domingo, 27 de novembro de 2011

TRANSMIL: ESTRESSE DE FUNCIONÁRIOS APONTA AGRAVAMENTO DA CRISE


RENOVAÇÃO?! - Anunciada como compra de reforço para ampliar a frota Transmil, carros velhos da Neobus Mega 2006, só serviram para substituir Senior Midi que eram os únicos em estado razoável. Quanto aos carros novos, nada.

O mau humor dos funcionários da Turismo Trans1000, numa praça de Mesquita que serve de ponto para suas linhas, diz muito mais do que qualquer declaração oficial sobre a situação da empresa, que vive o momento mais crítico de sua crise.

Os funcionários eram conhecidos por sua simpatia e cordialidade, e até tentam ser, mas o estresse de trabalhar numa empresa altamente deficitária, sem uma digna remuneração, faz com que sua irritabilidade tenha sentido.

Afinal, eles têm que explicar, todo mês, para seus familiares o por que dos salários atrasarem, e isso reflete em contas que têm que ser pagas com empréstimos, já que a remuneração só chega em parte nas suas mãos. Isso quando chega, porque a presença da Transmil em vários processos trabalhistas mostra o quanto ela deve a seus trabalhadores, daí a irritação dos funcionários.

SITUAÇÃO É PARA PERDA DE CONCESSÃO

Um advogado havia estabelecido até este mês o prazo para a Transmil comprar carros novos ou pelo menos semi-novos em razoável estado, caso contrário perderia concessão de suas linhas.

No entanto, a empresa só comprou 20 carros curtos e velhos, com idade útil de cinco anos, e que em parte já vão para linhas longas e, em tese, de grande demanda. Em tese, porque os passageiros cada vez mais fogem da Transmil, aproveitando o bilhete único para fazer baldeação em ônibus de outras empresas.

Os ônibus, anunciados como "reforço de ampliação de frota", na verdade substituíram os únicos carros que tinham algum estado de conservação na empresa, os micrões da Marcopolo Senior Midi, alguns deles já vendidos para a Transportes Blanco que deu uma recauchutada boa neles (o Lata Velha do Luciano Huck perde).

Além disso, é cada vez pior a frota de ônibus de Mesquita, cujas três linhas (478, 005 e 479B) se reduzem hoje a duas (478 e 005) muito mal servidas. Em uma hora de viagem entre a Praça Mauá e o Trevo das Margaridas, em Irajá, que incluem as avenidas Rodrigues Alves, Rio de Janeiro e Brasil, não se vê mais do que oito carros da Transmil indo e vindo de Mesquita, nos dois sentidos. Isso levando em conta as duas linhas envolvidas.

DESTAQUE NEGATIVO

Mas mesmo as linhas mais "bem servidas" da Transmil, a 003 Nilópolis / Passeio e a 479 Nova Iguaçu / Parada de Lucas, a empresa mostra-se extremamente decadente.

Há ônibus com ar condicionado desligado ou, quando funciona, está fraco ou enferrujado. Os ônibus, lotados nos horários de pico, não aguentam tanta gente. E constantemente enguiçam no meio do caminho, fazendo os passageiros perderem tempo e paciência.

Nota-se, quando se está no centro do Rio, que, se a Turismo Transmil quer ter algum destaque, ele é bastante negativo. Nota-se a diferença, para menos, quando se vê os ônibus da empresa sujos, velhos, com lataria amassada, diante de outros ônibus.

"FÃ-CLUBE" ESTRANHO

Mas o que estranha mesmo, junto à persistência da atividade de uma empresa ruim, é a minoria barulhenta de seus defensores, que, embora não admitam, parecem tratar a busologia como se fosse um cinema trash: quando pior, melhor.

São pessoas que acham que a Transmil, pasmem, é "uma das melhores empresas da Baixada". Uns acreditam que a empresa irá reviver os áureos tempos. Outros, mais politicamente corretos, "admitem" que a Transmil não vive dias melhores, mas "se esforça para se recuperar".

Em todos os casos, porém, são pessoas indiferentes aos dramas de passageiros e rodoviários, embora digam que "também pensam no sofrimento deles". Isso porque, para essa minoria de busólogos, tanto faz a Transmil se arrastar em promessas vãs, em medidas paliativas, quando não chega sequer à sombra do que a empresa foi no passado.

A decadência da Transmil é irreversível. Mas nenhuma medida é feita para tirar a empresa de circulação. Por que será? Politicagem? Algum "peixe grande" por trás dos "modestos" proprietários da Transmil? Só uma reportagem investigativa para verificar o por que de uma empresa tão ruim continuar circulando e mantendo os mesmíssimos problemas.

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