automóvel como status e conforto, algo que é garantido pela lei do direito de ir e vir. As autoridades, por causa desta lei, não podem impor aos cidadãos de que forma eles devem se deslocar de um lugar ao outro. E carro, para muitos é a melhor opção.

Sinceramente, se ficarmos achando que para melhorar a mobilidade é suficiente o projeto dos BRTs, com certeza iremos ao fracasso e vai ser revelado que o verdadeiro motivo dessa pataquada toda é ganhar muito dinheiro com as obras e maquiar o transporte público para as autoridades esportivas e turistas que irão enganar os olhos com esses eventos que só servem para aumentar ainda mais a alienação futebolística de um povo que não está nem a fim de raciocinar. O verdadeiro BRT da Alegria a enriquecer autoridades e a fazer as ilusões de quem gosta de ser enganado com falsas promessas e 11 palhaços num picadeiro verdinho.

Eu não acredito mais em nada, nem em ninguém. E prefiro continuar não acreditando.

2 comentários:

  1. Uma contradição mesmo.

    Um detalhe: vi a foto de uma das Rio Itas da "Curitibanização" da Zona Oeste e percebi o tamanho do número de ordem: o MESMO tamanho daquele número de ordem entre Março de 1991 até Fevereiro de 1994, ou seja, camuflam o MÁXIMO POSSÍVEL dando uma sensação de diminuição de reclamações.

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  2. Marcelo, eu acho que esse padrão de número minúsculo usado na saia dos ônibus municipais do Rio não começou em 1991. Falo isso porque no ano passado assisti no canal Viva alguns episódios do Casseta & Planeta dos anos de 1992 e 1993. Nas reportagens externas do referido programa no ano de 1992, só vi ônibus com o número do lado do nome da empresa. Apenas nas reportagens de 1993 é que eu comecei a ver alguns ônibus com o número minúsculo na saia. Talvez esse padrão de número minúsculo na saia só tenha começado quando colocaram aquelas placas, do lado da porta dianteira, informando o acesso gratuito ao ônibus para estudantes da rede pública e pessoas maiores de 65 anos de idade.

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