sábado, 13 de agosto de 2011

QUANDO A BUSOLOGIA APELA PARA O PENSAMENTO ÚNICO


SEM SABER, ALGUNS BUSÓLOGOS FLUMINENSES ANDAM SE COMPORTANDO COMO O POLÍTICO JOSÉ SERRA.

Um busólogo, numa comunidade do Orkut, disse que não quer mais ver montagens de ônibus cariocas despadronizados.

Embora pareça convicto do seu otimismo com o projeto atual da Prefeitura do Rio de Janeiro, seu comentário na verdade apenas dá o tom da partidarização da busologia fluminense e da insegurança dos defensores de Eduardo Paes e Alexandre Sansão de que seus pontos de vista não prevaleçam.

Muitas vezes é o medo de que seus pontos de vista, entusiasticamente defendidos nos escritórios das autoridades e dos tecnocratas do transporte, estejam em desacordo com o interesse do povo.

Além disso, o busólogo em questão disse que a despadronização "confunde" a historiografia das empresas (?!). Então tá. Melhor é que os passageiros se confundam na hora de pegar um ônibus.

Até meu pai ficou revoltado quando lhe disse que o ônibus da linha 378 Castelo / Marechal Hermes e 232 Lins / Praça 15, de empresas diferentes, no entanto têm agora a mesma pintura.

E vejo a cara de muxoxo de muitos trabalhadores, estudantes e até idosos, gestantes e deficientes, além de analfabetos, que agora precisam quebrar a cabeça na hora de pegar um ônibus.

É lamentável que uma parte de busólogos prefira estar do lado do grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, mesmo quando os dois políticos, no conjunto da obra, desalojaram moradores a esmo, reprimiram vendedores ambulantes e mandaram prender bombeiros em greve. Que interesses populares eles defendem?

Além do mais, numa época em que a corrupção política, no âmbito nacional, envolve partidos relacionados direta ou indiretamente com a padronização visual dos ônibus cariocas, e já surgem denúncias de corrupção até contra o "divinizado" Jaime Lerner, isso mostra o quanto o medo atinge certos busólogos.

Certamente não são todos os busólogos fluminenses que pensam assim. Há vários deles bem mais tolerantes e democráticos, não pedem para fulano retirar foto sua por causa de uma discordância banal.

Mas há busólogos chapa-branca que ficam com medo de, ao saírem dos escritórios das autoridades, verem que suas opiniões não coincidem com as da população. Daí o apelo deles para o pensamento único.

Para estes busólogos chapa-branca, só quem apóia a padronização visual dos ônibus cariocas têm que se manifestar. Quem discorda tem que ficar calado. É a lei da unanimidade forçada.

Se for por esse caminho de pedir para retirar fotos por uma discordância de nada, praticamente TODA a blogosfera existente na Internet, nos mais diversos assuntos, estaria mutilada ou desfeita. Muitos textos ficariam capengas pela falta de fotos que seus autores pediriam para remover.

E, sendo que minhas montagens despadronizadoras são um misto de arte moderna e design - com integral respeito às autorias originais, portanto nenhum problema com direitos autorais - , se fosse pelo raciocínio dos busólogos que pedem remoção de fotos, até mesmo a história da Pop Art, um importante movimento artístico do Século XX, seria apagada, pelo uso de imagens alheias. O hip hop, então, desapareceria da face da terra, por causa da sampleagem.

Portanto, os busólogos chapa-branca acabam se comportando como José Serra na última campanha eleitoral. Têm medo que sua causa privada seja provada como impopular. Acham que, só porque têm a seu lado o PMDB carioca, a FIFA e o COI, o povo também está com eles.

O tempo vai mostrar que a causa deles está errada. Mas eles têm o direito de pensar que a padronização visual é um barato. Eles que se limitem a admirar as fotos originais e entendam as montagens como design artístico. Eu não sou o único a fazer tais montagens. Há vários outros que fazem o mesmo.

Os busólogos chapa-branca podem pensar o que quiserem, mas deverão reconhecer que o povo e outros busólogos pensam muito diferente deles.

4 comentários:

  1. Na madrugada de ontem, o sr.Secretário de Transportes foi entrevistado no programa "Deles e Delas" na Band, mas, não pode levar esse programa a sério. Uma tremenda chapa branca. Infelizmente, a nossa imprensa é podre nesse assunto.

    Se tivesse um jornalismo geral que toca o dedo na ferida como os caras dos canais ESPN no esporte, seria uma outra história.

    Creio que somente as saudosas Rede Manchete e a antiga administração do JB (até 2001) teriam essa postura de tocar o dedo na ferida, mas, posso estar enganado.

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  2. Hoje mesmo, numa comunidade de empresa de ônibus do Orkut, um busólogo "profissional" distorceu da questão da numeração dizendo que a Pégaso tem 1 só prefixo. Então, por que Penha Rio, Bangu, Saens Peña e Vila Isabel não mudaram de prefixo? Ainda bem que não mudou pois, praticamente, abandonaria o hobby até porque isso não é uma profissão.

    É uma distorção sem tamanho desse pessoal e outra coisa: recentemente, houve questionamentos da fusão do Carrefour e do Pão-de-Açúcar e se temeu um supermonopólio. Aqui no Rio, não está acontecendo isso? Um festival de Rio Itas que esse busólogos "profissionais" apoiam. Queria saber da opinião desse pessoal dessa fusão entre Carrefour e o Pão-de-Açúcar. Se tiver 2 opiniões distintas, aí ligo o desconfiômetro.

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  3. Recentemente, no "Sportcenter" da ESPN Brasil, foi noticiado a crítica do Romário na Cãmara dos Deputados sobre da retirada à força dos moradores como mostrou o programa "Histórias do Esporte" na mesma ESPN Brasil para passar o futuro conto de fadas (curitibanização do transporte).

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  4. Quarta-Feira (24/08), deu um bafafá com a invasão de manifestantes no Ministério do Esporte onde a pauta é essa retirada à força de moradores que eu citei acima.

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