terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

COMO QUEREM MANTER UM MODELO DESGASTADO DE TRANSPORTE?


PARANAPUAN OU IDEAL, OU MADUREIRA CANDELÁRIA? - TANTO FAZ, BUSÓLOGO PELEGO NÃO ANDA DE ÔNIBUS...

Dois pesos, duas medidas. Enquanto, na busologia, a "curitibanização" dos ônibus, na sua versão carioca, aparentemente junta um número crescente de adeptos, no cotidiano do povo as pessoas estão cada vez mais descrentes dos governantes.

Enquanto tecnocratas tentam o máximo manter o último fôlego desse modelo de transporte coletivo até o fim das Olimpíadas de 2016, os fatos mostram o avançado desgaste e a evidente decadência do mesmo.

Mas, em épocas de anti-intelectualismo, não há diferença entre o busólogo pelego que defende a padronização visual dos ônibus do RJ e o cronista de jornal que defende ideias retrógradas e excludentes.

Para certas pessoas, infelizmente, não tem valor a observação viva das ruas, nem a pesquisa segura de teóricos conceituados. Para eles, o ato de pensar é pecaminoso, não pode ser democratizado. A visão "segura" de sociedade, para eles, é apenas dos tecnocratas, é a visão que vem dos escritórios, da tela de televisão, das autoridades.

É lamentável e parece um absurdo, mas existe pessoas que imaginam que é dos escritórios que vem a "visão mais adequada e segura" do que a sociedade deve viver e aceitar.

Querem salvar a reputação de um Jaime Lerner, já arranhado por um perfil neoliberal impossível de se disfarçar, mas deixam os moradores do Morro do Bumba na mão.

Até agora, os moradores dessa comunidade de Niterói foram apenas parcialmente socorridos, uns tratados feito trouxas pelas autoridades, e não é surpresa que vários desses moradores voltaram para o local de origem, pois, com todo o risco que sofreram, pelo menos era o lugar em que eles estavam acostumados a viver, pelas relações e atividades sociais que desempenhavam. É ruim, mas para essa população, é melhor do que ficar esperando promessas que nunca se cumprem.

A arrogância com que certos busólogos demonstram para defender a padronização visual - que é apenas um aspecto da lógica de concentração de poder do secretário de transportes, Alexandre Sansão, que já provou ser uma espécie de "Ali Kamel" da busologia (a prepotência do chefão de jornalismo da Rede Globo é notória nos bastidores da mídia) - é preocupante, mas indica o quanto o sentimento de falso triunfo esconde insegurança e medo.

Minoria apenas alinhada às decisões dos poderosos, esses busólogos se dizem "a maioria" só porque meia-dúzia de seus iguais aderiram à padronização visual. "Você está desinformado, atualize-se, a maioria não está com você", "Quem é contra a padronização visual vai falar sozinho", é o discurso síntese, descontando os erros de digitação e de gramática.

Mas no começo do regime militar, havia a mesma coisa. Se tivéssemos Internet em 1964, haveria gente dizendo: "Quem é contra militar no poder, que faça flexão de braços, 500 vezes sem parar", é o que poderiam ter dito.

Só que enquanto essa "maioria convicta" de uns tantos gatos pingados - que parecem muitos numa mera comunidade do Orkut, mas são quase ninguém diante do povo simples que não tem sequer computador - diz que o projeto de Eduardo Paes e Alexandre Sansão para os ônibus cariocas é "perfeito" e "maravilhoso", como "também são" os projetos de transporte coletivo há muito existentes em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e outras cidades, a realidade mostra que esse modelo, de tão desastroso, é trágico.

Os três mortos em acidentes de ônibus de Curitiba, certamente, não estão aqui para dizer o quanto ruim está o projeto lançado por Jaime Lerner em 1974, ainda vigente, às custas de muito marketing e trololó tecnocrata, nos dias de hoje. E quantos ônibus queimados, batidos, quantos motoristas estressados e sofrendo mal súbito em pelo trabalho, quantos desastres ocorrem enquanto tecnocratas esbanjam cínico otimismo em seminários sobre transporte na Europa!

As notícias que se acumulam relacionadas, sobretudo ao transporte de Curitiba e São Paulo, são de assustar.

Dizem que isso não tem a ver com o modelo adotado, mas a verdade é que, para um modelo tecnocrático que se anuncia "perfeito", é evidente que a decadência desse modelo assusta as autoridades, que tentam abafar o máximo possível seus efeitos.

Além disso, tal decadência é algo que praticamente anula um modelo que se julgava "perfeito", porque seus equívocos e prejuízos são superiores até mesmo ao mínimo imaginável e controlável.

Da censura ao marketing, passando por medidas paliativas - é difícil Curitiba sair do desastre do transporte coletivo com 390 Volvões; São Paulo tem busão e nem por isso seu sistema se livrou do colapso e da corrupção - , por pesquisas risíveis (francamente, 510 curitibanos, que não chegam sequer a 2% da capacidade atual do Estádio Couto Pereira, na capital paranaense, vão decidir sobre o transporte da cidade?), os tecnocratas do transporte coletivo fazem de tudo para se manterem no poder.

Mas aí até Hosni Mubarak também fez concessões, repressões e outras manobras para se manter no poder. E, com a revolta popular, vejam o resultado: Mubarak foi tirado do poder.

A realidade mostra que o mundo de cores pré-determinadas por secretários de transporte e outros políticos esconde dramas, tragédias, gafes.

Em Curitiba, aparecem ônibus superlotados, desconfortáveis e lentos, motoristas estressados e doentes, acidentes com mortos, entre outros transtornos.

Em São Paulo, aparecem acidentes com ônibus, baratas morando em vários deles, passageiros irritados com a demora na espera de um ônibus, além de um perigoso esquema de corrupção que envolve assassinatos.

Em Belo Horizonte, aparecem as greves sucessivas de funcionários, além de outros acidentes, passageiros irritados com espera demorada, etc.

Em Brasília, os mesmos problemas acima acrescidos da tendenciosa repintura que sucessivos governantes fazem para "inaugurar uma nova fase para o transporte coletivo brasiliense", uma mera conversa para boi dormir.

E, no Rio de Janeiro, vemos casos de corrupção, empresas ruins camufladas em "novas empresas", sucateamento das frotas, estresse de motoristas, passageiros irritados com espera demorada, entre outras irregularidades.

É evidente que o busólogo arrogante que acha que ele e seus amiguinhos são "a maioria", muito provavelmente, está pensando mais em aparecer nas fotos com Pelé ou Carlos Arthur Nuzman, coisas que para ele são muito mais interessantes do que defender os interesses dos passageiros lesados.

Tudo isso para não dizer os cargos políticos que podem aparecer para o busólogo que apoiar a padronização visual. O cara que fazia seu fotolog no Fotopages um dia, noutro será secretário do futuro governo Eduardo Paes, ou então assessor do Alexandre Sansão ou de qualquer outro similar... Para ele, isso é a glória.

É certo que o busólogo vai mentir, no Orkut ou nas mensagens do Twitter, Blogger ou Fotopages, que "também pensa no passageiro", que "é mal interpretado", que defende a padronização visual "sem maiores pretensões" e que somente nós estamos errados. Como a mocinha que, no golpe do baú, sempre desmente que gostou do ancião poderoso por dinheiro, só casou com ele "por amor", porque acha os ralos e cadentes cabelos dele "macios e sedosos".

Quem é que vai admitir, numa politicagem, que não tem maiores pretensões?

Como ele está de acordo com as decisões do poder, ele vai desqualificar quem discorda desse poder e é por este prejudicado. Mas, em dado momento, ele nunca fará mais do que provar de que ele está mais do lado dos interesses privados do que do povo, ao defender a padronização visual dos ônibus cariocas e todo o processo que está por trás disso.

3 comentários:

  1. Estão taxando de quem não concorda com isso (enampação branca) de antiquado. É mole?

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  2. Alexandre,
    O pseudo busólog Gustavo Bayde postou um monte de grosserias no blog anti-padronização e pediu a retirada da foto dele an postagem sobre padronização. O que ele escrevue foi o seguinte:
    "Já que os "excelentíssimos" dono desse espaço não oferecem um e-mail para contato, e eu não tive meu outro comentário atendido, volto á postar aqui nessa matéria minha reclamação referente ao post "Confusões da padronização visual":

    "Gostaria de pedir ao autor a retirada da minha foto dessa matéria. Divulgação sem prévia autorização é crime, e eu jamais permitiria que minhas fotos estivessem no palco de piadas que esse blog é. Um bando de marmanjos insatisfeitos por causa de uma pintura padronizada. Só demonstra o quão patético esse hobby é."
    Este cara é busologo(pseudo), porém não aceita discordancia de ideias. Para não termos problemas, eu tirei a foto da postagem.
    http://www.google.com/url?sa=t&source=web&cd=7&ved=0CEcQFjAG&url=http%3A%2F%2Fvegabuss.fotopages.com%2F%3Fentry%3D2058516&ei=bn1kTZHyKci2tgfbr9CDBg&usg=AFQjCNHslptHoEWQcujavVrnLxcWcTeUsg&sig2=EpxoBJ00K4TkxrcUUQQqlg - aqui mostra que ele é busologo, mas neste texto ele age como se não fosse.

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  3. Essa pessoa teve problemas com muitas pessoas nas comunidades do Orkut.

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