quinta-feira, 31 de maio de 2012

BAGULHO NO BUMBA



Depois do fracasso da padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro que, por razões políticas, faz prevalecer a medida, forçando a barra para os passageiros cariocas, agora é Niterói que adere à camuflagem visual de seus ônibus.

É uma lógica autoritária de licitação, de certa forma ilegal, porque contraria os princípios da Lei 8666 no que diz à funcionalidade e ao interesse público (embora esse ilegalidade possa facilmente ser desmentida por desculpas falaciosas e "técnicas"), servindo mais como propaganda política das prefeituras e afirmação política dos secretários de transporte.

Essa medida, que visa os eventos esportivos de 2014 e 2016, foi implantada pela primeira vez em Curitiba, durante a ditadura militar. O ato de esconder as empresas de ônibus com uma identidade padronizada dificulta a identificação visual e permite que abusos sejam cometidos à revelia dos passageiros. E faz com que o reconhecimento exato de cada empresa seja um privilégio elitista de tecnocratas, autoridades e busólogos "profissionais".

Seu idealizador, Jaime Lerner, transformou esse modelo, tecnocrático e autoritário, de mobilidade urbana, numa franquia que ele vende para o resto do país, enquanto promove, em seu Estado de origem, seu esquema politiqueiro ao lado de José Richa e seu filho Beto Richa, este por sinal "paquerado" por Carlinhos Cachoeira.

A ilusão da novidade, no entanto, não impede que a realidade desse modelo mostrasse seu desgaste em cidades onde foi implantado há muito mais tempo, como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. Em Curitiba e São Paulo pesquisas sérias já apontam para a decadência e saturação desse modelo, com dificuldades assumidas pelos próprios técnicos da URBS e SPTrans, as respectivas controladoras do transporte.

Mesmo assim, no Rio de Janeiro nota-se que o sistema de ônibus piorou com a implantação desse modelo. O número de ônibus enguiçados e acidentados aumentou consideravelmente e mesmo empresas antes conceituadas, como Real, Matias, Braso Lisboa e Pégaso, já mostram ônibus com lataria amassada, coisa que já ocorreu com os Mega BRS da Translitorânea.

Até mesmo entre os defensores mais radicais da padronização visual e outras medidas de caráter tecnocrático há busólogos extremamente reacionários, que aproveitam a ocasião para humilhar quem discorda deles. A rixa entre busólogos do Rio de Janeiro já chama a atenção dos busólogos de outro país e começa a preocupar as autoridades na hipótese de terem, ao seu lado, busólogos encrenqueiros nos camarotes da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.

FISIOLOGISMO POLÍTICO

Tais medidas para o transporte coletivo, aparentemente, parecem dignas de aplausos, mas a ficha cai quando se nota quem é que defende esse modelo de mobilidade urbana.

São políticos que só veem a Educação pelo aspecto material, na construção ou reforma de escolas para atender à agenda das empreiteiras, e que menosprezam a questão da Saúde. Verbas para esses dois setores são muitas vezes desviadas para outras prioridades, isso quando não é para os esquemas de corrupção dos políticos envolvidos.

Na ditadura militar, políticos conservadores, inclusive o próprio Lerner, estão por trás desse modelo de transporte. Ultimamente, ele está associado ao fisiologismo do grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, no Rio de Janeiro, e de Jorge Roberto Silveira, na vizinha Niterói, "cliente" de Jaime Lerner.

Jorge Roberto, filho do histórico político Roberto Silveira (morto prematuramente em 1961), no entanto andou decepcionando, e muito, na administração da cidade. Seu mais grave erro foi a negligência quanto a pareceres técnicos sobre o risco de desabamento do Morro do Bumba, publicados em 2006 pela Universidade Federal Fluminense.

A negligência fez a tragédia anunciada se cumprir em 2010, matando mais de 50 pessoas e deixando muitos desabrigados, sem casa definitiva até hoje e alguns já voltando ao local da tragédia, por não terem onde ficar.

Por sinal, "bumba" é uma gíria paulista para ônibus, e, para completar a derrubada do Morro do Bumba em 2010, derruba-se o "bumba" niteroiense dentro de uma semi-estatização que nem de longe trará de volta os bons tempos da SERVE, mas, quando muito, os piores momentos da CTC de seus últimos anos.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

DESMOBILIDADE URBANA - A TRADIÇÃO CONTRADITÓRIA DO POVO BRASILEIRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A redução do IPI para os automóveis, o que pode causar uma redução de 10% do preço de um carro, vai aquecer o consumo, já estimulado pelas criativas propagandas de automóveis que passam a toda hora na televisão. Só que é aí que está o problema, porque isso já causa há muito tempo os conhecidos congestionamentos no trânsito das grandes cidades, coisa que nenhum BRT conseguirá resolver, por si só. E ainda se fala em reduzir a circulação de ônibus nas ruas. Que mobilidade urbana é essa?

Desmobilidade Urbana - a tradição contraditória do povo brasileiro

Por Marcelo Pereira - Blogue Ultrabus

A população brasileira é tradicionalmente contraditória. Nega certas coisas em uma situação, afirmando em outras. Como aquelas pessoas que querem combater a pedofilia vestindo suas crianças como se fossem miniaturas de adulto. Como as religiões que ainda não encontraram uma maneira lógica de explicar os absurdos de seus dogmas, classificando suas contradições como "mistérios da fé". A contradição fascina o brasileiro, que em consequência reforça anda mais a sua imagem de povo idiotizado. E a contradição está em quase tudo na sociedade brasileira.

A mobilidade urbana também foi incluída nesta salada de contradições. O mesmo governo que torra dinheiro e o cérebro para tentar encontrar uma saída para os problemas de mobilidade que só aumentam em nosso país, resolveu baixar os impostos para facilitar a compra de automóveis e acelerar a economia.

Tudo bem que as indústrias automobilistas aceleram a economia. Mas pelo que sei, a indústria de automóveis não é o único tipo de indústria que existe em nosso país. Será que não haveria outra forma de acelerar a economia sem estimular venda de carros? Será que os metalúrgicos das indústrias automobilísticas só sabem fazer carro, não sabendo trabalhar em outro setor?

O BRT da Alegria

Enquanto isso quase todos enfiaram nas cabeças semi inertes que a solução definitiva para a mobilidade urbana é a construção de vias exclusivas para ônibus articulados, lindos feito Cavalos de Tróia, se esquecendo que mobilidade urbana mesmo é eliminar o excesso de automóveis.

Ah, mas os articulados poderão (poderão, vale frisar - o que não significa certeza) estimular a população a largar os carros, é o que dizem. Duvido muito, ainda mais numa sociedade onde é arraigada a ideia do automóvel como status e conforto, algo que é garantido pela lei do direito de ir e vir. As autoridades, por causa desta lei, não podem impor aos cidadãos de que forma eles devem se deslocar de um lugar ao outro. E carro, para muitos é a melhor opção.

Sinceramente, se ficarmos achando que para melhorar a mobilidade é suficiente o projeto dos BRTs, com certeza iremos ao fracasso e vai ser revelado que o verdadeiro motivo dessa pataquada toda é ganhar muito dinheiro com as obras e maquiar o transporte público para as autoridades esportivas e turistas que irão enganar os olhos com esses eventos que só servem para aumentar ainda mais a alienação futebolística de um povo que não está nem a fim de raciocinar. O verdadeiro BRT da Alegria a enriquecer autoridades e a fazer as ilusões de quem gosta de ser enganado com falsas promessas e 11 palhaços num picadeiro verdinho.

Eu não acredito mais em nada, nem em ninguém. E prefiro continuar não acreditando.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

SITE AGENDA CARONA PARA FUNCIONÁRIOS DE EMPRESAS CADASTRADAS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Uma boa forma de equilibrar o desejo de ir e vir de automóvel com os limites do tráfego de veículos é a combinação de colegas de trabalho de irem e virem juntos num mesmo automóvel. Isso reduz a circulação de veículos e contribui para evitar o agravamento da poluição e os engarrafamentos que causam atrasos a muitos.

Site agenda carona para funcionários de empresas cadastradas

Por Renato Biazzi - Do Bom Dia Brasil

Pelo menos 7 milhões de brasileiros levam mais de uma hora para chegar no trabalho, todos os dias. Em São Paulo, a situação é ainda pior e vem de lá uma solução que ganhou reconhecimento internacional. É uma ideia que pode ajudar a tirar milhares de carros das ruas.

Um engenheiro de São Paulo criou uma página na internet, onde é possível combinar carona, com colegas de trabalho, por exemplo. E já tem bastante gente usando esse tipo de serviço, que, além de diminuir o congestionamento e a poluição, vai até aliviar o estresse de muita gente. A iniciativa chamou a atenção de especialistas e autoridades internacionais.

Márcia e Cássia chegam e saem juntas da agência de publicidade onde trabalham, em São Paulo. Com as caronas que Márcia dá à colega e vizinha, ficou mais fácil aguentar as manhãs e noites no trânsito. “A gente vai batendo papo, o trânsito é pesado, e acaba que a gente nem percebe. Vai conversando, dando risada”, conta a supervisora de faturamento Márcia Santos.

As duas estão cadastradas em um serviço virtual que estimula e agenda as caronas. Na página na internet, já conseguiram mais uma colega para rachar despesas e dividir histórias no percurso. “Tira um pouco de carro da rua, tira a gente do trânsito. Às vezes, você dá carona. Às vezes, você recebe. Então, você pode ir descansando no dia que você recebe a carona”, revela Márcia.

A ideia de criar o site foi do engenheiro Márcio Nigro. “Eu me sentia pessoa mais improdutiva do mundo. Era uma hora, uma hora e meia no trânsito todos os dias”, justifica.

O serviço reúne motoristas e passageiros de acordo com o bairro em que eles moram e o trajeto que fazem até o trabalho. Assim que colegas descobrem que são vizinhos, é só fazer contato pelo site e combinar a carona. Tudo é feito de uma forma segura para quem dá e recebe a carona, já que só podem participar da comunidade internautas de empresas cadastradas.

“A empresa promove uma ação sem custo nenhum interno, porque não tem custo nenhum pra ela, o funcionário entra em uma ação de carona, também sem custo nenhum, e ele pode dessa forma conhecer pessoas não só da empresa dele, mas de uma empresa vizinha que foi validada pelo mesmo processo que ele foi”, explica o idealizador do serviço.

Há menos de um ano no ar, o site pretende, até o fim de 2012, tirar 250 mil carros das ruas de São Paulo - o equivalente a 5% da frota paulistana de veículos de passeio. Antes mesmo de atingir a meta, esse serviço que estimula a prática da carona já é reconhecido por especialistas e autoridades internacionais, como uma solução inovadora para o trânsito nas metrópoles.

O prêmio de mobilidade urbana será entregue durante a Rio + 20, conferência sobre sustentabilidade que será realizada no Rio de Janeiro mês que vem.

O portal está no ar na internet há mais de um ano e já tem 950 empresas cadastradas, de vários estados, que reúnem cerca de 250 mil funcionários. Só em São Paulo, são 800 empresas. Ou seja, já tem bastante gente circulando de carona por aí.

terça-feira, 1 de maio de 2012

MIRAMAR JÁ RENOVA FROTA MAIS RÁPIDO QUE PENDOTIBA


Em Niterói, a Expresso Miramar já tem um ritmo de renovação de frota mais rápido que a Viação Pendotiba.

A Miramar, que liga os bairros de São Francisco ao centro niteroiense passando por bairros como Icaraí (praia), Ingá e São Domingos, vendeu os primeiros carros do modelo CAIO Apache VIP II, ainda sem acesso para deficientes, para a empresa Rogil de Campos dos Goytacazes. Os carros foram fabricados em 2008.

A Pendotiba, por sua vez, havia retardado o ritmo de renovação de frota e só acelerou de novo nos últimos três anos, com a "família" CAIO Apache VIP II, com acesso para deficientes. A empresa já vendeu os primeiros carros originalmente pintados com as atuais cores da empresa, da CAIO Apache VIP I, substituídos pelo primeiro lote de Apache VIP II intermunicipais transferidos e renumerados para a frota municipal. A Pendotiba, com esse lote, atingiu a marca de cinco anos na idade de fabricação dos carros, contra quatro da Miramar.

A Miramar tinha, nos anos 80, um ritmo de renovação de frota na idade de sete anos. Já a Pendotiba, na mesma época, alcançou cinco anos em 1987 e, em 1989 e 1990, já chegou a vender carros com três anos de fabricação.
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