segunda-feira, 27 de junho de 2011

ADAMO BAZANI SOFRE CENSURA DE BUSÓLOGOS



A busologia brasileira indica viver uma má fase. Com o envolvimento das elites de busólogos com tecnocratas e políticos, e com algumas amostras de estrelismo que atingem o setor, alguns desses busólogos passam a adotar atitudes e posturas autoritárias, embora não assumam isso.

Afinal, este é o Brasil enrustido, onde pessoas de mentalidades retrógradas fazem o possível para forjar posturas "progressistas", caprichando no discurso e na pose. Mas, na hora do aperto, mostram o quanto são autoritários, conservadores e reacionários.

Desta vez a vítima é o jornalista Adamo Bazani, também pesquisador de transporte coletivo. Seu blog Ponto de Ônibus - http://blogpontodeonibus.wordpress.com - está proibido de publicar fotos históricas antigas, porque seus autores, ou os herdeiros dos mesmos, reclamam exclusividade nos acervos.

Mas também é conhecida a arrogância de busólogos mais recentes em pedir, até com certa falta de educação - que contradiz a visibilidade que eles têm e até mesmo a facilidade com que eles podem botar fotos nos maiores portais de ônibus do país - , que retirem as fotos deles de certos blogues ou fotologs por conta de uma ou outra discordância.

Há também um que, querendo puxar o saco de busólogos que nem são tão autoritários assim, pede que retirem fotos destes, porque "pegar foto sem autorização é crime hediondo (sic)", investindo num pedantismo legislativo em vez de observar mesmo o que a legislação define como crimes hediondos.

CREATIVE COMMONS - Imaginemos duas situações. Primeiro, se esses busólogos estivessem vivendo no período do AI-5, lá na virada de 1969 para 1970, por exemplo. Eles seriam os primeiros a se candidatarem ao cargo de censores da imprensa, estudando o máximo para os concursos que os colocariam para a função de vetar informações "perigosas" nos jornais, revistas e roteiros para rádio e TV.

Segundo. Se esses busólogos, hoje, soubessem o que é Creative Commons, saberiam o quanto estão agindo contra esse protocolo, fundado nos EUA, e que flexibiliza o uso de obras com direitos autorais, desde que com responsabilidade e sem leviandade.

O Creative Commons tornou-se um dos códigos da democracia na Internet, e a remoção de sua licença no portal do Ministério da Cultura, meses atrás, tornou-se um dos maiores problemas enfrentados pela ministra Ana de Hollanda, a ponto de haver uma campanha para tirá-la do cargo.

É certo que as obras devem ter seus créditos de autoria respeitados, e que em muitos casos seus autores recebem remuneração por elas. Mas, na medida em que o tempo passa, as obras passam a ser de domínio público, ainda que continuem com o crédito da autoria original.

Muitas vezes usa-se fotos sem pedir autorização aos autores, mas respeitando seus créditos e evitando qualquer uso leviano. Isso é um procedimento correto. E, quando o motivo é a informação, esse uso torna-se até um serviço de utilidade pública, ou seja, de grande benefício para a sociedade.

Ainda existem lacunas profundas, na busologia, quanto às fotos antigas. Vários acervos são publicados incompletos. No caso da Internet brasileira, onde predomina mais a atividade do "Ctrl+C"/"Ctrl+V" ("copiar e colar"), a pesquisa torna-se capenga, e temos que nos contentar com meros relatos, simples textos, num país onde o hábito de leitura também é precário.

Já temos que nos contentar, por exemplo, do nosso precário acervo da história da televisão brasileira, já que a maior parte do seu acervo foi destruída em incêndios e outra parte simplesmente desgravada.

É claro que isso influi na mentalidade tacanha de busólogos censores que acham grotescos como Wagner Montes e José Luiz Datena os "deuses" do telejornalismo brasileiro. Nunca ouviram falar de Jornal de Vanguarda da TV Excelsior, nem de nomes como Fernando Barbosa Lima, Gontijo Teodoro e Heron Domingues.

No blog de Adamo - também jornalista da CBN - , há mensagens de apoio a ele. Falam do egoísmo dos donos de acervos, que acham que vão ficar ricos com tais fotos e que vão morrer com elas.

Em resumo, a busologia já começa a sentir o peso da visibilidade crescente, que faz subir a cabeça de muitos deles - nem todos, pois há busólogos que são famosos mas são íntegros e democráticos - e isso compromete, e muito, não só a sobrevida de um hobby, mas também o cotidiano do povo brasileiro, que sofre com as arbitrariedades que as autoridades e os tecnocratas determinam para os sistemas de ônibus das cidades.

A padronização dos ônibus do Rio de Janeiro e a não-cassação da moribunda empresa de ônibus Turismo Trans1000 são algumas dessas arbitrariedades que fazem o povo sofrer sob a indiferença pilatiana dos busólogos-estrelas.

2 comentários:

  1. A História é uma patrimônio que pertence a todas gerações!
    Isso é ridículo querer autoria(DINHEIRO) de uma foto que poderia ser esquecida e deteriorada dentro de um baú!
    O conhecimento deve ser adquirido e repassado para todos, seja por direito ou por cidadania.

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  2. que pena este não são busologos são bosologos! eu não ligo que use minhas fotos mais matendo os créditos onibus botado na net para turma conhecer mesmo!

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