terça-feira, 29 de março de 2011

DENUNCIAR ERROS GRAVES É "ABOBRINHA"?


QUER DIZER QUE ATÉ O CARTUNISTA CARLOS LATUFF DIZ "ABOBRINHAS" SOBRE EDUARDO PAES E SÉRGIO CABRAL FILHO?

Um certo busólogo, que não vamos dizer o nome, enviou mensagem reclamando que "falamos muitas abobrinhas" em relação a Eduardo Paes e, por conseguinte, Sérgio Cabral Filho.

É lamentável que esse busólogo, com toda a visibilidade que possui entre seus pares, joga ora com arrogância, ora com aparente diplomacia e a cada dia se converte em um "assessor" informal da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Só que o que o prefeito Eduardo Paes falou sobre o "azeite português" é um erro cujo relato não pode ser visto como uma "abobrinha", porque o prefeito carioca atingiu uma secular tradição cultural portuguesa.

Será que são "abobrinhas" as denúncias das restrições que o prefeito carioca faz ao comércio ambulante, sem que haja qualquer alternativa de trabalho para eles?

Será que são "abobrinhas" os protestos contra a prisão de manifestantes contra o poderio dos EUA personificado no "visitante ilustre" Barack Obama?

Será que são "abobrinhas" as queixas de deficientes físicos, gestantes, idosos e doentes que pegam ônibus errados por conta da padronização visual?

Será que são "abobrinhas" também o que o cartunista e admirador do transporte ferroviário Carlos Latuff, prestigiado até pelo povo do Egito e porta-voz dos movimentos sociais, denuncia em suas charges?

Nem vou aqui descrever todos os problemas causados pela gestão Paes, não só no transporte, mas em outros setores da esfera pública.

O problema talvez não seja discordar, mas é a discordância intolerante, obsessiva, como se tivéssemos que deixar de fazer certas críticas, por elas serem de desagrado de fulano.

Já vi muita gente reacionária assim. Dá até medo. Afinal, o instinto golpista existe e muitos internautas moderninhos, na verdade, escondem ideais conservadores e retrógrados e interesses "pragmáticos" diante desta ou daquela causa.

Ser conservador é defender tradições sociais? Não. Os conservadores são justamente aqueles que querem mudar muito na forma, para manter privilégios de poder e domínio. São aqueles que tentam ser modernos por fora, para que possam continuar antigos e ultrapassados por dentro.

Por isso, é muito mais moderno defender a diversidade visual dos ônibus cariocas, que tornou-se um atrativo à parte, ora em extinção. Escrever certas coisas irritam algumas pessoas, que, baseadas na intolerância, tornam-se agressivas e falsamente moralistas.

Mal sabem essas pessoas que sua raiva, em um momento ou em outro, pode lhe trazer encrencas sérias, vide o caso do político José Serra, que foi agressivo demais na sua campanha eleitoral, para tudo dar em derrota.

Se o tal busólogo não concorda com a gente, ele que fique na sua. Ele tem seu blog, seu fotolog, seu grupo de busólogos (dá pena deles terem um "líder" assim tão arrogante). Ele tem seu território de concordância plena, ele que fique ao lado das autoridades dando os elogios que ele tanto quer.

O que ele não pode fazer é transformar blogs que não concordam com o que ele pensa em territórios de sua influência a ponto de silenciar-se sobre determinados assuntos.

Ou será que esse busólogo terá coragem de afrontar também o Adamo Bazzani, do portal Ônibus Brasil, porque ele, como jornalista, faz denúncias sobre irregularidades de ônibus de São Paulo?

Busólogos assim tem que tomar muito cuidado. Poderão ser vítimas de sua própria raiva. E essa ameaça quem faz não sou eu, que estou longe de desejar isso, mas a própria arrogância desse busólogo, que por sua irritação e reacionarismo o faz inimigo de si próprio.

Espero que o tal busólogo se maneire nos atos, e fique na sua.

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