sábado, 28 de janeiro de 2012

VIRTUDES DE NOVA FROTA NÃO EVITAM DESGASTE DO SISTEMA DE CURITIBA


REDUÇÃO DE 100 TONELADAS DE POLUENTES É MÉRITO DO FABRICANTE, E NÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS DA CAPITAL PARANAENSE

O sistema de ônibus de Curitiba, dentro daquele modelo tecnocrático lançado em 1974, está em franco processo de desgaste. Evidentemente, as pessoas parecem não se dar conta disso, sobretudo as elites que não andam de ônibus na capital do Paraná.

Depois que se preveu um colapso no setor, a renovação de frota, tendenciosa, feita em duas etapas, não evita que a saturação do modelo tecnocrático de Jaime Lerner, que se baseia em padronização visual e no poder concentrado do Estado, aconteça e se agrave.

Mas como existem elites envolvidas, os tecnocratas paranaenses tentam dar a impressão contrária, mas é bom notar que não existem políticos progressistas na política paranaense, polarizada entre dois grupos conservadores, o de Roberto Requião (PMDB) e Beto Richa (PSDB).

Por isso, a "festa" da renovação da frota, que de fato trouxe ônibus melhores, no entanto foi uma medida mais para "salvar" um modelo desgastado do que para trazer melhorias ou aperfeiçoar um sistema que já deu o que tinha que dar.

Um reflexo disso foi o vandalismo feito por torcedores de futebol em vários ônibus novos na cidade. Embora seja um ato irracional e condenável, ele é reflexo da indignação popular contra o caráter anti-democrático do sistema.

A redução de poluição, anunciada recentemente, de 100 toneladas de poluentes nas ruas da Região Metropolitana de Curitiba, não pode ser entendida como um mérito do sistema, mas dos fabricantes de ônibus e seus engenheiros, que produziram ônibus para esse fim.

Quanto à padronização visual, já existem alternativas que viabilizem tanto a divulgação da identidade visual da empresa quanto do serviço que ela presta (tipo Interbairros, Biarticulado etc). As bandeiras digitais já possibilitam informar aos passageiros o serviço que corresponde tal linha, podendo cada empresa exibir sua respectiva identidade visual sem problemas.

Neste sentido, Florianópolis dá uma boa lição na capital paranaense. Mas o projeto tecnocrático de transporte urbano de Jaime Lerner precisa ser "mantido" pelo menos até a Copa de 2014. Desgastar esse modelo seria uma forma de comprometer o poderio "secular" de uma geração de tecnocratas pseudo-progressistas, mas claramente contrários ao interesse público.

Jaime Lerner precisa chegar "inteiro" para ser exibido para os "cartolas" da Fifa, para daqui a dois anos. Enquanto isso, o povo curitibano já sente o desgaste do transporte coletivo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MUDANÇAS NO TRÂNSITO DE NITERÓI PODEM DEIXAR MORADORES DA RUA FAGUNDES VARELA A PÉ



Um grande incômodo já é notado antes da implantação das mudanças no trânsito de Niterói, conforme anúncio recente da prefeitura da cidade.

Tomando como modelo o padrão urbanístico do tecnocrata Jaime Lerner, sem avaliar os limites da cidade para certos procedimentos, a prefeitura, na gestão do atrapalhado Jorge Roberto Silveira, decidiu transformar a Av. Roberto Silveira - ironicamente, nome do pai do prefeito - numa avenida de uma mão.

Com a medida, o trânsito de veículos que iam pela avenida, no sentido Icaraí-São Francisco, foi deslocado para a Rua Gavião Peixoto, que perde seus pontos de estacionamento nas calçadas. Linhas de ônibus como 62 Fonseca / Charitas e 48 Rio do Ouro / Centro passam a ir, no sentido São Francisco, para a Rua Gavião Peixoto. O mesmo para linhas como 36 Sapê / Centro e 44 Ititioca / Centro em direção à Rua Mariz e Barros.

Para não sobrecarregar, a Rua Mem de Sá passa a ser toda no sentido da Rua Miguel de Frias para o Campo de São Bento (altura da Rua Lopes Trovão). Nela passarão as linhas que antes pegavam a Rua Gavião Peixoto em direção à Rua Presidente Backer, como 35 Baldeador / Centro, 39 Piratininga / Centro e 45 Cubango / Centro.

É aí que existe o problema. Não havendo uma solução para a linha 57 Santa Rosa / Centro (via Rua Fagundes Varela), que pegava o trecho a Rua Mem de Sá entre a Rua Pereira da Silva e Rua Miguel de Frias (sentido inverso ao do restante), a linha pode ser sumariamente extinta, tirando uma opção rápida dos moradores de Santa Rosa para o Centro e deixando os moradores do entorno da Rua Fagundes Varela, que inclui o Morro do Estado, a pé.

Na manhã de hoje, a Viação Fortaleza, que operava a 57, praticamente só era vista circulando na linha 53 Santa Rosa / Centro (Via Praia João Caetano), na qual estreava seu lote de seis carros novos. Os carros da 57 eram cada vez mais raros. A empresa também tirou de circulação micro-ônibus com ar condicionado que antes faziam parte da frota.

Por essas e outras, a população de Niterói ainda tem dúvidas se a cidade tem realmente um dos maiores índices de desenvolvimento humano no Brasil. E um prefeito que não deu ouvidos aos técnicos da UFF no caso do Morro do Bumba anda exagerando na consultoria do tecnocrático Lerner, uma figura bem mais conservadora e antipopular que muitos podem imaginar. Até porque Jaime Lerner é um filhote da ditadura militar.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

MOBILIDADE URBANA NÃO PRECISA DE PADRONIZAÇÃO VISUAL




Em que pese o caráter duvidoso da expressão "mobilidade urbana", como em todo modismo que sugere uma preguiçosa e aparente unanimidade e euforia, consideremos a validade desse termo como meio de repensar o transporte coletivo de forma moderna.

A cidade de Florianópolis aboliu a padronização visual nos ônibus - exemplo que poderia ser seguido pela sua vizinha São José - e mesmo assim não deixa de se preparar para a mobilidade urbana, de forma até mais organizada que o Rio de Janeiro, que já mostra um desgaste avançado de seu modelo de transporte, fato por enquanto ignorado pelos arrogantes tecnocratas, políticos e pela minoria de busólogos associados.

Dois exemplos estão claramente exibidos nas fotos. As empresas Biguaçu e Insular, tradicionais no sistema de ônibus florianopolitano, mostram seus novos ônibus sem a farda que habitualmente se associa a carros assim.

As duas pinturas são bem diferentes e não correspondem a variações de serviço, e sim nas respectivas identidades visuais de cada empresa. E isso não impediu que sejam comprados ônibus articulados da Mascarello e o famoso Neobus Mega BRT. A medida é bem vinda, embora sabemos que nem toda cidade tem sua estrutura urbana habilitada para BRTs.

Isso é para esfregar nas caras das autoridades e nos tecnocratas que padronização visual não é critério algum para melhorar a mobilidade urbana. E que a identidade visual de cada empresa é a busologia do futuro. Florianópolis aboliu primeiro a padronização visual nos ônibus. As outras cidades terão que correr atrás.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

BLOGUE USA FUTEBOL PARA EXPLICAR EQUÍVOCO DA PADRONIZAÇÃO VISUAL


IMAGINE SE OS UNIFORMES DO FLAMENGO, FLUMINENSE, BOTAFOGO E VASCO FOSSEM EXATAMENTE IGUAIS?

O blogue Expobesta, numa grande sacada, realizou um tópico satírico bastante didático, juntando o fato de que a padronização visual dos ônibus nas capitais brasileiras, inclusive o Rio de Janeiro, é um dos carros-chefes da mobilidade urbana feita - propositadamente - para fins turísticos durante os eventos esportivos de 2014 e 2016.

E, como 2014 é o ano do maior desses eventos, a Copa do Mundo Fifa Brasil 2014, nada como usar o futebol para entendermos as desvantagens da padronização visual dos ônibus cariocas. Transferindo a medida para os uniformes dos times esportivos, o texto, através do tom satírico, cita as argumentações "técnicas" que viabilizaram a hipotética medida.

Entre as "justificativas" apresentadas para a medida, estavam alegações como "disciplina" e "fim da corrupção", além de garantir que a confusão dos torcedores será "superada" com a divulgação das novas regras na imprensa.

Além disso, há o novo sistema de numeração das camisas dos jogadores, com o número respectivo acompanhado do código de registro do time em questão, que pode variar da sigla CRF (Clube de Regatas Flamengo) às primeiras letras das palavras de outros times, como BOT (Botafogo).

O texto não cita como será o padrão de uniforme dos goleiros, o que sugere também a omissão que as autoridades cariocas fazem se o serviço executivo será ou não com visual padronizado.

A paródia serve para esclarecer certas pessoas, deslumbradas com decisões tecnocráticas, sobre as confusões que as classes populares e os trabalhadores ocupados em mil afazeres frequentemente sofrem na hora de pegar ônibus, através da confusão que, durante um Fla X Flu, por exemplo, sofreria um torcedor vendo os dois times usando exatamente o mesmo uniforme.

Outro ponto da paródia é a insensibilidade que os tecnocratas diante desse risco de confusão, e o caráter patético de suas "soluções técnicas", como o simples destaque do número da camisa do jogador e do código de inscrição do respectivo time, que não são vistos de longe numa transmissão de TV.

O texto ainda parodia a questão do bilhete único e outros paliativos, através do "ingresso único", que o torcedor poderá comprar para assistir aos jogos do Campeonato Brasileiro durante todo um mês.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

AUMENTA TARIFA DE ÔNIBUS CARIOCAS, INCLUINDO BILHETE ÚNICO



Os passageiros de ônibus têm mais uma dor de cabeça para aguentar. Afinal, aumentaram as tarifas de ônibus na cidade do Rio de Janeiro.

A tarifa convencional teve um aumento de 10%, indo de R$ 2,50 para R$ 2,75. O bilhete único seguiu o mesmo índice, com os mesmos valores.

O pedágio da Linha Amarela também sofreu reajuste, com aumento de R$ 4,30 para R$ 4,70 para carros, caminhonetes e furgões simples e de R$ 6,40 para R$ 7,00 para ônibus, caminhões, tratores e furgões de dois eixos.

Muitos ficam indagando se esses aumentos todos são para pagar tinta ou para comprar mais apoios de busólogos. Afinal, daquele grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, que deixam pessoas morrerem em hospitais, explosões de restaurantes e acidentes de bondes, se espera qualquer coisa.

Recentemente, Sérgio Cabral Filho saiu em defesa dos políticos do PSDB no escândalo político da privataria dos anos 90.

Enquanto isso, o fracasso do "novo modelo" de transporte coletivo se nota claramente com a piora na manutenção dos ônibus, constantemente enguiçados, acidentados e até incendiados, com lataria amassada ou com letreiro digital parcialmente apagado, e na cautela extrema dos passageiros para não pegarem os ônibus errados. Até porque o Ideal, hoje em dia, é a Paranapuan, mas também pode ser Verdun, Acari, Real, Braso Lisboa, Pégaso etc etc.
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