quinta-feira, 5 de maio de 2011

ACIDENTE PÕE MODELO TECNOCRÁTICO DE TRANSPORTE EM XEQUE



Depois que a Prefeitura do Rio de Janeiro lançou o modelo tecnocrático de transporte coletivo, ancorado pela padronização visual dos ônibus, as empresas tiveram considerável piora no serviço, conforme já alertou o blogueiro Leonardo Ivo, mais de uma vez.

Pois ontem um acidente ocorrido nas imediações de Acari, logo de manhã, com 26 pessoas feridas, algumas com gravidade, mostra o quanto será complicado colocar um sistema de ônibus inteiro nas mãos de um administrador, no caso a Secretaria Municipal de Transportes.

É isso que está por trás da "inocente" padronização visual que, sabemos, tem no aspecto estético um dos transtornos menores, diante de outros que estão por trás.

Desde novembro de 2010, o serviço de ônibus carioca caiu em qualidade. As esperas por ônibus tornaram-se maiores, se vê mais ônibus enguiçados, e os motoristas, dentro desse "novo modelo" de gerenciamento do transporte coletivo, passaram a sofrer a pressão de um trabalho desumano, um dos aspectos sombrios de cada modelo tecnocrático que é adotado na realidade sócio-econômica de uma cidade.

Fora o fato de trabalhadores estressados, além de gestantes, idosos e deficientes físicos, ficarem à beira da loucura tentando identificar os ônibus nas ruas cariocas, procurando evitar o máximo o risco de pegar os ônibus errados, o que é altíssimo, queiram ou não queiram a minoria barulhenta de busólogo pró-padronização.

Pois foi isso que fez um ônibus da Auto Viação Bangu - com visual de "transição", mostrando a última pintura com o número acrescido da letra do consórcio e o nome da empresa substituído por um adesivo de seu consórcio - , empresa que havia melhorado seu serviço há alguns anos atrás, com uma identidade visual de autoria do premiado Álvaro Gonzalez, mas que com a pressão da "nova lógica" do transporte, declinou seu serviço seriamente.

Sei que bater nessa tecla chateia muita gente, mas alguém pensou a agonia dos parentes dos feridos nesse acidente? Será que é chato eu escrever sobre o drama deles? Ou será que temos que ignorar o caso e achar que os parentes das vítimas sofrem de chilique, que os passageiros se feriram porque são muito fracos ou porque o motorista é que é o culpado?

Mas mesmo se o motorista for o culpado, a questão não deixa de voltar para as autoridades, afinal quem permitiu que o motorista agisse assim? Quais as condições que foram feitas para isso?

Acidentes assim já acontecem muito em cidades como São Paulo e Curitiba, que adotam há tempos esse modelo tecnocrático, que impõe uma rotina de trabalho desumano para os rodoviários e parece menos capaz e menos preparado para os muitos problemas e desafios do setor do que se imagina na melhor das esperanças.

Isso mostra o quanto a vida real não tem super-heróis, e que botar o sistema de ônibus nas mãos de uma pessoa só, o secretário de transportes (municipal ou metropolitano), só faz o serviço pesar de tão sobrecarregadas responsabilidades.

21 comentários:

  1. Olha, acidentes sempre acontecem independente de o Poder Público fizer uma SEMI-ESTATIZAÇÃO, como está sendo agora, ou não (como um Torino GV MB OF-1620 de 1997 da antiga Feital 99005 que beijou um pilar no começo da Avenida Brasil por volta de 1999 fazendo o 367).

    Agora, concordo da colocação do Leonardo Ivo no sentido, com essa camuflagem, as empresas ficam desleixadas na conservação dos carros.

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  2. Eu esqueci: mais uma linha de tradição foi vítima por essa gente: 284, existente há cerca de 45 anos que não são 45 dias mudou de número: agora é 371.

    Na boa, 371 era aquela Guadalupe x Praça XV da antiga Auto Diesel e um pouquinho de Vila Real.

    Coisas sérias como a construção de um viaduto em Costa Barros não lhes interessam, agora, bobagens como essas renumerações desnecessárias interessa a essa gente. Veja, claro que a bronca hoje é para o sr.Eduardo Paes, mas, a bronca também para o srs.César Maia e Luís Paulo Conde com os seus Rios Cidades.

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  3. Acrescentando que a 290 agora se chama 390. Agora com relação a padronização, isto está se refletindo na piora dos serviços. O que tem de ônibus padronizado totalmente destruido por dentro não está no gibi. Na segunda feira, dia 2/5, O Extra fez uma reportagem falando de um onibus padronizado da Amigos Unidos (Translitorianea) que foi lacrado pela prefeitura e ainda continuava rodando. Este ônibus era velho e mal conservado. Isso tambeḿ facilita a netrada de ônibus pirata como ocorre em Brasilia, onde pessoas detentoras destes veiculos clonam os ônibus das empresas. Com a padronização abriu-se brecha para isso. Pensem nisso!

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  4. Já ia esquecendo: a informação do SAUDOSO 284 foi do Edvaldo Gonçalves em seu fotopage.

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  5. Com certeza, brecha para os ônibus piratas.

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  6. Bem, deixando bem claro, que não tendo para esse ou aquele lado tampouco contra o BU com os trens, mas, pela reportagem do jornal "Extra" e a declaração do sr.Prefeito, eu percebi aquela tese do Alexandre Figueiredo da VIAÇÃO CIDADE DO RIO DE JANEIRO, ou seja, uma espécie de grande concentração de poder da Prefeitura e, por isso, a Rio Ônibus está receosa. Praticamente, semi-estatizaram os ônibus do Rio.

    Veja, não estou defedendo que haja o Deus dará pois, se defendesse isso, eu apoiaria a atitude da Mangaroeste antes dessa licitação que chamo de farsa. Apoiaria extinção de algumas linhas e essas coisas todas (algumas importantes como os saudosos 340, 346 e 815).

    Defendo sim, regulando preço da passagem, a autorização ou vetos de alguns detalhes em ônibus (ex: veto do chamado MICRÃOZINHO como o 59037 na Andorinha), mas, nunca interferir em pintura, tampouco, esse poder concentrado como percebi nessa reportagem.

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  7. Uma prova que isso não tem critério é que eles renumeraram o tradicionalíssimo 384 nas versões normal e variante para 399 segundo postagem do Ivan Carlos na comunidade do Orkut "Ônibus Em Debate".

    Como postou bem o Jaime Negão na mesma comunidade, os sistema foi feito de quem não anda de ônibus e nem entende da coisa.

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  8. MPierre, você poderia indicar o linque dessa reportagem sobre o receio da Rio Ônibus com a concentração de poder da Prefeitura?

    Mudando de assunto, a despadronização digital está de vento em pompa. Ontem soltei Novacap, estou preparando Matias e São Silvestre e vem aí as Torinos da Bangu.

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  9. Uma prova que isso não tem critério é que eles renumeraram o tradicionalíssimo 384 nas versões normal e variante para 399 segundo postagem do Ivan Carlos na comunidade do Orkut "Ônibus Em Debate".

    Como postou bem o Jaime Negão na mesma comunidade, os sistema foi feito de quem não anda de ônibus e nem entende da coisa.

    Agora, um outro detalhe: uns 2 dias atrás no "Busólogos do RJ", eu comentei que estão cometendo um erro grave em que, aqui no Rio, se conhece pelo NÚMERO e não pelo trajeto como é em SP. E esse erro grave se caracteriza de não andar de ônibus como é o exemplo dessa gente (Prefeitura).

    Postagem hoje do seu Waldemar Araújo na versão fotopage do "Ônibus Em Debate" diz, no seu último paráragrafo, que, na equipe da SMTR, estariam uma equipe que veio de SP.

    Houve uma outra pessoa de nome Marcos Nascimento falou a mesma coisa e considero ainda no campo da rádio-leão. Se for verdade essa rádio-leão, então, infelizmente, se referenda o tal erro grave que comentei no "Busólogos do RJ" há uns 2 dias achando que o carioca conhece a linha pelo trajeto o que é um equívoco total. O carioca pelo NÚMERO e não pelo trajeto.

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  10. O André Neves jogou uma bomba no "Busólogos do RJ" em que pode importar o critério de numeração que é adotado em São Paulo, ou seja, a dezena milhar relacionado à região de atuação o que é uma irresponsabilidade já que a Pégaso não está se aguentando com o superinchaço com frota mal cuidada e colando qualquer um como motorista. Se isso ocorrer, praticamente, abandonarei a busologia. Só ficaria restrito nos tópicos de curiosidades do passado e relatos de filmes/novelas entre os anos até 2009/10 e, a partir de 2011, não me interessaria mais.

    Outro detalhe: ano passado, na comunidade da Santa Sofia, Bruno Soares esclareceu uma coisa chamada burocracia sobre o número de ordem dos ônibus. Batendo na madeira para que isso não aconteça.

    OBS1: estou percebendo que esse pessoal da Prefeitura está ganhando mais adeptos onde estão tendo uma posição de vaquinha de presépio em especial a corrente mais jovem, com raras exceções, claro. Veja, eu fui adolescente, jovem e essas coisas, vibrei bastante a revolução do Padron Vitória em Agosto de 1988, do Monobloco MB O-371 em 1988 também e do Thamco-Scorpion em 1990 (fora o GLS BUS embora não me agradasse), entretanto, nunca tive uma posição que pudesse descaracterizar bastante os ônibus do RJ como está sendo agora. Reitero, ainda com raras exceções, o jovem de hoje não é o mesmo da minha época, da época do administrador desse blog, etc...

    OBS2: sobre poder de concentração, que, estranhamente, não está aqui como ontem de noite, vi na versão de papel do jornal "Extra". Acho que eles não colocam na versão on line, não tenho certeza.

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  11. Mais linhas tradicionais foram vítimas dessas renumerações absurdas: 206 e 214, ambas ex-CTC.

    O conteúdo sobre o meu comentário sobre poder concentrado nas mãos da SMTR como demonstrou a reportagem de papel do "Extra" na Quarta-Feira, salvo engano, está no blog "Fatos Gerais" de Leoanrdo Ivo.

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  12. Sobre a primeira observação no minha penúltima mensagem, esqueci de alguns outros modelos que me empolgou quando era mais novo, mas, nunca tive uma posição que pudesse descaracterizar os ônibus do Rio como a atual corrente jovem, com raras exceções, claro: Marcopolo-Torino GV (embora caia no mesmo caso do GLS BUS), Ciferal-Padron Alvorada (me influenciou em defender a moldura preta nos ônibus nas partes dianteira e traseira) e, mais ou menos, Caio-Amélia e Monobloco MB O-364/O-365.

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  13. Postagem do internauta Roberto Almeida no fotopage "Ônibus Em Debate" citou o 917- Realengo.

    Finalmente, essa gente acertou no caso do 917, mas, a falta de critério que destruiu um critério bem amarrado de 1963 continua imperando principalmente pela rádio-leão jogada por seu Waldemar Araújo.

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  14. Depois de Teresina e do Rio, agora, é João Pessoa adotar essa palhaçada. Link: http://www.fortalbus.com/2011/05/pb-frota-de-joao-pessoa-passara-por.html#comment-form

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  15. MPierre, isso poderá causar a saturação completa do esquema. São secretários de transporte querendo brincar de empresários de ônibus. Acho que não é "domando" os empresários de ônibus, reduzindo-os a "funcionários" das prefeituras ou do Estado que vá resolver os problemas dos transportes.

    Além disso, a "força" de Alexandre Sansão foi posta à prova com incidentes envolvendo trens do Rio de Janeiro. Em São Paulo, é o metrô. Em Belo Horizonte, são os ônibus queimados pela criminalidade, coisa que ocorreu muito no RJ e pode ocorrer mais.

    Mas se o Super Homem é capaz de encarar um trem, e Alexandre Sansão não, a coisa então está mais embaixo.

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  16. Concordo com você e até comentei aqui a Prefeitura regulando coisas básicas, mas, nunca interferir em pintura e, tampouco, concentrar poder em um local (SMTR).

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  17. essa palhaçada,so vai piorar mais ainda o transporte da zona oeste que ja ta uma merda

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  18. Se bem que já está piorando com o sinal verde da SMTR das extinções DEFININITIVAS do 368, do 380 e do 390 com essas renumerações absurdas.

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  19. SR - Versão "Moderninha" de LInha "X" - Rápido

    Esse SR, mas, sinceramente, é um enfeite de pavão.

    Mais uma tradição que ruiu onde a palavra "RÁPIDO" indicava tal linha como rápido como foi o ameaçado 362 como era a indicação de uma capelinha abaixo da vista principal desde do padrão de 1994. Detalhe, no tempo da VALSA, os Amélias com a capelinha ainda, na capela lateral, estava a palavra "RÁPIDO" e, na boa, era muito mias prático (além do padrão de 1994) do que esse enfeite de pavão.

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  20. Eu acho que é um erro considerar o sistema de consórcios de empresas de ônibus, imposto por Eduardo Paes junto com a pintura padronizada, como se fosse uma estatização. A Prefeitura do Rio praticamente está fazendo o papel de um "testa de ferro", a serviço das empresas de ônibus, para encobrir os seus abusos (por exemplo, a falta de conservação que está acontecendo nos veículos). De jeito nenhum isso poder ser confundido com uma estatização. Eu defendo uma real estatização das empresas de ônibus, como a que por exemplo fez o Brizola com parte delas em 1985 (eu ainda não era nascido na época, mas a única coisa que eu não concordo foi, meses depois, ele ter começado a padronizar as pinturas dos ônibus das empresas encampadas nos moldes da pintura da CTC-RJ na época).

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  21. Na verdade, foi um apelido que dei a PP o qual foi encampação BRANCA.

    Encampação no sentido de o Poder Público dar PALPITES de pintura e essas coisas, mas, a gestão continuou PRIVADA com dantes.

    Na boa, isso não é papel de o Poder Público dar palpites de pinturas: a sua função real é FISCALIZAR as empresas como não faz e regular preço de passagens como faz e os tipos de veículo e tal. Pintura é uma espécie de "PEDGREE" das empresas.

    Na encampação ESTATAL do sr.Leonel Brizola, demorou uns 6 meses de impôr a farda CTC-RJ onde, claramente, senti uma coisa eleitoreira porque, em 1986, era Eleições de Governador/Senadores/Deputados Federal e Estadual. No começo, cada empresa tinha a sua própria pintura, mas, os dizeres que estava sob encampação estatal.

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