domingo, 30 de janeiro de 2011

COMEÇA A POLITICAGEM BUSÓLOGA



As artimanhas do poder surgem na surdina. Poucos percebem. Crédulos surgem, achando que o grupo politiqueiro emergente representa "o novo", sem perceber se eles de fato defendem a justiça social ou o interesse público.

Há grupos políticos que defendem o interesse público, mas eles são raros e eventuais. Não é o caso dos que defendem a padronização visual dos ônibus, medida que na verdade é um carro-chefe de todo um processo politiqueiro de concentração de poder das Secretarias de Transporte, sob o pretexto de "disciplina" que foi o mesmo utilizado pelos generais quando instauraram a ditadura militar, em 1964. Alias, não é à toa, afinal os ônibus tornam-se fardados.

Aí, de repente, surgem defensores do nada, que tentam desqualificar discordâncias, porque sabem que vão ganhar alguma vantagem por trás de tal defesa. No Rio de Janeiro, costura-se uma aliança entre busólogos e autoridades, sobretudo nas pessoas do prefeito carioca Eduardo Paes e do governador fluminense Sérgio Cabral Filho, além de dirigentes esportivos e alguns empresários de ônibus envolvidos.

Diga-se alguns, porque a maioria dos empresários de ônibus está indignada, mas nada pode fazer. Afinal, a padronização visual é um projeto para turista ver, enquanto que essa conversa de que tal processo é "tendência mundial" não passa de uma grande lorota.

Tanto é uma lorota que Londres, a célebre capital inglesa e sede das Olimpíadas do próximo ano, que dava a falsa impressão de adotar a padronização visual nos seus ônibus, promove a diversificação visual nas suas empresas. Para quem duvida, melhor ir para este linque.

É evidente que surge aí um esquema de politicagem. Não vamos dar maiores detalhes, mas é a mesma coisa que aconteceu quando as elites da USP se ligaram a políticos vindos do MDB para compor o PSDB, se consistindo no grupo composto pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e o candidato derrotado à presidência da República, José Serra.

O mesmo PSDB que inventou Eduardo Paes. Que brigou com seu mentor político, César Maia, mas levou sua formação demotucana para o PMDB. E que costura sua base de apoio nas políticas elitistas, que apenas dão uma aparente impressão de eficácia administrativa.

Daí a concentração de poder da Secretaria de Transportes no sistema de ônibus carioca, claramente expresso no visual fardado em que a expressão "Cidade do Rio de Janeiro" aparece em destaque, em detrimento ao nome quase apagado de cada empresa envolvida (e que, dependendo do caso, é impossível de ser visto pessoalmente em certos ângulos de luz e, nas imagens de "jpg", "gif" e similares, torna-se totalmente irreconhecível).

Quando o plano arbitrário de Paes foi lançado - claramente inspirado no modelo que Jaime Lerner lançou em Curitiba, quando prefeito "biônico" (interventor nomeado pelos generais) no auge do governo militar - , o descontentamento foi praticamente geral. No entanto, alguns descontentes foram mudando suas posturas, de maneira tendenciosa.

Essa adesão não foi porque o projeto demonstrou ser mais vantajoso. Não é. Nem para os passageiros, que terão dificuldades de identificar cada ônibus que irão pegar, nem para os empresários, que até para promover a imagem de suas empresas perderão a chance. Tanto que as empresas de ônibus cariocas custam a repintar seus ônibus, na esperança de que alguma medida judicial cancele a padronização, que tirará a liberdade operacional das empresas de ônibus.

O problema é que, num processo de politicagem, alguns defensores de privilégios e de poder concentrado - nem sempre assumem tais intuitos - têm que cercar de adeptos e defensores, por isso em cerimônias eles têm que tratar bem os busólogos, para assim conquistarem seguidores. Ninguém consegue privilégios de poder sem ter uma base de apoio.

Tudo visando a aparência de eficácia, pouco importando o sofrimento de passageiros, principalmente idosos e deficientes. A dificuldade de reconhecimento dos ônibus será bem maior, e isso não é conversa de infantil, desinformado ou retardado.

Afinal, os ônibus só serão reconhecidos quando os passageiros estiverem nos pontos e virem os ônibus de frente, mas se eles estiverem a uma distância de pelo menos cem metros, não vai dar para os passageiros correrem atrás, porque não saberão qual será o ônibus certo, com tantos ônibus visualmente parecidos.

Isso é fato. Mas quem está com as elites não quer saber de lógica, nem de ética, nem de coerência, nem de coisa alguma a não ser qualquer pretexto que justifique sempre o que é estabelecido e decidido de cima, o que está pré-determinado é o que vale, pouco importa se os cidadãos sofrem ou não, embora em tese eles sejam "beneficiados", o que é pura falácia.

Em mais de um século de existência, somente agora os ônibus do Rio de Janeiro começam a viver seus tempos de "República Velha".

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CASAS PRÉ-MOLDADAS PODERIAM ACOLHER DESABRIGADOS



As tempestades ocorridas nos últimos anos no Brasil, e que muitas vidas têm ceifado sem que algo seja feito para evitar, mostram o quanto as administrações dos municípios ainda são vistas como brincadeira por prefeitos e até governadores.

Muito poderia ser feito, tanto para prevenir tragédias desse tipo quanto para socorrer os remanescentes das populações vitimadas. Principalmente no que se diz à questão de moradias, de preservação ambiental, de cuidado com o lixo para que ele não se espalhe pelo solo nem pelas águas.

Não sou um especialista em construções deste porte, como casas pré-moldadas, mas o que eu sei é que tais construções usam um material ao mesmo tempo mais barato e mais resistente, além de seu impacto ambiental ser inofensivo.

Outra vantagem é que tais casas são muito fáceis e rápidas de serem construídas. Isso acaba envolvendo uma série de benefícios. Pois, juntando economia de tempo, de dinheiro e podendo construir tais casas desde que dentro de princípios arquitetônicos de equilíbrio do meio ambiente - como, por exemplo, plantar mudas em praças próximas - , as vantagens serão incalculáveis.

A construção de casas assim pode acelerar até mesmo o processo de desfavelização, criando conjuntos populares melhores, oferecendo qualidade de vida ao povo e permitindo que os aluguéis fiquem bem mais baratos, mesmo com um sistema de financiamento bancário.

Mas por que até agora ninguém pensa nessa maravilha habitacional?

Primeiro, porque os políticos governantes são muitas vezes medíocres. Preferem adotar medidas paliativas ou equivocadas, e não raro adotam procedimentos de longo prazo que, melhor direcionados, seriam de menor duração.

Assim, os benefícios se tornam precários e, como ocorre em todo verão no Brasil, os danos materiais e humanos desafiam cada vez mais essas autoridades, por causa de transtornos que nunca são prevenidos nem resolvidos.

Segundo, tem a pressão das empreiteiras e da indústria de materiais de construção. É a mesma coisa que acontece com as multinacionais dos combustíveis quando há resistência na adoção de combustíveis alternativos, menos poluentes e mais baratos.

Pois essa resistência se deve porque os mercados que tais grupos empresariais defendem são os que lhes garantem poderio econômico, altos preços no comércio e possibilidade de negociações de grande envergadura nas bolsas de valores.

Infelizmente, esse pensamento é o que ainda prevalece. Enquanto isso, especialistas sugerem soluções mais práticas, mais baratas e mais seguras, mais rápidas e fáceis de realização e muito menos danosas ao meio ambiente. Medidas que seriam do mais alto interesse público, um valor bem mais duradouro e importante do que meras negociações econômicas que, num dia, geram lucros astronômicos e, noutro, o reduzem a pó.

Até quando autoridades e empresários irão cair na real?

sábado, 22 de janeiro de 2011

QUANDO A CABEÇA É QUENTE DEMAIS, O PÉ FICA DEMASIADO FRIO


BUSÓLOGO ATACOU BLOGUEIRO POR CAUSA DE FOTOS "HORROROSAS" COMO ESTA.

Reacionário existe em qualquer lugar. Na busologia, vemos a truculência partindo de gente que poderia ser nossa aliada, mas que agora faz qualquer busólogo de bem evitar os encontros antes promovidos de forma organizada.

Tudo porque, nos últimos anos, vários busólogos demonstraram-se lamentavelmente grotescos, temperamentais, desrespeitosos, autoritários e até censores. Basta discordar de uma vírgula de um busólogo para ele pedir para você retirar a foto de fulano, mesmo depois dela estar há anos no fotolog que você faz.

São xingações contra qualidade de fotos, contra discordâncias construtivas - mas que são contra o interesse de determinado grupo busólogo - , ou então pelo costume típico dos livros de Franz Kafka de se apegar a uma marca de uma empresa de ônibus que hoje está sucateada e em séria crise financeira.

Isso é muito triste, porque busólogos que começam a ter visibilidade e possuem fotos publicadas até em portais sérios como o Railbuss e o Portal Interbuss reajam com tanta truculência e grosseria, chamando fulano de "seu m..." ou então dizendo que "vc eh um fotografo horroroso".

Será que tem mérito determinados busólogos, não apenas de um grupo mas até de alguns outros, em se destacarem na busologia enquanto, nos bastidores, partem para xingações baratas contra quem não concorda com uma vírgula do que eles falam?

É certo que a arrogância tem preço. Sempre tem. Haverá uma situação na vida em que a valentia encontrará obstáculos, ou então o próprio abismo. Praga minha? Nem de longe! As armadilhas serão feitas pelo próprio arrogante.

O que dizer daquele busólogo que disse "tira as fotos minhas, seu m..." se o editor do Railbuss disser a seguinte mensagem:

"Busólogo tal, tivemos que tirar todas as suas fotos, porque ouvi denúncias de que você violou o princípio ético em mensagens na Internet. Mas, como sabemos que você tem um fotolog que publica fotos suas, você não deve sentir a menor falta. Peço sua compreensão. Atenciosamente..."

O que dizer de outro busólogo, que chamou outrem de "fotógrafo horroroso", quando, logo na sua mais ambiciosa sessão fotográfica, a sua máquina digital pifar logo no início de sua visita a uma exposição de ônibus? Aí esse busólogo ofensor vai pedir para o colega emprestar outra máquina e este vai negar, dizendo: "Ih, essa máquina é minha, mané! Tenho um monte de fotos pra tirar, se vira!".

Isso sem falar de atritos internos que podem haver, dentro dos próprios grupos busólogos, por pequenas ninharias. Ou mesmo a péssima reputação que certos busólogos grotescos acabam tendo. Sou eu que invento isso? Não.

Eu observo o quanto pessoas temperamentais podem botar tudo a perder. No primeiro instante, o valentão agressor se acha vitorioso, tem visibilidade e poder. Mas sua irritabilidade, que pode intimidar outrem em algum instante, pode botar o valentão a perder, em derrotas que ele perde totalmente o controle, nada consegue resolver, tudo porque perdeu a cabeça à toa.

A vida mostrou milhares de exemplos, e mostra sempre. Na campanha eleitoral de 2010, José Serra tinha toda a mídia, o mais poderoso empresariado e até as multinacionais dos EUA que investiram milhões para uma campanha que o candidato acreditava imbatível. Perdeu de forma humilhante.

Isso porque Serra e a grande imprensa perderam a cabeça, agiram de forma agressiva contra a chapa opositora (de Dilma Rousseff, que acabou vencendo as eleições e hoje ela governa nosso país), fizeram baixarias, seus adeptos partiram para xingações na Internet, e por isso a derrota foi certa.

Independente de eu me achar fotógrafo medíocre ou não, seria melhor que a discordância fosse mais respeitosa. O busólogo que me xinga de "fotógrafo horroroso" hoje pode ser aquele que verá sua máquina pifar na próxima exposição de ônibus que vier. E é provável que ninguém aceite emprestar a máquina para ele tirar suas fotos, ele vai ficar mordendo os beiços.

Como o outro busólogo truculento - que acha fácil mutilar fotologs que há tempos publicaram as fotos dele, só por uma discordância de nada - pode muito bem ter sessões canceladas em portais de ônibus, só por causa de sua conduta truculenta e arrogante.

O arrogante de hoje parece vitorioso e confiante. Mas será o derrotado envergonhado de amanhã.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

250 "GATOS PINGADOS" APROVAM SISTEMA DE ÔNIBUS DE CURITIBA



Recentemente, uma pesquisa feita com apenas 510 entrevistados divulgou que 50,5% deles classificam o sistema de ônibus de Curitiba como "ótimo ou bom".

Há quase dois anos atrás, o mesmo foi feito para o transporte coletivo de São Paulo, com resultado também aparentemente esperado para os tecnocratas do setor.

Só que a pesquisa simplesmente não traz validade científica para a real avaliação do setor, até porque algumas coisas têm que ser consideradas:

1) Que classe representam majoritariamente o rol de entrevistados?

2) Essa pesquisa não teve algum "estímulo" extra?

3) Em que área (s) da cidade a pesquisa foi feita?

4) Essa pesquisa realmente existiu?

Há dúvidas sobre os aspectos peculiares da pesquisa publicada pelo jornal Gazeta do Povo, diante de denúncias de colapso no sistema de ônibus da capital paranaense e da evidente falência do modelo tecnocrático e, sobretudo, dessa padronização visual que havia sido sinônimo de eficácia num contexto em que políticas neoliberais prevaleciam sobre medidas de interesse público.

Curitiba tem que se preparar para resgatar a diversidade visual que Florianópolis adota com muito êxito. Um dia a padronização visual será comprovada como medida a princípio bem intencionada, mas completamente ineficiente e prejudicial em muitos aspectos.

Uma pesquisa dessas não pode ser levada a sério, até porque, nas ruas, a indignação da população com o sistema de ônibus da Grande Curitiba é bem maior do que o minguado apoio de pouco mais de 250 pessoas.

HOJE É DIA DO FUSCA




Quem diria, um carro blindado criado num governo de tristíssima lembrança na Alemanha, ao ser adaptado para ser um automóvel comum e ser introduzido no Brasil, tornou-se um dos carros mais populares do país. E, certamente, num contexto bem diferente e muito melhor do que o original.

Parabéns ao Sedan Volkswagen, conhecido popularmente como Fusca (palavra que surgiu como corruptela de Volks)! E parabéns àqueles que mantém um clube que é um verdadeiro memorial do simpático carro que tem muitas histórias para contar.





quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

AMANHÃ - NOVO PROTESTO CONTRA AUMENTO DAS PASSAGENS


ALGUÉM ACREDITA QUE O AUMENTO DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS EM SÃO PAULO IRÁ TIRAR O SETOR DO COLAPSO E DA DECADÊNCIA?

Por Raphael Tsavkko Garcia - Blog Angry Brazilian

Movimento social realiza nova manifestação contra aumento da tarifa de ônibus nesta quinta Será realizada nesta quinta-feira, 20/01, mais uma manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo.

A concentração começa às 17h00, na Praça do Ciclista. O ato é organizado pelo Movimento Passe Livre de São Paulo (MPL-SP).

Mesmo após a forte repressão sofrida no último protesto, quando 31 estudantes foram detidos e pelo menos 10 ficaram feridos devido à violenta e desproporcional ação da Polícia Militar, a população paulistana volta às ruas e não se cala frente à violação do seu direito de ir e vir através de uma tarifa abusiva.

Antes do anúncio formal, o MPL já articulava a jornada de luta contra o aumento, realizando manifestações em 21/11, 16/12 e 13/01 (a primeira após o início oficial do reajuste).

O Movimento Passe Livre acredita que o transporte público precisa ser público de verdade: gerido fora da iniciativa privada e gratuito para o conjunto da população.

Considera o transporte um direito elementar, que garante o acesso aos demais direitos sociais, como saúde, educação e cultura.

Um aumento na tarifa, como o que passou a vigorar em 5 de janeiro, exclui ainda mais pessoas desses direitos.

ATO PÚBLICO CONTRA O AUMENTO DA TARIFA

Quinta-feira, 20 de janeiro Concentração às 17h00, na Praça do Ciclista (Avenida Paulista, esquina com a Rua da Consolação).

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"CURITIBANIZAÇÃO" DOS ÔNIBUS EXPRESSA CONCENTRAÇÃO DE PODER



CLIQUEM NA FOTO PARA SABER MAIS DETALHES

Até agora, ninguém sabe a respeito da gravidade da "curitibanização" dos ônibus no Brasil, um método "racional" lançado pelo prefeito de Curitiba Jaime Lerner durante a ditadura militar, e que continua sendo vendido sob o rótulo de "novidade" que cada vez mais perde o sentido de ser.

Até porque a medida causa muitos transtornos, equívocos, porque o poder centralizado das Secretarias de Transporte é incapaz de cuidar, em si, do sistema de ônibus.

Por trás desse discurso de "disciplina", "eficácia" e "modernidade" (às custas de ônibus articulados e pistas exclusivas para ônibus, que, juntos, compõem o "sistema Bus Rapid Transit"), há um padrão de transporte coletivo que parecia moderno há 35 anos atrás, quando o Brasil vivia a ditadura militar e o neoliberalismo tecnocrático era uma "novidade" cujo auge já aconteceu, na década de 90, não só no Brasil como no mundo.

A defesa desse modelo de transporte coletivo se deve mais à permanência de seus beneficiários no poder político e tecnocrático do que ao sucesso do sistema. Até porque os vários equívocos, transtornos, protestos e até tragédias que acontecem em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e já no Rio de Janeiro, mostram a total falência do sistema. E, evidentemente, quem está no poder não quer admitir seu fracasso.

O gráfico acima é fictício, mas dá uma ideia de como se dá a relação entre a Secretaria de Transporte - seja da prefeitura, seja do órgão que controla o sistema intermunicipal - e as empresas de ônibus, num processo de concentração de poder do Estado, sob o sustento da iniciativa privada, que em nada contribui de concreto e de definitivo para o transporte coletivo.

Em primeiro lugar, a Secretaria de Transportes estabelece um padrão visual por serviços, dividindo os consórcios por zonas ou tipos de ônibus usados (se específicos, como micros ou articulados).

Esse padrão visual não é usado porque é bonitinho a empresa A e a empresa B circularem com pintura igualzinha, ou os ônibus da empresa A que servem a Zona Norte serem diferentes dos da mesma empresa que servem a Zona Oeste.

Nada disso.

O padrão visual expressa, por si só, a concentração de poder da Secretaria de Transporte, através de expressões como "cidade tal" ou "metropolitano".

O que mostra a diferença entre poder centralizado e poder eficaz. Nas capitais onde esse modelo é adotado, a partir de São Paulo e Curitiba - tidas como "bem sucedidas" e "tradicionais" - , a concentração de poder demonstrou não ser sinônimo de eficácia.

A Secretaria de Transportes cria uma empresa paraestatal - em São Paulo, tem a SPTrans, por exemplo - que controla o serviço de ônibus da cidade. Há também uma paraestatal para operar o transporte intermunicipal. Em Minas Gerais, há o DER-MG.

A diferença entre poder concentrado e poder eficaz se dá porque, no sistema tradicional de transporte coletivo - que não aposta em padronização visual nem em outros paliativos - , a Secretaria de Transportes tem, sim, um poder meramente regulador do transporte. Seu poder é o de fiscalizar.

A secretaria, no sistema tradicional, detém as concessões das linhas, dadas a cada empresa por licitação, mas dá a elas liberdade operacional, que é apenas fiscalizada. A intervenção só vem quando irregularidades sérias são cometidas.

No sistema "curitibanizado", não há liberdade operacional das empresas. A secretaria se comporta como um "pentelho", oficialmente ela diz ser mera reguladora do transporte, mas na prática ela controla o serviço de ônibus com poder de ferro.

RENOVAÇÃO DE FROTAS: NO MODELO "CURITIBANO", AS EMPRESAS FINANCIAM, MAS NÃO DECIDEM

Um dos pontos desconhecidos pela maioria dos busólogos é que, no modelo "curitibano" de ônibus, a renovação de frota é decidida pela secretaria, e não pelas empresas de ônibus.

"Como, se são as empresas de ônibus que compram os carros?", é a resposta comum.

O problema é que as empresas de ônibus apenas pagam os carros novos, mas quem decide pela renovação de frotas é a secretaria de transportes, mediante avaliação periódica das frotas.

Isso parece vantajoso, porque, em tese, vai cobrar da empresa que custa a renovar a frota a compra de novos carros. Mas, na prática, o que vemos é o contrário, a empresa que quer renovar sua frota mais rápido é que é intimada a adiar a renovação de frota para quando a secretaria achar "conveniente".

Por isso é que, em São Paulo e Curitiba, o que vemos é a prorrogação da "vida útil" dos ônibus, chegando a 14 anos, tornando os ônibus muito velhos.

O adiamento das renovações de frotas serve como propaganda política. Deixa-se a situação piorar e aí a prefeitura, de forma oportunista e cheia de pompa, anuncia uma "grandiosa" renovação de frota, apresentando seus carros novos em cerimônias oficiais.

Muitas vezes o discurso exagera, prometendo centenas e milhares de carros novos em um ano, mas tudo isso se dilui num prazo que se arrasta até em cinco anos para atingir a meta anunciada para apenas um ano.

O GRÁFICO - O exemplo fictício mostra o poder concentrado da Secretaria de Transportes, que se autoproclama "mera reguladora e fiscalizadora do transporte", mas demonstra ter poder centralizado.

A ela subordinam-se os consórcios privados, mas politicamente constituídos, em vez do natural agrupamento técnico por região de bairros.

O exemplo fictício, para efeito de estudo, enumerou três consórcios, destinados a cobrir três fatias de regiões de bairros determinadas pela Secretaria Municipal de Transportes (o exemplo usa o caso das linhas municipais).

O Consórcio 1 adota cor amarela, o Consórcio 2 adota azul e o Consórcio 3 adota lilás.

O Consórcio 1 conta com as empresas A, B, C e D como operadoras associadas, sempre ostentando no visual padronizado a expressão "Cidade Tal".

A empresa D também participa do Consórcio 2, o que faz ela adotar cor diferente para cada consórcio.

O Consórcio 2 tem ainda as empresas E, F, G e H como operadoras associadas.

A empresa H também opera no Consórcio 3, adotando portanto pintura diferente para cada consórcio.

O Consórcio 3 conta também com as operadoras associadas empresas I, J, K e L.

MAIS DESVANTAGENS DO QUE VANTAGENS

A retórica de "disciplina" e "eficácia" fez parte até do projeto da ditadura militar, anunciado em 1964. Portanto, não é bom superestimar tais ideias.

O modelo "curitibano" é mais desvantajoso que vantajoso, apesar da aparência de eficácia e modernidade, muitas vezes, falsa.

Entre várias desvantagens, ela sobrecarrega o controle pela Secretaria de Transportes que, com mais poder, não significa que o exerça com segurança e competência.

As empresas são submetidas ao fardamento visual - pintura padronizada - o que dificulta a identificação de cada empresa de ônibus, principalmente pelos passageiros das classes populares.

A identificação é dificultada também na hora de denunciar irregularidades. E também impede que qualquer empresa de ônibus promova sua imagem perante o público, "apagada" numa mesma pintura.

A sobrecarga do sistema faz com que problemas como redução das frotas, envelhecimento das mesmas, pressões de ordem profissional contra os rodoviários, falta de manutenção ou mesmo corrupção sejam mais difíceis de serem resolvidos.

Além disso, a "racionalidade" tecnocrática não é desculpa para manter esse modelo ou tentar desmentir seu desgaste. A realidade mostra o que Jaime Lerner e seguidores se recusam a ver, acomodados na sua vaidade político-tecnocrática.

Os fatos mostram o quanto é grave a concentração de poder das secretarias de transporte, dos interesses dos tecnocratas, enquanto os passageiros são vistos como mera plateia obrigada a aceitar decisões de cima para baixo supostamente voltadas ao interesse público.

Só que esse modelo já gera colapso violento nas suas cidades de origem, Curitiba e São Paulo. Será preciso que a gente mostre todo o desastre desse modelo para as autoridades internacionais e os dirigentes da FIFA e do COI?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

TRANSMIL PROMETE RENOVAR A FROTA



Diante de um relato de passageiros enfrentando mais um ônibus enguiçado da Transmil, um leitor mandou uma nota para O Globo falando dos problemas da empresa, sobretudo ar condicionado pifado, ônibus enguiçados e catracas sem leitor de cartão magnético.

Isso sem falar da dupla função de motorista que também cobra passagens, e do fato de até agora não haver um carro com acesso para deficientes físicos.

A novidade na nota é que o assessor da Turismo Trans1000 prometeu que haverá renovação de frota, com um total de 50 veículos que já foram encomendados e cuja chegada à frota está estimada em fevereiro próximo.

Não estamos aqui dizendo que a Transmil deva sumir do mapa ou coisa parecida. Mas, sejamos realistas, uma empresa que acumula dificuldades e transtornos de forma vergonhosa, vai reerguer assim feito Fênix?

Também é muito estranho o apego de determinados busólogos com a marca Transmil, independente deles quererem ou não alguma melhoria à empresa.

Sejamos objetivos. O texto foi bem-intencionado, a promessa do assessor deu uma injeção de ânimo, mas alguns detalhes devem ser averiguados.

1) A Transmil encomendou os 50 novos carros a quem? Às Carrocerias Marcopolo? À CAIO Induscar? À Neobus San Marino? Ou será que, mais uma vez, virão apenas restos de outras empresas do Grande Rio?

2) Será que somente 50 carros serão suficientes, lembrando que vários deles não serão para substituição, e sim para aumento de frota, continuando a circular parte dos carros velhos que precisam sair da frota imediatamente?

3) Que ritmo de renovação de frota a Transmil vai realizar? Será de três a cinco vezes por ano?

4) Os novos carros serão todos com acessos para deficientes, como determina a lei federal? E serão com os equipamentos funcionando em perfeita ordem?

5) A dupla função do motorista que cobra passagens será desfeita em definitivo, com a contratação de novos cobradores nos novos carros?

6) Quando a Turismo Trans1000 sairá do vermelho?

Independente de qualquer paixão ou indignação, é bom que tais perguntas sejam respondidas para que, aí, sim, os passageiros fiquem mais tranquilos.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

FROTA DE ÔNIBUS NÃO CRESCE HÁ CINCO ANOS EM SP



COMENTÁRIO DESTE BLOG: É bastante evidente o desgaste do padrão "curitibano" de ônibus, sobretudo em Curitiba e São Paulo. A "racionalidade" da diminuição das frotas de ônibus, sob o pretexto deles se tornarem mais rápidos em futuras vias exclusivas, é algo que se vê até na paisagem de fundo nos noticiários de São Paulo no Bom Dia Brasil e no Bom Dia São Paulo. E mostra o quanto um modelo tecnocrático de transporte coletivo, que ainda tem a arrogância de prevalecer até depois de 2016 (eu particularmente acho isso muito difícil), está em avançadíssima decadência, inclusive no Rio de Janeiro, quando sua implantação tem o verniz da "novidade".

Frota de ônibus não cresce há cinco anos em SP

Do jornal Metro

Mais lotados e mais caros. Dados da SPTrans, que administra o sistema de ônibus em São Paulo, mostram que a frota na cidade não cresce desde 2006, apesar do aumento no número de passageiros. E no preço. No dia 3, a tarifa subiu de R$ 2,70 para R$ 3, um reajuste de 11%.

São Paulo possui hoje 14,9 mil veículos no transporte público – mesma quantidade registrada em 2006. Já o número de passageiros cresceu 9,2%. No ano passado, 242 milhões usaram o sistema mensalmente. Há cinco anos, eram cerca de 221 milhões. De 2007 a 2008, o número de passageiros subiu 3%. Nos últimos dois anos, o aumento foi de apenas 1%. Segundo especialistas, se os ônibus fossem menos lotados e oferecessem um serviço melhor, o crescimento na quantidade de usuários seria bem maior. Enquanto isso, a frota de carros cresceu 30%.

Além de não investir no aumento da frota, a prefeitura também não cumpriu as metas estabelecidas para o setor. Nenhum dos 66 km de novos corredores exclusivos previstos para a cidade começou a operar. E dos 13 novos terminais urbanos prometidos, apenas um foi entregue.

A SPTrans diz que, apesar de a frota não crescer, os veículos estão sendo substituídos por modelos maiores, que comportam mais passageiros. De acordo com a empresa, há estudos para reorganizar o sistema e aumentar a velocidade dos coletivos.
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirma que não há previsão de aumentar a frota de ônibus da capital e que a prioridade é investir no metrô.

domingo, 9 de janeiro de 2011

EDUARDO PAES QUER PUNIR MOTORISTAS QUE CORREREM NO TRÂNSITO



Em total indiferença aos anseios e necessidades dos trabalhadores, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que, pelo jeito, não governa para os cariocas, mas para os turistas, para a Fifa e para o COI, quer punir os motoristas que correrem no trânsito.

Em vez de extimular uma campanha educativa e defensiva, Eduardo Paes investe no mesmo "moralismo" que se conhece na perseguição aos ambulantes, o que faz cair a máscara "progressista" desse demotucano enrustido.

A "moralidade" de Paes lembra muito a do presidente Fernando Collor que, querendo bancar o "líder eficaz", confiscou as poupanças dos brasileiros. Paes não chegou a isso, mas adota medidas impopulares e elitistas.

Sabemos que o trânsito é caótico e que, por outro lado, os motoristas são obrigados a cumprir rigorosamente os horários. Daí as arrancadas no trânsito. Os motoristas já contam com muitos problemas, principalmente quando desempenham a dupla função (quando atuam também como cobradores), e ainda terão que sofrer o peso da punição do demagógico prefeito?

Em vez de tamanha atitude, é preciso discutir a questão das cargas horárias e de outras questões relacionadas ao trabalho dos rodoviários. E, sobretudo, criar medidas para eliminar a dupla função, porque isso, além de estressar os motoristas, representa um risco para a vida dos passageiros por causa da sobrecarga profissional que atinge psicologicamente os motoristas.

sábado, 8 de janeiro de 2011

ENQUETE DA NOVACAP INDICA REJEIÇÃO À PADRONIZAÇÃO VISUAL



O sítio da Viação Novacap, tradicional empresa carioca, fez uma pesquisa perguntando se o internauta aprova ou não a padronização visual adotada pelos ônibus cariocas.

Até agora, o resultado deu um pouco menos que 1/3 dos pesquisados a favor da medida, enquanto um pouco mais de 2/3 reprova a mesma.

Além disso, em dois meses de implantada, ainda são poucos os carros com o visual padronizado que circulam no Rio de Janeiro, correspondendo a uma média de dois carros por empresa.

A medida arbitrária ainda ameaça ser implantada em 2013 para as linhas intermunicipais, causando um verdadeiro colapso no transporte coletivo.

Em todo caso, vale mostrar, por extenso, o endereço da petição contra a padronização visual dos ônibus, como forma de qualquer um que estiver na busca do Google participe e chame seus amigos para fazer o mesmo. O endereço é claramente este:

http://www.petitiononline.com/alexfig2/petition.html

Seguem as palavras-chave que servirão de chamamento para o pessoal entrar no linque da petição.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

BUSÓLOGO ESQUENTADINHO MANDOU MENSAGEM



Um busólogo esquentadinho, querendo desfazer este blog, mandou mensagem reprovando a utilização de uma foto retirada de outro fotolog, e ainda ironizou dizendo que nós nos apropriamos de uma pauta desse fotolog, chamando o autor do mesmo de "piadista".

O arrogante busólogo, demonstrando estar completamente desinformado das coisas, não sabe que sou jornalista e que nunca pego fotos alheias para me apossar delas. Pego a título de informação. Tanto que elas aparecem nos seus créditos originais, seja no próprio arquivo, seja nas citações do texto.

Esse infeliz costume de fulano pedir para outro retirar suas fotos só por um tolo motivo de discordância, além de mostrar o claro caráter censor de alguns busólogos, comete o sério risco de mutilar fotologs. Imagine se o busólogo X foi o único a tirar fotos de tal ônibus. Se eu usar as fotos dele, não estarei me apropriando de seu acervo, uso as mesmas a título de informação. Mas a fúria por discordâncias tolas, aumentadas por paixões cegas, pode botar a missão informativa a perder.

Se seguisse o raciocínio equivocado do tal busólogo, certamente ele teria que condenar as emissoras de televisão, que usam imagens da CNN e outros canais de notícias para mandar seus informes. E o rapaz teria que condenar também os jornais populares, distribuídos gratuitamente, porque usam fotos retiradas da Internet.

Se fosse nos tempos da imprensa escrita, então, isso seria o mesmo que picotar e mutilar jornais, forçando a reimpressão onerosa, tudo porque fulano pediu para retirar a foto tal por causa de uma discordância com o dono do jornal. Assim não dá.

O que ele acharia se eu lhe dissesse para ele então me comprar uma máquina fotográfica digital, novinha, e me enviasse pelo correio, via Sedex, porque minha máquina fotográfica pifou, e me pagasse as viagens de ônibus que eu precisasse para tirar minhas próprias fotos?

A indelicadeza desse busólogo tem retorno. E não sou eu que darei, mas ele mesmo quem dará, com seu temperamento de pavio curto, que em si só estabelece o preço de sua conta.

É como diz o ditado: "Quando a cabeça esquenta demais, o pé fica demasiado frio".

Quanto a mim, estou com a consciência tranquila.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

TRANS1000: EXTINÇÃO NÃO ESTÁ DESCARTADA



SE DEPENDER DO CASO, O NOVO ADMINISTRADOR PODE ATÉ MESMO EXTINGUIR A MARCA "TRANS1000", DESGASTADA NO MERCADO.

A Turismo Trans1000, conhecida por seus gravíssimos problemas, aparentemente tenta resolver sua crise.

Alguns procedimentos acontecem, como a colocação de estofados amarelos em bancos especiais para gestantes, idosos e deficientes, e a mudança dos letreiros para o padrão nacional de lona, com fundo branco e créditos em cor verde.

Mas tudo isso ainda é insuficiente com uma frota que praticamente se congelou, sem renovação real há quatro anos, e sem a reposição de carros usados há dois.

Chegou-se ao ponto da empresa não poder comprar sequer carros de segunda mão, mas de terceira ou quarta, e quase todos os modelos dos carros de sua frota estão fora de fabricação há pelo menos três anos.

Além do mais, até agora não se cumpriu, na frota da Transmil, a exigência maior de adquirir ônibus com acesso para deficientes físicos. Há casos de uma moça que mora em Nilópolis e tem dificuldades para entrar nos ônibus, além da insegurança de viajar nos mesmos, na falta de assentos e equipamentos necessários de acesso e apoio.

Fala-se do sonho de reerguer a Transmil. Mas cria-se uma polêmica séria, com pessoas dizendo que não haverá comprador, enquanto outros falam na necessidade de uma nova administração da empresa.

Todavia, com vários processos judiciais, muitos de ordem trabalhista, ainda pendentes, enquanto outros relacionados à documentação vêm à tona - vários ônibus aliás ainda circulam com a chapa creditada ao município do Rio de Janeiro - , a situação dramática da empresa terá que ter um desfecho, e ele pode não ser agradável para os fãs da empresa.

Pois nada impede que a nova administração possa extinguir a marca Trans1000, bastante desgastada no mercado. As mais conceituadas teorias da Administração já atentam para o sumiço de uma marca que demonstrou ser deficiente no mercado. Recentemente, a rede de supermercados Sendas desapareceu substituída por marcas tradicionais do Grupo Pão de Açúcar, como Supermercados Extra e Supermercados Pão de Açúcar.

Infelizmente, lidam-se com paixões, gente defendendo a permanência da Transmil a qualquer preço. Ainda que seja na situação deficitária em que está, ou acreditando em mudanças que nunca se sabe quando ocorrerão.

São pessoas que pensam mais nas memórias da infância, quando a Transmil tinha até frota rodoviária. De certo, foram grandes tempos, mas é muito difícil que eles voltem a ocorrer.

Afinal, o que está em jogo é o futuro dos rodoviários da empresa. Afinal, que adianta a empresa manter-se em circulação se, nos bastidores, os funcionários são obrigados a lidar com ônibus velhos e ainda sucateados, com salários atrasados, péssimas condições de trabalho etc? Será que os fãs da Transmil não se preocupam com o fato de que, em vários ônibus, os motoristas desempenham a dupla função?

No Natal passado, eu e minha família pegamos um ônibus com o da foto acima. A grade do ar condicionado, no interior do ônibus, estava podre de tão enferrujada. O ônibus estava muito barulhento e o motorista desempenhava dupla função: dirigia o veículo e cobrava passagens.

Imagine o drama desse motorista. Ele tem que dobrar o raciocínio conduzindo o ônibus em avenidas movimentadas (Rodrigues Alves, Brasil e Dutra), tentando acertar o troco de cada passagem recebida, e junte-se a isso a irritação que ele tem com o barulho ensurdecedor do veículo, por sinal muito velho.

O ar condicionado estava ligado, mas meu irmão, que já sentia um mal estar, preferiu abrir a janela, que não estava travada, vendo que o ar condicionado poderia estar sujo, infectado, além do gradeado totalmente enferrujado.

Esse é o drama que os defensores da Transmil desconhecem. E mostra o quadro kafkiano que muitas vezes acontece no país, e no qual a busologia não escapa. Até porque é de assustar que exista todo o drama que algumas pessoas fazem quando se fala na decadência da Turismo Trans1000, não admitindo a realidade de uma empresa à beira da falência.

Afinal, nunca se defendeu a permanência de uma empresa deficitária com tanto empenho. É certo que alguns são bem intencionados, mas o que fazer numa situação dramática? Como achar que um doente em estado terminal vai voltar ao vigor físico dentro de alguns meses? Manter a Transmil nas ruas vai, por si só, trazer esperança para seus empregados? Não vai.

É impossível que o caso Transmil se resolva sem que um administrador intervenha com um bom investimento. Não é qualquer Zé do Pau que vai resolver um pepino desses. Mas houve gente que não gostou quando eu disse que só um Eike Batista da vida poderia resolver com folga os problemas da empresa. Achavam que eu estava ironizando. Não estava. É sério.

Quanto à nova administração, até eu creio ser viável, mas dependendo do caso isso pode significar a extinção da Trans1000, o que não deixará de representar socorro para seus empregados.

Afinal, uma coisa é certa. É melhor uma empresa ser extinta e ter seus problemas resolvidos devidamente na justiça do que ela ficar nessa indefinição.

domingo, 2 de janeiro de 2011

SUPERCARIOCA DEIXA DE EXIBIR ÔNIBUS MUNICIPAIS DO RJ


FOTOS DA IGREJA DA PENHA INAUGURAM NOVA FASE DO FOTOLOG, QUE NÃO PUBLICARÁ NOVAS FOTOS DE ÔNIBUS DA CIDADE DO RIO.

O fotolog Supercarioca - http://supercarioca.fotopages.com - cumpriu a promessa e encerrou a exibição de ônibus municipais da cidade do Rio de Janeiro no final do ano passado.

Diante da repintura das frotas cariocas para o padrão uniformizado determinado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, o sítio Supercarioca não exibirá os novos ônibus municipais, mudando sua política de publicação de fotos, conforme o previsto.

Dessa forma, o Supercarioca exibirá apenas ônibus municipais antigos, ônibus rodoviários interestaduais e intermunicipais que atendem à Cidade Maravilhosa, ônibus de fretamento com sede no município. Além disso, serão exibidas paisagens cariocas e montagens reconstitutivas de ônibus que existiram nas frotas municipais.

Também serão exibidas fotos de ônibus postos à venda que foram das frotas das empresas de ônibus da cidade.
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