quinta-feira, 22 de setembro de 2011

OS ÔNIBUS "MATA-CARIOCAS" DE SÃO PAULO



O modelo de transporte coletivo marcado pela concentração de poder das Secretarias de Transporte e caraterizados pela padronização visual dos ônibus e pela pouca autonomia das empresas - que até para comprar ônibus novos têm que aguardar autorização da respectiva secretaria - está em séria crise.

Afinal, não são compras de centenas de carros novos, que são feitas mais para fazer notícia em revistas e sítios específicos de transporte, que irão resolver o problema. Até porque a compra de carros novos, de piso baixo, em parte articulados e com motor sueco, são apenas uma propaganda tendenciosa e pouco tem a ver com generosidade.

É como se, num casamento por conveniência, a cada crise conjugal o marido comprasse sempre flores e bombons para a esposa, como se isso em si resolvesse as grandes desavenças pessoais entre os cônjuges.

São Paulo é um exemplo de como esse modelo "curitibano" de transporte coletivo, apesar de ser um modismo neuroticamente defendido por tecnocratas, autoridades e até busólogos chapa-brancas, está numa crise completamente irremediável.

Afinal, o mesmo Brasil que privatiza bancos estatais estaduais e deixa a saúde pública no caos, enquanto a saúde privada se isola no quase absoluto elitismo, insiste, mesmo com fracassos comprovados, em fazer com que secretários de transporte amarrassem as empresas numa camisa-de-força do visual padronizado e num modelo de transporte coletivo que, na prática, consiste em uma paraestatal para cada cidade ou região metropolitana sustentada pelas empresas particulares.

E não é de hoje que São Paulo vê seus ônibus se envolverem em acidentes, transtornos, problemas etc. Hoje houve mais um, no Viaduto Diário Popular, centro da capital paulista, que deixou seis feridos. E trata-se de um ônibus novo, CAIO Apache Vip II, de uma dessas empresas camufladas pela farda da SPTrans.

É esse o modelo de transporte coletivo que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, se inspirou para fazer o seu modelo arbitrário. Os ônibus de São Paulo são tão problemáticos que, pelos inúmeros acidentes causados, eles podem ser tranquilamente chamados de "mata-cariocas", num trocadilho aos deficitários bondes cariocas da Light que, por rodarem desgovernados e percorrerem trechos em contramão com outros veículos, eram conhecidos como "mata-paulistas".

Sob o pretexto de regular o transporte coletivo, submete-se as empresas de ônibus à mão-de-ferro do Estado. Na prática, o secretário de transporte em questão se transforma num dublê de empresário de ônibus, mas isso pouco contribuiu para a moralização e eficácia do sistema. Pelo contrário, tornou-se cada vez pior, porque, na prática, torna-se uma empresa paraestatal, que comanda consórcios específicos, e que por isso faz o sistema de ônibus tornar-se um "elefante branco".

Mais poder não significa mais eficácia nem melhor disciplina. Por outro lado, acoberta a corrupção que ocorrer no transporte coletivo. E, nas mãos de um único chefe - o secretário de transportes - , o sistema de ônibus torna-se mais complicado e difícil de resolver. Sem falar que a padronização visual confunde os passageiros, sobretudo gestantes, idosos, deficientes ou mesmo qualquer cidadão comum que tenha muita coisa para fazer na sua vida.

E ainda insistem em manter esse padrão de transporte coletivo até para depois dos eventos esportivos de 2014 e 2016...

2 comentários:

  1. Claramente, esse pessoal da Prefeitura imitou São Paulo e alguns defensores insistem dizer que não se pegou nada de São Paulo.

    Lá, é a VIAÇÃO CIDADE DE SÃO PAULO, a CMTC bancada pela iniciativa privada.

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  2. Enquanto estou desempregado, vejo o "RJTV - 1a edição" e tal e vi uma declaração um sub-secretário de Transportes comentando o lamaçal denunciado pelo "Fantástico" no Domingo em que denuncia a corrupção de milícias que controlam o transporte alternativo e policiais e esse cidadão da Prefeitura citou a organização da recente licitação dos ônibus.

    Organização? Fala, sério, tirou-se 50 anos de tradição em que cada empresa tinha cada pintura.

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