terça-feira, 4 de janeiro de 2011

TRANS1000: EXTINÇÃO NÃO ESTÁ DESCARTADA



SE DEPENDER DO CASO, O NOVO ADMINISTRADOR PODE ATÉ MESMO EXTINGUIR A MARCA "TRANS1000", DESGASTADA NO MERCADO.

A Turismo Trans1000, conhecida por seus gravíssimos problemas, aparentemente tenta resolver sua crise.

Alguns procedimentos acontecem, como a colocação de estofados amarelos em bancos especiais para gestantes, idosos e deficientes, e a mudança dos letreiros para o padrão nacional de lona, com fundo branco e créditos em cor verde.

Mas tudo isso ainda é insuficiente com uma frota que praticamente se congelou, sem renovação real há quatro anos, e sem a reposição de carros usados há dois.

Chegou-se ao ponto da empresa não poder comprar sequer carros de segunda mão, mas de terceira ou quarta, e quase todos os modelos dos carros de sua frota estão fora de fabricação há pelo menos três anos.

Além do mais, até agora não se cumpriu, na frota da Transmil, a exigência maior de adquirir ônibus com acesso para deficientes físicos. Há casos de uma moça que mora em Nilópolis e tem dificuldades para entrar nos ônibus, além da insegurança de viajar nos mesmos, na falta de assentos e equipamentos necessários de acesso e apoio.

Fala-se do sonho de reerguer a Transmil. Mas cria-se uma polêmica séria, com pessoas dizendo que não haverá comprador, enquanto outros falam na necessidade de uma nova administração da empresa.

Todavia, com vários processos judiciais, muitos de ordem trabalhista, ainda pendentes, enquanto outros relacionados à documentação vêm à tona - vários ônibus aliás ainda circulam com a chapa creditada ao município do Rio de Janeiro - , a situação dramática da empresa terá que ter um desfecho, e ele pode não ser agradável para os fãs da empresa.

Pois nada impede que a nova administração possa extinguir a marca Trans1000, bastante desgastada no mercado. As mais conceituadas teorias da Administração já atentam para o sumiço de uma marca que demonstrou ser deficiente no mercado. Recentemente, a rede de supermercados Sendas desapareceu substituída por marcas tradicionais do Grupo Pão de Açúcar, como Supermercados Extra e Supermercados Pão de Açúcar.

Infelizmente, lidam-se com paixões, gente defendendo a permanência da Transmil a qualquer preço. Ainda que seja na situação deficitária em que está, ou acreditando em mudanças que nunca se sabe quando ocorrerão.

São pessoas que pensam mais nas memórias da infância, quando a Transmil tinha até frota rodoviária. De certo, foram grandes tempos, mas é muito difícil que eles voltem a ocorrer.

Afinal, o que está em jogo é o futuro dos rodoviários da empresa. Afinal, que adianta a empresa manter-se em circulação se, nos bastidores, os funcionários são obrigados a lidar com ônibus velhos e ainda sucateados, com salários atrasados, péssimas condições de trabalho etc? Será que os fãs da Transmil não se preocupam com o fato de que, em vários ônibus, os motoristas desempenham a dupla função?

No Natal passado, eu e minha família pegamos um ônibus com o da foto acima. A grade do ar condicionado, no interior do ônibus, estava podre de tão enferrujada. O ônibus estava muito barulhento e o motorista desempenhava dupla função: dirigia o veículo e cobrava passagens.

Imagine o drama desse motorista. Ele tem que dobrar o raciocínio conduzindo o ônibus em avenidas movimentadas (Rodrigues Alves, Brasil e Dutra), tentando acertar o troco de cada passagem recebida, e junte-se a isso a irritação que ele tem com o barulho ensurdecedor do veículo, por sinal muito velho.

O ar condicionado estava ligado, mas meu irmão, que já sentia um mal estar, preferiu abrir a janela, que não estava travada, vendo que o ar condicionado poderia estar sujo, infectado, além do gradeado totalmente enferrujado.

Esse é o drama que os defensores da Transmil desconhecem. E mostra o quadro kafkiano que muitas vezes acontece no país, e no qual a busologia não escapa. Até porque é de assustar que exista todo o drama que algumas pessoas fazem quando se fala na decadência da Turismo Trans1000, não admitindo a realidade de uma empresa à beira da falência.

Afinal, nunca se defendeu a permanência de uma empresa deficitária com tanto empenho. É certo que alguns são bem intencionados, mas o que fazer numa situação dramática? Como achar que um doente em estado terminal vai voltar ao vigor físico dentro de alguns meses? Manter a Transmil nas ruas vai, por si só, trazer esperança para seus empregados? Não vai.

É impossível que o caso Transmil se resolva sem que um administrador intervenha com um bom investimento. Não é qualquer Zé do Pau que vai resolver um pepino desses. Mas houve gente que não gostou quando eu disse que só um Eike Batista da vida poderia resolver com folga os problemas da empresa. Achavam que eu estava ironizando. Não estava. É sério.

Quanto à nova administração, até eu creio ser viável, mas dependendo do caso isso pode significar a extinção da Trans1000, o que não deixará de representar socorro para seus empregados.

Afinal, uma coisa é certa. É melhor uma empresa ser extinta e ter seus problemas resolvidos devidamente na justiça do que ela ficar nessa indefinição.

2 comentários:

  1. Bem, sei lá, estou achando que é relativo. Veja, no caso da Bangu em 2008, foi comprada por um milagreiro onde a situação da empresa não estava bem.

    Depende muito de dívidas por trás e tal.

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  2. As dívidas estão enormes, vi uma página do Tribunalde Justiça e há uma porção de processos contra a Transmil. Isso somente os trabalhistas. A empresa ainda tem processos envolvendo documentação de veículos. Os salários estão atrasados há um bom tempo, assim como muitos encargos não são cumpridos. A dupla função do motorista que cobra passagens é ilegal e oferece insegurança. Não há qualquer renovação de frota há dois anos, e os últimos carros comprados foram de terceira mão.

    Tudo isso é um quadro estarrecedor de uma empresa à beira da falência. Não vejo muitas chances da marca Transmil permanecer.

    É muito provável que o novo administrador da Transmil - e tem que ser um cara bem rico, para depender o quanto menos de empréstimos bancários, porque a coisa está feia - dê fim à marca. Ela está desgastada no mercado.

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