segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"CURITIBANIZAÇÃO" DOS ÔNIBUS AFETA SAÚDE DOS MOTORISTAS



O modelo tecnocrático de transporte coletivo, que também é conhecido como "curitibanização" por sua origem ter sido na capital paranaense, mostra o quanto é decadente até mesmo nas relações de trabalho.

Pois vários casos de "mal súbito" atingem os motoristas, devido às pressões violentas que esse sistema, expresso pelo poder concentrado das Secretarias de Transporte (municipais ou metropolitanas) sobre o sistema de ônibus, e que provocam acidentes ou transtornos que geram tragédias.

Ou seja, esse "maravilhoso" sistema de transporte mata passageiros e motoristas, e vamos ver quantos serão os mortos e os ônibus danificados a ocorrerem no Rio de Janeiro.

Pois em São Paulo, do qual a prefeitura do Rio se inspira para implantar seu "novo" sistema, um motorista de quase 60 anos teve um mal súbito e provocou um acidente em Sapopemba, bairro da Zona Leste da capital paulista. Com o problema de saúde, o motorista provocou um acidente que irritou os passageiros.

Estes, indo para um "baile funk", ficaram revoltados e lincharam o motorista até a morte, e depois depredaram o veículo e praticaram alguns assaltos. Isso tudo na noite do último sábado, 26 de novembro.

Esses transtornos mostram para certos busólogos-pelegos que não vivemos mais nos tempos do AI-5, não cabendo mais esse "golpe de 1964" busólogo que sacrifica tanta gente.

domingo, 27 de novembro de 2011

TRANSMIL: ESTRESSE DE FUNCIONÁRIOS APONTA AGRAVAMENTO DA CRISE


RENOVAÇÃO?! - Anunciada como compra de reforço para ampliar a frota Transmil, carros velhos da Neobus Mega 2006, só serviram para substituir Senior Midi que eram os únicos em estado razoável. Quanto aos carros novos, nada.

O mau humor dos funcionários da Turismo Trans1000, numa praça de Mesquita que serve de ponto para suas linhas, diz muito mais do que qualquer declaração oficial sobre a situação da empresa, que vive o momento mais crítico de sua crise.

Os funcionários eram conhecidos por sua simpatia e cordialidade, e até tentam ser, mas o estresse de trabalhar numa empresa altamente deficitária, sem uma digna remuneração, faz com que sua irritabilidade tenha sentido.

Afinal, eles têm que explicar, todo mês, para seus familiares o por que dos salários atrasarem, e isso reflete em contas que têm que ser pagas com empréstimos, já que a remuneração só chega em parte nas suas mãos. Isso quando chega, porque a presença da Transmil em vários processos trabalhistas mostra o quanto ela deve a seus trabalhadores, daí a irritação dos funcionários.

SITUAÇÃO É PARA PERDA DE CONCESSÃO

Um advogado havia estabelecido até este mês o prazo para a Transmil comprar carros novos ou pelo menos semi-novos em razoável estado, caso contrário perderia concessão de suas linhas.

No entanto, a empresa só comprou 20 carros curtos e velhos, com idade útil de cinco anos, e que em parte já vão para linhas longas e, em tese, de grande demanda. Em tese, porque os passageiros cada vez mais fogem da Transmil, aproveitando o bilhete único para fazer baldeação em ônibus de outras empresas.

Os ônibus, anunciados como "reforço de ampliação de frota", na verdade substituíram os únicos carros que tinham algum estado de conservação na empresa, os micrões da Marcopolo Senior Midi, alguns deles já vendidos para a Transportes Blanco que deu uma recauchutada boa neles (o Lata Velha do Luciano Huck perde).

Além disso, é cada vez pior a frota de ônibus de Mesquita, cujas três linhas (478, 005 e 479B) se reduzem hoje a duas (478 e 005) muito mal servidas. Em uma hora de viagem entre a Praça Mauá e o Trevo das Margaridas, em Irajá, que incluem as avenidas Rodrigues Alves, Rio de Janeiro e Brasil, não se vê mais do que oito carros da Transmil indo e vindo de Mesquita, nos dois sentidos. Isso levando em conta as duas linhas envolvidas.

DESTAQUE NEGATIVO

Mas mesmo as linhas mais "bem servidas" da Transmil, a 003 Nilópolis / Passeio e a 479 Nova Iguaçu / Parada de Lucas, a empresa mostra-se extremamente decadente.

Há ônibus com ar condicionado desligado ou, quando funciona, está fraco ou enferrujado. Os ônibus, lotados nos horários de pico, não aguentam tanta gente. E constantemente enguiçam no meio do caminho, fazendo os passageiros perderem tempo e paciência.

Nota-se, quando se está no centro do Rio, que, se a Turismo Transmil quer ter algum destaque, ele é bastante negativo. Nota-se a diferença, para menos, quando se vê os ônibus da empresa sujos, velhos, com lataria amassada, diante de outros ônibus.

"FÃ-CLUBE" ESTRANHO

Mas o que estranha mesmo, junto à persistência da atividade de uma empresa ruim, é a minoria barulhenta de seus defensores, que, embora não admitam, parecem tratar a busologia como se fosse um cinema trash: quando pior, melhor.

São pessoas que acham que a Transmil, pasmem, é "uma das melhores empresas da Baixada". Uns acreditam que a empresa irá reviver os áureos tempos. Outros, mais politicamente corretos, "admitem" que a Transmil não vive dias melhores, mas "se esforça para se recuperar".

Em todos os casos, porém, são pessoas indiferentes aos dramas de passageiros e rodoviários, embora digam que "também pensam no sofrimento deles". Isso porque, para essa minoria de busólogos, tanto faz a Transmil se arrastar em promessas vãs, em medidas paliativas, quando não chega sequer à sombra do que a empresa foi no passado.

A decadência da Transmil é irreversível. Mas nenhuma medida é feita para tirar a empresa de circulação. Por que será? Politicagem? Algum "peixe grande" por trás dos "modestos" proprietários da Transmil? Só uma reportagem investigativa para verificar o por que de uma empresa tão ruim continuar circulando e mantendo os mesmíssimos problemas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

RJ: PERIMETRAL SERÁ DESTRUÍDA ATÉ 2015


PRAÇA MAUÁ, HÁ 50 ANOS ATRÁS - Lugar voltará a ficar a céu aberto.

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que o Viaduto da Perimetral, via expressa que liga a Av. Brasil ao Aeroporto Santos Dumont, será demolido até 2015.

As obras estão previstas para começarem em 2013, porque, segundo os técnicos, será preciso construir primeiro os acessos no entorno do Santo Cristo, incluindo um túnel conhecido como Binário.

A Av. Rodrigues Alves sofrerá obras, na primeira etapa, no trecho entre a Rodoviária Novo Rio e o Mosteiro de São Bento. Está prevista uma outra avenida paralela para desafogar o tráfego. Será nesse local a primeira fase de demolição do viaduto, que depois envolverá o trecho próximo ao Hospital Central da Marinha até a Av. Pres. Vargas.

A princípio, será mantido o trecho mais recente do viaduto, entre a Av. Pres. Vargas e a Av. Gen. Justo, junto ao Aeroporto Santos Dumont. O trecho foi o último da Perimetral a ser inaugurado, em 1962. Suas obras em 1961 fizeram com que linhas que passam na Av. Alfred Agache - como a 25 Jacaré / Ipanema, hoje 474 Jacaré / Jardim de Alah - fossem deslocadas para ruas no Castelo.

No entanto, até esse trecho será demolido. Mas será na última etapa, em 2015, quando a paisagem carioca ficará livre do polêmico viaduto que, segundo muitos especialistas e até intelectuais da cultura carioca, tirou a beleza da Zona Portuária do Rio de Janeiro, e transformou seus entornos em ambientes sombrios propícios para a marginalidade.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PADRONIZAÇÃO VISUAL ESTIMULA POLUIÇÃO VISUAL



Contrariando os mitos que os defensores da padronização visual dos ônibus tanto dizem, a padronização visual dos ônibus brasileiros praticamente estimula a poluição visual dos ônibus, desnorteando os passageiros mais comuns.

É bom deixar claro que nem todo mundo tem essa facilidade quase automática de busólogos-pelegos em reconhecer os ônibus até na cabra-cega ou no amontoado de empresas diferentes com a mesma pintura.

Temos gestantes, idosos, deficientes físicos, que não podem ter a atenção para diferir, nas ruas do Rio de Janeiro, o que é uma Acari ou uma Matias, uma Bangu ou uma Pégaso, uma Braso Lisboa ou uma Real, uma Caprichosa ou uma Futuro. Da mesma forma que existem semi-analfabetos que reconhecem a empresa pela cor e se confundem facilmente.

Mas mesmo pessoas com muitas tarefas para fazer, de office-boys cheios de documentos e carnês para pagar até professores com aulas complexas para preparar para os alunos, que podem reconhecer facilmente um ônibus, não deixam de estarem sujeitos à confusão.

Só que não se trata de apenas confundir o visual padronizado. A questão piora cada vez mais quando se vê que as informações de consórcio, do complexo e confuso número do carro - em que um B75560 pode ser confundido por um D87560, ou um D53565 por um D58565 - e do nome da empresa em letras miúdas.

Em São Paulo, no entanto, a poluição envolve o logotipo do consórcio, o nome miúdo da empresa e outras informações que são amontoadas no ônibus, de forma a não serem reconhecidos de longe pelo passageiro.

A única coisa que se reconhece, dessa "salada" de palavras e números, é o logotipo da prefeitura da capital paulista, que é o propósito maior dessa padronização visual: criar uma imagem que não é a da empresa que serve a linha, mas a do poder político que intervém, de forma autoritária e tecnocrática, no transporte coletivo, sem benefícios reais para os passageiros.

domingo, 6 de novembro de 2011

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS DO RJ NÃO CHEGARÁ A 20 ANOS


VERDUN E MATIAS IGUAIZINHOS - Visual padronizado não traz vantagens reais para os passageiros.

O texto em questão pode parecer um absurdo hoje, mas pensando a longo prazo, verá que faz um bom sentido.

Pois o que se anuncia é que é muito pouco provável que a padronização visual adotada nos ônibus do Rio de Janeiro irá durar os vinte anos previstos para os consórcios. A medida pode até estar sendo tolerada pela maioria da população, mas apoio ela não recebe mesmo.

A medida, comprovadamente, está mostrando as desvantagens do visual igualzinho de várias empresas, que confunde os passageiros que não podem mais reconhecer os ônibus de longe. Além disso, também não há a menor graça "rachar" uma mesma empresa de ônibus em dois consórcios, o que aumenta ainda mais a confusão.

A medida só "prevalece" hoje porque, em nossa política, ainda vivemos a herança do regime militar e dos aliados civis que, tempos atrás, constituíram no grupo político que sustentou os governos Collor e FHC.

É bom deixar claro que o pai da "padronização visual" nos ônibus brasileiros, Jaime Lerner, é ideologicamente herdeiro do regime militar e se formou na UFPR do reitor e depois ministro de Castelo Branco, Suplicy de Lacerda, artífice de medidas que revoltaram o movimento estudantil.

A medida, arbitrária e feita à revelia da população, da padronização visual dos ônibus cariocas, só satisfaz uma minoria de busólogos que ficou com o privilégio exclusivo de reconhecer a "diferença" de uma Verdun e uma City Rio, de uma Braso Lisboa e uma Real, de uma Bangu e uma Campo Grande. A medida criou uma espécie de joguinho para esses arautos da vaidade pessoal sobre rodas.

Vale lembrar, todavia, que nem todos os busólogos que fotografam ônibus com visual padronizado estejam realmente a favor da medida. Há muitos contra que, mesmo assim, fotografam ônibus padronizados pela simples função de informar. Se nem o designer Armando Villela (Villela Design), em que pese ter bolado as padronizações visuais para Belo Horizonte, Vitória e Manaus, apoia a padronização visual, muitos busólogos também não apoiam.

Um desses busólogos, com muitos anos de experiência, como protesto decidiu trocar os dados de empresas de ônibus por causa do visual padronizado num sítio virtual de ônibus. Colocando o número correto do carro, o busólogo no entanto dá o crédito diferente de empresa, para protestar. Como, por exemplo, creditar um carro da Viação Andorinha com o nome da empresa mudado para Rio Rotas.

A arrogância de busólogos-pelegos, autoridades e tecnocratas do transporte, certamente, não irá acreditar neste texto, achando que o que vai acontecer é só a "mudança de design" na padronização visual. Mas, do jeito que a opinião pública hoje evolui, em que uma multiplicidade de questões diversas da sociedade são difundidas e discutidas amplamente, é bom se prepararem para quando a causa deles perder totalmente o sentido.

Ninguém imaginava, por exemplo, em 1994, que o grupo político de Fernando Henrique Cardoso perderia todas em 2010. Fale em 1997 que FH e seus aliados não iriam ficar no Planalto em 2010, e você logo receberia um comentário agressivo de um internauta irritado, que muito provavelmente perguntaria em que planeta você vive.

Fernando Henrique Cardoso deixou a Plataforma P-36 da Petrobras sofrer uma tragédia, chamou os aposentados de "vagabundos", e aparentemente "ganhou todas" em 2000. Certamente achando que sobreviveria vitorioso em 2014, ano dos 20 anos do Plano Real, em que tudo parecia indicar o triunfo "definitivo" do grupo demotucano.

A ditadura militar que tentou "padronizar" os corações e mentes dos brasileiros durou 21 anos achando que ultrapassaria a barreira do século. Fale para os generais, em 1969, que a ditadura militar encerraria em 1985 e você seria preso e torturado, para não dizer morto e jogado na vala como carne podre.

A Folha de São Paulo, ícone da imprensa reacionária, tentou "padronizar" a opinião pública com o Projeto Folha, em 1984, com Otávio Frias Filho acreditando ser ele mesmo um Moisés moderno, no sentido de definir os mandamentos da humanidade brasileira. A FSP parecia ter uma reputação inabalável, quase que um totem impresso. Mas hoje a reputação do jornal paulista se encontra seriamente abalada, até nos tribunais.

Mas fale para algum chefão da Folha, em 1994, que o jornal seria parodiado por uma dupla de humoristas, que o periódico seria visto como reacionário e o nome "Folha" faria um trocadilho maldoso com a palavra "falha" e a resposta mais provável será esta: "Não sei do que você está falando. A Folha é a imprensa na mais alta definição. Somos a vanguarda do futuro, não creio que cometamos grandes erros".

As coisas mudam, e o que se vê, nas ruas, é o fracasso de todo um modelo de transporte coletivo do qual a padronização visual é seu carro-chefe. Nas ruas cariocas, o que se vê são ônibus facilmente enguiçados, carros semi-novos mal-conservados, ônibus circulando com lataria amassada, males que se vê até mesmo em empresas antes respeitáveis como Real, Matias, Pégaso e Lourdes.

Não é invenção, não. Basta dar um passeio de ônibus nas principais avenidas e ver que isso nem de longe é papo furado. Já vi lataria amassada anteontem em carros como 53648 (Campo Grande), 58080 (Lourdes) e 27509 (Vila Isabel). Já vi carros da Matias, Lourdes e Real chacoalhando feito carro de entulho, carros que nem chegam a ter três anos de fabricação.

Os passageiros também quebram a cabeça agora para ver se não pegam ônibus errado. Seria no mínimo cinismo e cara-de-pau achar que isso vai durar 20 anos ou mais ou que vai resolver com paliativos sem necessidade. Não vai.

A padronização visual é uma medida que se desgasta. Ela é herança da ditadura militar, cujos herdeiros civis (a ditadura também teve apoio de parte da sociedade civil) até hoje estão no poder, que queria ver o Estado controlando politicamente o transporte coletivo.

Essa lógica do transporte coletivo, tecnocrática e autoritária, se vende como "nova" mas se trata de algo velho e antiquado, até porque seus responsáveis se encontram no auge do poder político e técnico.

Talvez a medida se segure até 2016, com muitos artifícios como abrigos futuristas e compras tendenciosas de carros novos, com direito a festinhas e alarde na imprensa. Mas é muito difícil que, com o amadurecimento da opinião pública, cada vez mais avançando no senso crítico, a gente veja ônibus cariocas com visual padronizado daqui a 20 anos. Até lá, todas as suas desvantagens serão reconhecidas e todos os paliativos testados em vão.

O futuro se mostrou, desde que a humanidade é humanidade, que não é o plágio do presente e que pode transformar em castelos de areia ideias dominantes que parecem sólidas.
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