quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

APÓS 22 ANOS, LINHA SOTEROPOLITANA ABANDONA POOL



Algo novo ocorre em Salvador. Se, nas Comunicações, já existe o Conselho Estadual de Comunicação para limitar os abusos da mídia, e deputados já se empenham para tentar frear os abusos da "cultura" popularesca local, que não obstante promove valores machistas e outras baixarias, nos Transportes parece que a coisa começa a se arrumar, aos poucos.

A Barramar muda de estampa para uma mais criativa que a anterior (que já era bela), o que pode contribuir para o fim do "branquinho básico" das demais empresas, que correrão atrás para adotar também um belo visual.

Os micro-ônibus praticamente desapareceram, com exceção dos chamados "amarelinhos". Mas nada impede que os "amarelinhos" de hoje possam se evoluir para os midis de amanhã. Mas as linhas regulares agora só operam com ônibus grandes, o que diminui o sofrimento nos horários de maior lotação.

A pulverização e o "pool" começam a ser desfeitos aos poucos. A Praia Grande Transportes deixa a linha 0508 Cosme de Farias / Lapa, se concentrando no subúrbio ferroviário. Outras empresas começam a mexer os "pauzinhos" e também começam a diminuir as disparidades de áreas por empresas, gradualmente.

O destaque é a linha 0220 Ribeira / Sabino Silva, que parecia um "pool" irremediável, embora evidentemente ineficaz. Tendo sido linha dividida entre a Vibemsa e a Campo Grande, depois Ondina e Campo Grande, Ondina e Sul América, Ondina e Omni e nos últimos dez anos Rio Vermelho e Praia Grande, a linha agora está 100% com a Viação Rio Vermelho.

É algo para comemorar, porque o ideal é uma linha de ônibus ficar com apenas uma empresa, porque assim há maiores responsabilidades e mais segurança para os passageiros reclamarem de algum transtorno ocorrido.

O que admira também, em Salvador, é que uma nova geração de busólogos - Eduardo Lima, Rodrigo Chiclete, Felipe Pessoa, Franz Hecher e outros - se destaca pela humildade e pela descontração, além das belíssimas fotos.

Ainda há muito o que mudar em Salvador, mas já é ótimo que as primeiras mudanças já estejam acontecendo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

VAMOS MANTER A CORRENTE PARA A FRENTE!!










Vamos torcer para a Transportes Blanco pegar o setor Mesquita X Rio da Turismo Trans1000. Vamos assinar a petição - http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N10041 - e agir em favor da população de Nilópolis e Mesquita, que não aguenta mais os arbítrios cometidos pela Transmil, que, ainda por cima, atrasa os vencimentos e encargos dos funcionários.

Aqui temos uma galeria de fotos com a Blanco na linha 005 Mesquita / Praça Mauá, um sonho que, dependendo das manifestações populares, pode se tornar real.

Sítio FORA TRANSMIL - http://foratrans1000.blogspot.com/.

sábado, 17 de dezembro de 2011

INGÁ COM MUITAS MUDANÇAS



Novidades em torno da Auto Lotação Ingá, tradicional empresa de Niterói.

A empresa está em processo de uma leve mudança no seu visual, com a frota convencional substituindo, nos pára-choques, a cor preta pelo azul celeste da "saia". A mudança está em andamento gradual, mas se vê o reflexo da bela alteração nos carros municipais e intermunicipais, pois a cor preta comprometia a beleza do desenho, e a mudança foi bastante positiva.

A Ingá também colocou cinco carros da Neobus Mega IV com ar na linha 731D Charitas / Castelo (via Des. Lima Castro / Fonseca), que pertenciam à frota da Baixada Fluminense.

Essa mudança também traz outras, que é a perda das ações da Ingá na Viação Caravele (não se sabe se a perda foi total ou parcial) para a baiana Camurujipe, que comprou a empresa da Baixada Fluminense, que terá outra pintura, baseada na concepção da empresa de São Félix (Recôncavo Baiano).

Sabe-se também que a Ingá deixará as linhas da Baixada, pois a parte dela será transferida para a Caravele.

Mas a maior mudança da Auto Lotação Ingá está na aquisição de cinco carros da Comil Campione, motor Mercedes-Benz OF-1722, com ar condicionado. Consta-se que virão também Comil Svelto urbanos no próximo ano.

Com tudo isso, a empresa de Niterói promete ser um dos destaques para 2012.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

INCÊNDIOS ENVOLVEM ÔNIBUS EM SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO



Mais um fato põe em xeque o modelo de transporte coletivo adotado em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e outras.

A concentração de poder nas secretarias de transporte, a camisa-de-força política dos consórcios envolvem a pressão pela "qualidade total" (dentro dos padrões injustos do neoliberalismo administrativo) que não obstante causa problemas de saúde nos motoristas em pleno trabalho, o que pode causar acidentes sérios.

Por outro lado, as empresas, sufocadas pelo poderio estatal que, em vez de apenas fiscalizar, manda e desmanda no transporte, acabam deixando de fazer a manutenção necessária nos ônibus, o que faz com que, em certos casos, ocorra incêndios.

No último dia 11, houve um incêndio envolvendo um ônibus da Translitorânea Turística, linha 315 (Central / Recreio - Via Linha Amarela), no trecho da Linha Amarela (Av. Gov. Carlos Lacerda) próximo ao Túnel da Covança, na altura de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Hoje foi a vez de um ônibus da Viação Campo Belo, linha 5118/10 Terminal João Dias / Largo São Francisco, na altura do Morumbi, Zona Sul de São Paulo.

Nota-se que em modelos de administração do transporte coletivo desse porte, cuja "vitrine" é o visual padronizado dos ônibus, camuflando as empresas para não haver reconhecimento dos passageiros, há maior ocorrência de acidentes, males súbitos de motoristas, atrasos nos ônibus etc.

Tudo porque a base dessa administração é tecnocrática, onde o interesse político e técnico nem sempre estão de acordo com o interesse público, embora teoricamente se afirmem "em nome dele".

E, a cada dia, fatos inúmeros e de diversos aspectos mostram o quanto esse esquema está decadente, apesar dele continuar prevalecendo nas políticas para o transporte e serem defendidos por "elites" de busólogos atrelados ao poderio político.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PRODUTORES DE "A GRANDE FAMÍLIA" SÃO CONTRA PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS DO RJ



Quem observa o seriado A Grande Família, da Rede Globo de Televisão, deve observar que a edição de imagens em back projection usadas no seriado ainda mostra ônibus com visual diversificado, sobretudo com ônibus mais antigos.

Só raramente ônibus com visual padronizado aparecem no seriado, isso quando não há outra alternativa. Mas nota-se que os ônibus diversificados aparecem até mesmo num fictício micro-ônibus que teria feito parte da frota da Transportes Santa Maria.

A atitude da produção do seriado destoa da de outros seriados - como Entre Tapas e Beijos, numa contrastante clipe que toca uma música de Jorge Veiga para mostrar os ônibus padronizados que nada têm a ver com os "bons tempos" do Rio - e até da novela Fina Estampa, que mostram com desenvoltura e até certo orgulho o visual "buscopan" dos ônibus cariocas.

Portanto, certamente Lineu Silva gostaria muito de mover uma ação popular contra a Prefeitura do Rio de Janeiro, para derrubar a padronização visual que confunde os passageiros. E nem o Agostinho Carrera seria capaz de tanta malandragem assim com o povo do Rio.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

VÍDEO DE DESPEDIDA DA TRANSMIL

Vídeo de despedida da Turismo Trans1000, de Mesquita (RJ), recém publicado no YouTube. Com a "Valsa da Despedida" (Robert Burns - versão João de Barro), com Francisco Alves e Dalva de Oliveira.

(Outro vídeo foi publicado no lugar, sem as fotos que foram retiradas a pedido do seu autor)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"CURITIBANIZAÇÃO" DOS ÔNIBUS AFETA SAÚDE DOS MOTORISTAS



O modelo tecnocrático de transporte coletivo, que também é conhecido como "curitibanização" por sua origem ter sido na capital paranaense, mostra o quanto é decadente até mesmo nas relações de trabalho.

Pois vários casos de "mal súbito" atingem os motoristas, devido às pressões violentas que esse sistema, expresso pelo poder concentrado das Secretarias de Transporte (municipais ou metropolitanas) sobre o sistema de ônibus, e que provocam acidentes ou transtornos que geram tragédias.

Ou seja, esse "maravilhoso" sistema de transporte mata passageiros e motoristas, e vamos ver quantos serão os mortos e os ônibus danificados a ocorrerem no Rio de Janeiro.

Pois em São Paulo, do qual a prefeitura do Rio se inspira para implantar seu "novo" sistema, um motorista de quase 60 anos teve um mal súbito e provocou um acidente em Sapopemba, bairro da Zona Leste da capital paulista. Com o problema de saúde, o motorista provocou um acidente que irritou os passageiros.

Estes, indo para um "baile funk", ficaram revoltados e lincharam o motorista até a morte, e depois depredaram o veículo e praticaram alguns assaltos. Isso tudo na noite do último sábado, 26 de novembro.

Esses transtornos mostram para certos busólogos-pelegos que não vivemos mais nos tempos do AI-5, não cabendo mais esse "golpe de 1964" busólogo que sacrifica tanta gente.

domingo, 27 de novembro de 2011

TRANSMIL: ESTRESSE DE FUNCIONÁRIOS APONTA AGRAVAMENTO DA CRISE


RENOVAÇÃO?! - Anunciada como compra de reforço para ampliar a frota Transmil, carros velhos da Neobus Mega 2006, só serviram para substituir Senior Midi que eram os únicos em estado razoável. Quanto aos carros novos, nada.

O mau humor dos funcionários da Turismo Trans1000, numa praça de Mesquita que serve de ponto para suas linhas, diz muito mais do que qualquer declaração oficial sobre a situação da empresa, que vive o momento mais crítico de sua crise.

Os funcionários eram conhecidos por sua simpatia e cordialidade, e até tentam ser, mas o estresse de trabalhar numa empresa altamente deficitária, sem uma digna remuneração, faz com que sua irritabilidade tenha sentido.

Afinal, eles têm que explicar, todo mês, para seus familiares o por que dos salários atrasarem, e isso reflete em contas que têm que ser pagas com empréstimos, já que a remuneração só chega em parte nas suas mãos. Isso quando chega, porque a presença da Transmil em vários processos trabalhistas mostra o quanto ela deve a seus trabalhadores, daí a irritação dos funcionários.

SITUAÇÃO É PARA PERDA DE CONCESSÃO

Um advogado havia estabelecido até este mês o prazo para a Transmil comprar carros novos ou pelo menos semi-novos em razoável estado, caso contrário perderia concessão de suas linhas.

No entanto, a empresa só comprou 20 carros curtos e velhos, com idade útil de cinco anos, e que em parte já vão para linhas longas e, em tese, de grande demanda. Em tese, porque os passageiros cada vez mais fogem da Transmil, aproveitando o bilhete único para fazer baldeação em ônibus de outras empresas.

Os ônibus, anunciados como "reforço de ampliação de frota", na verdade substituíram os únicos carros que tinham algum estado de conservação na empresa, os micrões da Marcopolo Senior Midi, alguns deles já vendidos para a Transportes Blanco que deu uma recauchutada boa neles (o Lata Velha do Luciano Huck perde).

Além disso, é cada vez pior a frota de ônibus de Mesquita, cujas três linhas (478, 005 e 479B) se reduzem hoje a duas (478 e 005) muito mal servidas. Em uma hora de viagem entre a Praça Mauá e o Trevo das Margaridas, em Irajá, que incluem as avenidas Rodrigues Alves, Rio de Janeiro e Brasil, não se vê mais do que oito carros da Transmil indo e vindo de Mesquita, nos dois sentidos. Isso levando em conta as duas linhas envolvidas.

DESTAQUE NEGATIVO

Mas mesmo as linhas mais "bem servidas" da Transmil, a 003 Nilópolis / Passeio e a 479 Nova Iguaçu / Parada de Lucas, a empresa mostra-se extremamente decadente.

Há ônibus com ar condicionado desligado ou, quando funciona, está fraco ou enferrujado. Os ônibus, lotados nos horários de pico, não aguentam tanta gente. E constantemente enguiçam no meio do caminho, fazendo os passageiros perderem tempo e paciência.

Nota-se, quando se está no centro do Rio, que, se a Turismo Transmil quer ter algum destaque, ele é bastante negativo. Nota-se a diferença, para menos, quando se vê os ônibus da empresa sujos, velhos, com lataria amassada, diante de outros ônibus.

"FÃ-CLUBE" ESTRANHO

Mas o que estranha mesmo, junto à persistência da atividade de uma empresa ruim, é a minoria barulhenta de seus defensores, que, embora não admitam, parecem tratar a busologia como se fosse um cinema trash: quando pior, melhor.

São pessoas que acham que a Transmil, pasmem, é "uma das melhores empresas da Baixada". Uns acreditam que a empresa irá reviver os áureos tempos. Outros, mais politicamente corretos, "admitem" que a Transmil não vive dias melhores, mas "se esforça para se recuperar".

Em todos os casos, porém, são pessoas indiferentes aos dramas de passageiros e rodoviários, embora digam que "também pensam no sofrimento deles". Isso porque, para essa minoria de busólogos, tanto faz a Transmil se arrastar em promessas vãs, em medidas paliativas, quando não chega sequer à sombra do que a empresa foi no passado.

A decadência da Transmil é irreversível. Mas nenhuma medida é feita para tirar a empresa de circulação. Por que será? Politicagem? Algum "peixe grande" por trás dos "modestos" proprietários da Transmil? Só uma reportagem investigativa para verificar o por que de uma empresa tão ruim continuar circulando e mantendo os mesmíssimos problemas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

RJ: PERIMETRAL SERÁ DESTRUÍDA ATÉ 2015


PRAÇA MAUÁ, HÁ 50 ANOS ATRÁS - Lugar voltará a ficar a céu aberto.

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que o Viaduto da Perimetral, via expressa que liga a Av. Brasil ao Aeroporto Santos Dumont, será demolido até 2015.

As obras estão previstas para começarem em 2013, porque, segundo os técnicos, será preciso construir primeiro os acessos no entorno do Santo Cristo, incluindo um túnel conhecido como Binário.

A Av. Rodrigues Alves sofrerá obras, na primeira etapa, no trecho entre a Rodoviária Novo Rio e o Mosteiro de São Bento. Está prevista uma outra avenida paralela para desafogar o tráfego. Será nesse local a primeira fase de demolição do viaduto, que depois envolverá o trecho próximo ao Hospital Central da Marinha até a Av. Pres. Vargas.

A princípio, será mantido o trecho mais recente do viaduto, entre a Av. Pres. Vargas e a Av. Gen. Justo, junto ao Aeroporto Santos Dumont. O trecho foi o último da Perimetral a ser inaugurado, em 1962. Suas obras em 1961 fizeram com que linhas que passam na Av. Alfred Agache - como a 25 Jacaré / Ipanema, hoje 474 Jacaré / Jardim de Alah - fossem deslocadas para ruas no Castelo.

No entanto, até esse trecho será demolido. Mas será na última etapa, em 2015, quando a paisagem carioca ficará livre do polêmico viaduto que, segundo muitos especialistas e até intelectuais da cultura carioca, tirou a beleza da Zona Portuária do Rio de Janeiro, e transformou seus entornos em ambientes sombrios propícios para a marginalidade.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PADRONIZAÇÃO VISUAL ESTIMULA POLUIÇÃO VISUAL



Contrariando os mitos que os defensores da padronização visual dos ônibus tanto dizem, a padronização visual dos ônibus brasileiros praticamente estimula a poluição visual dos ônibus, desnorteando os passageiros mais comuns.

É bom deixar claro que nem todo mundo tem essa facilidade quase automática de busólogos-pelegos em reconhecer os ônibus até na cabra-cega ou no amontoado de empresas diferentes com a mesma pintura.

Temos gestantes, idosos, deficientes físicos, que não podem ter a atenção para diferir, nas ruas do Rio de Janeiro, o que é uma Acari ou uma Matias, uma Bangu ou uma Pégaso, uma Braso Lisboa ou uma Real, uma Caprichosa ou uma Futuro. Da mesma forma que existem semi-analfabetos que reconhecem a empresa pela cor e se confundem facilmente.

Mas mesmo pessoas com muitas tarefas para fazer, de office-boys cheios de documentos e carnês para pagar até professores com aulas complexas para preparar para os alunos, que podem reconhecer facilmente um ônibus, não deixam de estarem sujeitos à confusão.

Só que não se trata de apenas confundir o visual padronizado. A questão piora cada vez mais quando se vê que as informações de consórcio, do complexo e confuso número do carro - em que um B75560 pode ser confundido por um D87560, ou um D53565 por um D58565 - e do nome da empresa em letras miúdas.

Em São Paulo, no entanto, a poluição envolve o logotipo do consórcio, o nome miúdo da empresa e outras informações que são amontoadas no ônibus, de forma a não serem reconhecidos de longe pelo passageiro.

A única coisa que se reconhece, dessa "salada" de palavras e números, é o logotipo da prefeitura da capital paulista, que é o propósito maior dessa padronização visual: criar uma imagem que não é a da empresa que serve a linha, mas a do poder político que intervém, de forma autoritária e tecnocrática, no transporte coletivo, sem benefícios reais para os passageiros.

domingo, 6 de novembro de 2011

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS DO RJ NÃO CHEGARÁ A 20 ANOS


VERDUN E MATIAS IGUAIZINHOS - Visual padronizado não traz vantagens reais para os passageiros.

O texto em questão pode parecer um absurdo hoje, mas pensando a longo prazo, verá que faz um bom sentido.

Pois o que se anuncia é que é muito pouco provável que a padronização visual adotada nos ônibus do Rio de Janeiro irá durar os vinte anos previstos para os consórcios. A medida pode até estar sendo tolerada pela maioria da população, mas apoio ela não recebe mesmo.

A medida, comprovadamente, está mostrando as desvantagens do visual igualzinho de várias empresas, que confunde os passageiros que não podem mais reconhecer os ônibus de longe. Além disso, também não há a menor graça "rachar" uma mesma empresa de ônibus em dois consórcios, o que aumenta ainda mais a confusão.

A medida só "prevalece" hoje porque, em nossa política, ainda vivemos a herança do regime militar e dos aliados civis que, tempos atrás, constituíram no grupo político que sustentou os governos Collor e FHC.

É bom deixar claro que o pai da "padronização visual" nos ônibus brasileiros, Jaime Lerner, é ideologicamente herdeiro do regime militar e se formou na UFPR do reitor e depois ministro de Castelo Branco, Suplicy de Lacerda, artífice de medidas que revoltaram o movimento estudantil.

A medida, arbitrária e feita à revelia da população, da padronização visual dos ônibus cariocas, só satisfaz uma minoria de busólogos que ficou com o privilégio exclusivo de reconhecer a "diferença" de uma Verdun e uma City Rio, de uma Braso Lisboa e uma Real, de uma Bangu e uma Campo Grande. A medida criou uma espécie de joguinho para esses arautos da vaidade pessoal sobre rodas.

Vale lembrar, todavia, que nem todos os busólogos que fotografam ônibus com visual padronizado estejam realmente a favor da medida. Há muitos contra que, mesmo assim, fotografam ônibus padronizados pela simples função de informar. Se nem o designer Armando Villela (Villela Design), em que pese ter bolado as padronizações visuais para Belo Horizonte, Vitória e Manaus, apoia a padronização visual, muitos busólogos também não apoiam.

Um desses busólogos, com muitos anos de experiência, como protesto decidiu trocar os dados de empresas de ônibus por causa do visual padronizado num sítio virtual de ônibus. Colocando o número correto do carro, o busólogo no entanto dá o crédito diferente de empresa, para protestar. Como, por exemplo, creditar um carro da Viação Andorinha com o nome da empresa mudado para Rio Rotas.

A arrogância de busólogos-pelegos, autoridades e tecnocratas do transporte, certamente, não irá acreditar neste texto, achando que o que vai acontecer é só a "mudança de design" na padronização visual. Mas, do jeito que a opinião pública hoje evolui, em que uma multiplicidade de questões diversas da sociedade são difundidas e discutidas amplamente, é bom se prepararem para quando a causa deles perder totalmente o sentido.

Ninguém imaginava, por exemplo, em 1994, que o grupo político de Fernando Henrique Cardoso perderia todas em 2010. Fale em 1997 que FH e seus aliados não iriam ficar no Planalto em 2010, e você logo receberia um comentário agressivo de um internauta irritado, que muito provavelmente perguntaria em que planeta você vive.

Fernando Henrique Cardoso deixou a Plataforma P-36 da Petrobras sofrer uma tragédia, chamou os aposentados de "vagabundos", e aparentemente "ganhou todas" em 2000. Certamente achando que sobreviveria vitorioso em 2014, ano dos 20 anos do Plano Real, em que tudo parecia indicar o triunfo "definitivo" do grupo demotucano.

A ditadura militar que tentou "padronizar" os corações e mentes dos brasileiros durou 21 anos achando que ultrapassaria a barreira do século. Fale para os generais, em 1969, que a ditadura militar encerraria em 1985 e você seria preso e torturado, para não dizer morto e jogado na vala como carne podre.

A Folha de São Paulo, ícone da imprensa reacionária, tentou "padronizar" a opinião pública com o Projeto Folha, em 1984, com Otávio Frias Filho acreditando ser ele mesmo um Moisés moderno, no sentido de definir os mandamentos da humanidade brasileira. A FSP parecia ter uma reputação inabalável, quase que um totem impresso. Mas hoje a reputação do jornal paulista se encontra seriamente abalada, até nos tribunais.

Mas fale para algum chefão da Folha, em 1994, que o jornal seria parodiado por uma dupla de humoristas, que o periódico seria visto como reacionário e o nome "Folha" faria um trocadilho maldoso com a palavra "falha" e a resposta mais provável será esta: "Não sei do que você está falando. A Folha é a imprensa na mais alta definição. Somos a vanguarda do futuro, não creio que cometamos grandes erros".

As coisas mudam, e o que se vê, nas ruas, é o fracasso de todo um modelo de transporte coletivo do qual a padronização visual é seu carro-chefe. Nas ruas cariocas, o que se vê são ônibus facilmente enguiçados, carros semi-novos mal-conservados, ônibus circulando com lataria amassada, males que se vê até mesmo em empresas antes respeitáveis como Real, Matias, Pégaso e Lourdes.

Não é invenção, não. Basta dar um passeio de ônibus nas principais avenidas e ver que isso nem de longe é papo furado. Já vi lataria amassada anteontem em carros como 53648 (Campo Grande), 58080 (Lourdes) e 27509 (Vila Isabel). Já vi carros da Matias, Lourdes e Real chacoalhando feito carro de entulho, carros que nem chegam a ter três anos de fabricação.

Os passageiros também quebram a cabeça agora para ver se não pegam ônibus errado. Seria no mínimo cinismo e cara-de-pau achar que isso vai durar 20 anos ou mais ou que vai resolver com paliativos sem necessidade. Não vai.

A padronização visual é uma medida que se desgasta. Ela é herança da ditadura militar, cujos herdeiros civis (a ditadura também teve apoio de parte da sociedade civil) até hoje estão no poder, que queria ver o Estado controlando politicamente o transporte coletivo.

Essa lógica do transporte coletivo, tecnocrática e autoritária, se vende como "nova" mas se trata de algo velho e antiquado, até porque seus responsáveis se encontram no auge do poder político e técnico.

Talvez a medida se segure até 2016, com muitos artifícios como abrigos futuristas e compras tendenciosas de carros novos, com direito a festinhas e alarde na imprensa. Mas é muito difícil que, com o amadurecimento da opinião pública, cada vez mais avançando no senso crítico, a gente veja ônibus cariocas com visual padronizado daqui a 20 anos. Até lá, todas as suas desvantagens serão reconhecidas e todos os paliativos testados em vão.

O futuro se mostrou, desde que a humanidade é humanidade, que não é o plágio do presente e que pode transformar em castelos de areia ideias dominantes que parecem sólidas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

É ESSE O "MODERNO" TRANSPORTE QUE PREVALECERÁ EM 2014?




A concentração de poder dos secretários de transportes sobre o serviço de ônibus em cada cidade ou região metropolitana já começa a pôr em xeque. São Paulo torna-se um dos recordistas em acidentes, o que mostra o quanto a SPTrans, embora tenha maior poder sobre as empresas de ônibus, não têm muito fôlego para cuidar do sistema de ônibus da maior cidade da América Latina.

Hoje houve mais um dos inúmeros acidentes ocorridos na capital paulista. Pelo menos sete pessoas ficaram feridas na batida de dois ônibus - um deles da Marcopolo Torino LN - na Av. Celso Garcia, no bairro do Belém, Zona Leste da cidade. Aliás, é justamente o consórcio dessa zona de bairros que, segundo o jornalista Adamo Bazani, é onde há maior corrupção nas empresas de ônibus, mascarada pela padronização visual.

É justamente o sistema de ônibus de São Paulo que inspirou diretamente o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a fazer o mesmo com os ônibus cariocas, fardados com o tal "visual padronizado", controlados a mão de ferro pelo secretário de Transportes Alexandre Sansão e o resultado pode ser visto nas ruas, com muitos ônibus enguiçados, vários deles com apenas poucos meses de fabricação.

A coisa também estava ficando feia em Curitiba, quando o colapso foi anunciado por rodoviários e até especialistas. Alguns acidentes trágicos até ocorreram. Mas aí veio a festa paliativa das gigantescas compras de carros novos (será que tem lavagem de dinheiro por aí?), para salvar a pele de Jaime Lerner para, ao menos, a copa de 2014.

Em Teresina, também veio a compra tendenciosa de carros Volvo, pois motor sueco é muito usado para esse modelo tecnocrático de transporte não como promoção de qualidade no serviço, mas como sensacionalismo para fazer notícia nas revistas e outros periódicos de transporte do Brasil e do mundo.

Tudo isso para que o passageiro sinta maior "conforto" na hora de pegar um ônibus errado. Se é para os passageiros de ônibus sofrerem com os ônibus fardados de empresas cujos nomes são ocultos ou ofuscados, então que sofra "com categoria". Para garantir a vaidade dos tecnocratas e políticos que se beneficiam com esse modelo de transporte herdado da ditadura militar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

COM PROBLEMAS TÉCNICOS, FOTOPAGES NÃO CONSEGUE EXIBIR FOTOS



O portal Fotopages, que hospeda fotologs, não consegue exibir fotos. Vários fotologs, sobretudo dedicados à busologia, apresentam problemas de exibição de fotos carregadas dentro do portal. Apenas aqueles que utilizam links de fotos de outros serviços, como o Photobucket, conseguem exibir fotos.

O problema técnico ocorre desde o último fim de semana e atinge a todos. Fotologs, inclusive vários bastante visitados, deixam de mostrar até mesmo os respectivos logotipos.

Não fossem as fotos do Photobucket, 4Shared e similares, seus acervos simplesmente estariam disponíveis. O carregamento de cada página é difícil e os espaços das fotos "quebram", como se não houvesse foto nos mesmos.

Até agora, ninguém havia esclarecido a situação. Aparentemente, pode ser que o portal Fotopages esteja passando por uma manutenção. Mas até agora a situação ainda não foi resolvida.

Espero que esse problema seja resolvido o mais cedo possível. Apesar do portal Ônibus Brasil ser uma alternativa, é sempre bom haver mais opções, como a do Fotopages, para a divulgação de fotos de ônibus.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FAGUNDES E CARAVELLE RENUMERAM ÔNIBUS COM SEUS CÓDIGOS



A Auto Ônibus Fagundes, de São Gonçalo (RJ) e a Viação Caravele, de Belford Roxo (RJ), estão renumerando ônibus que haviam circulado com o código DETRO de outras empresas associadas. Em ambos os casos, os carros envolvidos estavam com chapa de Niterói.

Durante um tempo, vários ônibus da Fagundes circularam com o código RJ 166 da Transturismo Rio Minho, e vários da Caravele iam pelas ruas com o código RJ 210 da Auto Lotação Ingá. Alguns carros novos da Caravele chegaram a ser inicialmente comprados para a frota da Ingá, chegando a ficar estacionados na garagem da empresa, no bairro niteroiense do Fonseca.

Mas os esforços para mudança da situação já acontecem e a Caravele tem praticamente concluído seu processo de renumeração dessa parte da frota, que ganhou o RJ 173 da própria empresa. Apenas a Caravele preferiu investir no mesmo visual "Super Confort" adotado pela Ingá, mas presente até nos carros sem ar da tradicional empresa de Belford Roxo.

Já o da Fagundes ainda está em andamento, pois até agora apenas os carros rodoviários da Marcopolo Ideale 700 estão em processo adiantado.

Mesmo assim, ainda se vê nas ruas de São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro os carros da Ideale da Fagundes com o código RJ 166. E ainda há carros da Marcopolo Torino 2007 com o código da Rio Minho em circulação.

No entanto, as pessoas podem observar, por exemplo, a traseira do Ideale número RJ 101.094 onde, num adesivo colado junto ao anúncio publicitário, a marca do antigo adesivo do código "RJ 166" abaixo do atual adesivo do número corrente. E vários outros carros da mesma carroceria reaparecem até totalmente repintados, como o recente RJ 101.101.

A renumeração fez afastar os rumores, noticiados neste blogue, de que a Rio Minho estaria interessada num "setor São Gonçalo" relativo a Santa Isabel e Jardim Catarina para aliviar a empresa gonçalense. A Fagundes apenas fez a mudança do código do DETRO por causa do emplacamento dos carros ter sido feito em Niterói, sede da Rio Minho, do mesmo grupo Rio Ita.

Aliás, a Turismo Rio Ita, "cabeça" do grupo empresarial, também tem carros com o código da Fagundes, RJ 101, mas começa a renumerar os carros da Marcopolo Torino 2007 com seu RJ 152. Os da Neobus Spectrum City ainda circulam com o RJ 101. A Expresso Rio de Janeiro, também do mesmo grupo, também está renumerando seus carros da RJ 166 para o seu RJ 142.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

MAIS UM ÔNIBUS "PADRONIZADO" É POSTO À VENDA



A gente fica imaginando se o aparente adiantamento da pintura padronizada em carros mais antigos, no Rio de Janeiro, enquanto outros aparecem ainda com o visual provisório - estampa ainda personalizada e letra do consórcio acrescida de forma improvisada, assim como o adesivo do consórcio respectivo - , até hoje.

É certo que várias empresas praticamente deixaram de ter o visual personalizado, como a Matias, mas dá para ver o descontentamento dos empresários com a medida que simplesmente fez cada empresa zelar por sua imagem.

Afinal, que "imagem"? Se agora os ônibus parecem que nem aluninhos de internato, exibindo sempre a farda da "Viação Cidade do Rio de Janeiro", não há como reconhecer mais a imagem de empresa alguma.

Mesmo na compra de carros novos, uma Verdun é igual à City Rio, uma Real é igual à Braso Lisboa, e alguns carros novos chegam a não mostrar, num dos lados, o nome do consórcio nem da respectiva empresa associada.

Isso só beneficia a vaidade de uma minoria pelega de busólogos, que agora fazem até joguinho para saber que empresa é "aquele carro da Intersul ou da Internorte". O passageiro comum, sobretudo o mais pobre, não tem a mesma sorte.

Mas, a julgar pela "dedicação" que Eduardo Paes e Sérgio Cabral dão ao povo pobre, dá para entender o "mérito" da padronização visual. E o visual "embalagem de remédio" é tiro e queda para busólogos que "sentem nojo" de quem critica a Prefeitura do Rio de Janeiro pelo lamentável projeto para o transporte coletivo que só piorou o sistema de ônibus na cidade.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ÔNIBUS CARIOCAS ENGUIÇADOS NA ÚLTIMA QUARTA-FEIRA



Tornou-se mais comum ver ônibus enguiçados no Rio de Janeiro. E, a cada dia, não são apenas os ônibus com visual provisório - que ainda mantém o visual personalizado, mas de forma descaprichada e com o número do carro grosseiramente acrescido da letra do consórcio - que enguiçam no meio do caminho, mas mesmo os ônibus com visual padronizado, alguns até novos.

Na última quarta-feira (28/09), à tarde, pudemos comprovar a situação. Na Av. Pres. Vargas, altura da Estação Cidade Nova, um guincho da Transportes Campo Grande transportava um veículo da Mascarello Gran Midi da empresa, ainda com o visual provisório de transição.

Depois, na Av. Brasil, mais dois casos se mostraram de ônibus enguiçados. Em Manguinhos, outro ônibus da Campo Grande, CAIO Apache VIP II com visual padronizado, estava enguiçado e estacionado numa rua próxima, para não atrapalhar o trânsito, que por sinal horas depois seria infernal na altura dos viadutos para o Fundão e a Ilha do Governador.

Na Parada de Lucas, houve outro caso, de um ônibus da Ciferal Citmax da Auto Viação Três Amigos, da linha 709 Deodoro / Amarelinho e com o visual padronizado do consórcio Transcarioca, estar enguiçado. Ironicamente, outro Citmax, com visual provisório, estava parado para receber os passageiros do ônibus enguiçado.

Já no começo da noite, na Av. Francisco Bicalho, sentido Gasômetro, um ônibus da Neobus Spectrum City da Viação Ideal estava enguiçado.

Também foram vistos vários ônibus que, com bandeiras de lona ou digitais, não mostravam os indicativos da linha e do destino nas partes lateral e traseira. Um ônibus da Expresso Pégaso, com visual padronizado e da CAIO Apache VIP II, circulou pela Av. Brasil com a bandeira digital desligada.

No dia 21 de setembro anterior, um ônibus da mesma Expresso Pégaso, CAIO Foz Super II, circulou com a placa da bandeira digital caída em uma das partes.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PROBLEMAS DE TRANSPORTE NO PRIMEIRO DIA DO ROCK IN RIO


CONFUSÃO E DEMORA NOS ÔNIBUS ABORRECEM PASSAGEIROS A CAMINHO DO ROCK IN RIO, NO TERMINAL ALVORADA. FOTO DO PORTAL TERRA NOTÍCIAS.

Muita confusão marcou a espera por ônibus no Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, no primeiro dia do Rock In Rio 2011. O ônibus especial para o evento chegava a demorar meia hora para chegar ao ponto de embarque.

Houve também demoras e transtornos nos ônibus que vinham de outros lugares, sobretudo nos ônibus que vinham da Zona Oeste carioca, e eles chegavam superlotados. Mas até mesmo os ônibus especiais do Terminal Alvorada para o Rock In Rio circulam superlotados, mais parecendo trens da Central.

Apesar disso, não houve incidentes violentos. Apenas a natural confusão na identificação dos ônibus, já que empresas como Jabour, Andorinha, Pégaso e até parte da Barra são iguaizinhos, assim como parte da Real, Translitorânea e Tijuca em relação a Redentor, Santa Maria, Litoral Rio, Barra e Futuro.

Evidentemente essa confusão não houve na ocasião, porque era desembarque. Mas a orientação é que quem for pegar o ônibus de volta para casa é bom ter atenção redobrada, sobretudo durante a noite. O risco de pegar um ônibus municipal errado tornou-se muito grande. E vários ônibus circulam sem exibir o indicativo das linhas nas partes laterais e traseiras.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

OS ÔNIBUS "MATA-CARIOCAS" DE SÃO PAULO



O modelo de transporte coletivo marcado pela concentração de poder das Secretarias de Transporte e caraterizados pela padronização visual dos ônibus e pela pouca autonomia das empresas - que até para comprar ônibus novos têm que aguardar autorização da respectiva secretaria - está em séria crise.

Afinal, não são compras de centenas de carros novos, que são feitas mais para fazer notícia em revistas e sítios específicos de transporte, que irão resolver o problema. Até porque a compra de carros novos, de piso baixo, em parte articulados e com motor sueco, são apenas uma propaganda tendenciosa e pouco tem a ver com generosidade.

É como se, num casamento por conveniência, a cada crise conjugal o marido comprasse sempre flores e bombons para a esposa, como se isso em si resolvesse as grandes desavenças pessoais entre os cônjuges.

São Paulo é um exemplo de como esse modelo "curitibano" de transporte coletivo, apesar de ser um modismo neuroticamente defendido por tecnocratas, autoridades e até busólogos chapa-brancas, está numa crise completamente irremediável.

Afinal, o mesmo Brasil que privatiza bancos estatais estaduais e deixa a saúde pública no caos, enquanto a saúde privada se isola no quase absoluto elitismo, insiste, mesmo com fracassos comprovados, em fazer com que secretários de transporte amarrassem as empresas numa camisa-de-força do visual padronizado e num modelo de transporte coletivo que, na prática, consiste em uma paraestatal para cada cidade ou região metropolitana sustentada pelas empresas particulares.

E não é de hoje que São Paulo vê seus ônibus se envolverem em acidentes, transtornos, problemas etc. Hoje houve mais um, no Viaduto Diário Popular, centro da capital paulista, que deixou seis feridos. E trata-se de um ônibus novo, CAIO Apache Vip II, de uma dessas empresas camufladas pela farda da SPTrans.

É esse o modelo de transporte coletivo que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, se inspirou para fazer o seu modelo arbitrário. Os ônibus de São Paulo são tão problemáticos que, pelos inúmeros acidentes causados, eles podem ser tranquilamente chamados de "mata-cariocas", num trocadilho aos deficitários bondes cariocas da Light que, por rodarem desgovernados e percorrerem trechos em contramão com outros veículos, eram conhecidos como "mata-paulistas".

Sob o pretexto de regular o transporte coletivo, submete-se as empresas de ônibus à mão-de-ferro do Estado. Na prática, o secretário de transporte em questão se transforma num dublê de empresário de ônibus, mas isso pouco contribuiu para a moralização e eficácia do sistema. Pelo contrário, tornou-se cada vez pior, porque, na prática, torna-se uma empresa paraestatal, que comanda consórcios específicos, e que por isso faz o sistema de ônibus tornar-se um "elefante branco".

Mais poder não significa mais eficácia nem melhor disciplina. Por outro lado, acoberta a corrupção que ocorrer no transporte coletivo. E, nas mãos de um único chefe - o secretário de transportes - , o sistema de ônibus torna-se mais complicado e difícil de resolver. Sem falar que a padronização visual confunde os passageiros, sobretudo gestantes, idosos, deficientes ou mesmo qualquer cidadão comum que tenha muita coisa para fazer na sua vida.

E ainda insistem em manter esse padrão de transporte coletivo até para depois dos eventos esportivos de 2014 e 2016...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ROCK IN RIO TERÁ SAMBA DO CRIOULO DOIDO NOS ÔNIBUS CARIOCAS



A Prefeitura do Rio de Janeiro avisou que os interessados a ir ao Rock In Rio, a acontecer na próxima semana, não podem usar automóveis nem táxis, pois não haverá sequer estacionamento para carros.

Os interessados terão que pegar os ônibus fardados da "Viação Cidade do Rio de Janeiro" para o Terminal Alvorada e a linha especial destinada ao evento, em Jacarepaguá.

Certamente muitos jovens estrangeiros ficarão enlouquecidos na dificuldade de identificar o ônibus que devem pegar, pelo menos para a Barra da Tijuca. Se agora um Real Auto Ônibus para a Alvorada é igualzinho a um Transportes Futuro para Gardênia Azul e Cidade de Deus, aí é que a viagem será uma loucura, brou.

A julgar pelo tumulto que costuma haver nos pontos de ônibus da Avenida das Américas, a coisa então deve ficar mais caótica ainda. Portanto, moçada, muito cuidado na hora de pegar um ônibus, porque a coisa está um samba do crioulo doido. Ou então o pessoal vai correr o risco de trocar o Rock In Rio por um bom bangue-bangue ao vivo nas ruas de Jacarepaguá.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

BUSÓLOGO IRONIZA PADRONIZAÇÃO VISUAL NOS ÔNIBUS DO RJ



O busólogo Rafael Ferreira, do fotolog Ônibus In Brasil, fez um comentário irônico quando publicou uma foto de um novo ônibus da Spectrum City da Rodoviária A. Matias, com o padrão visual do consórcio Internorte.

O comentário a seguir foi este: "esse nosso amigo só da sorte, recebi a foto do carro e eu crente que era da ideal e nada, quando percebi o número que a ficha caiu de quem ele realmente era, que sorte, afinal pegar carro zero da matias não é todo dia que se consegue, vi a foto e lembrei de quando tive a sorte de pegar um city dela ainda na pintura verde dela, sentirei saudades dessa pintura meu deus!!"

Isso mostra que, apesar da aparente adesão de busólogos fluminenses ao projeto arbitrário de Eduardo Paes / Alexandre Sansão, também surgem outros busólogos que começam a reprovar esse método de transporte coletivo que, comprovadamente, não traz vantagens reais para os passageiros.

É também notório que o jornalista e busólogo Adamo Bazani (CBN e portal Ônibus Brasil) também começa a contestar a validade desse processo de padronização visual na medida em que se banaliza e se desgasta até em cidades onde a população estava acostumada com a diversidade visual, como o Rio de Janeiro.

O próprio povo, no fundo, também não gosta desse processo, sobretudo quando o serviço de transportes piora. O descrédito às autoridades também agrava esse ceticismo popular. O que se sabe, de certo, é que esse projeto de transporte coletivo lançado em Curitiba em 1974 apresenta um evidente desgaste que nenhuma compra de ônibus novos conseguirá resolver. Até porque isso acaba sendo mera maquiagem.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

MARCOPOLO LANÇA VIALE BRT



Embora seja, no fundo, muito discutível essa ideia de BRT (Bus Rapid Transit), é inegável que ela influa na criação de novos modelos com piso baixo e versões articuladas.

Pois a Marcopolo - que já havia lançado projetos pioneiros em Curitiba, a exemplo também de sua "irmã" Ciferal, que havia lançado o Padron Alvorada antes na capital paranaense - entrou na concorrência dos modelos futuristas da CAIO (Mondego e Novo Millennium) e Neobus (Mega BRT), decidiu lançar o modelo Viale BRT.

Com uma leve modificação estética ao Gran Viale - que inspirou a linha Torino 2007 - como uma curvatura na dianteira, o Viale BRT, como o próprio Gran Viale, difere do modelo Viale tradicional, de longe um dos mais belos lançados pela indústria gaúcha-fluminense.

Mas a beleza do Viale BRT, se é diferente do Viale original (que já está há 13 anos no mercado, apenas passando por pequenas mudanças de design), não é de modo algum inferior. Exposto no TRANSPÚBLICO, exposição de transportes ocorrida há algumas semanas em São Paulo, o ônibus foi admirado por muitos visitantes, que puderam entrar e conferir sua beleza interna e externa.

A julgar pelo que já acontece com o Mega BRT e Mondego, é possível que o Viale BRT passe a ter também versões em comprimento convencional, mas com motor traseiro e piso baixo. O que pode tranquilizar aqueles que acham que colocar ônibus articulados em tudo quanto é linha de ônibus é um exagero. Afinal, a versão convencional pode unir a beleza dos modelos especiais com o tamanho restrito para determinadas ruas menos largas das cidades.

sábado, 27 de agosto de 2011

BONDE DE SANTA TERESA TOMBA, MATA CINCO E FERE 27



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O grupo político Paes / Cabral Filho provou não entender de prioridades. A "modernização" da frota padronizada da Zona Sul com BRTs contrasta com bondes velhos e sem manutenção. Numa semana em que o ex-funcionário do Projeto Lei Seca estava embriagado e atropelou quatro pessoas (das quais uma morreu), mais uma vez o PMDB carioca mostrou o que entende por "cidade mais justa e integrada".

Mas, para certas pessoas, nós não podemos criticar esse grupo político, para o bem de 2014 e 2016. Só que os megaeventos esportivos não irão trazer de volta os mortos dos vários desastres ocorrentes no Rio.

Bonde de Santa Teresa tomba, mata cinco e fere 27 passageiros, segundo bombeiros

Um dos mortos seria o condutor do bondinho, que chegou a ser levado ao hospital

Do Portal R7

Um dos bondinhos de Santa Teresa, no centro do Rio, tombou na tarde deste sábado (27) próximo ao Largo do Curvelo, matando pelo menos cinco passageiros e ferindo outros 27, segundo informações dos bombeiros e da Polícia Militar.

A secretaria municipal de Saúde confirmou que 27 pessoas deram entrada no hospital Souza Aguiar, no centro, alguns em estado grave e que passam por cirurgia.

De acordo com os bombeiros, dos cinco mortos, três são homens e dois são mulheres. Quatro morreram ainda no local e um morreu no hospital, que seria o condutor do bondinho.

O acidente aconteceu por volta das 16h na rua Joaquim Murtinho, próximo à esquina com a rua Francisco Muratori.

De acordo com testemunhas, o bonde desceu desgovernado pela rua Almirante Alexandrino no sentido dos Arcos da Lapa quando descarrilou, bateu em um poste e atingiu um segundo poste. Com o impacto do choque, vários passageiros ficaram presos entre o veículo e o poste.

Um morador contou ter visto o bonde descendo em alta velocidade e ouviu o condutor gritando "Ai meu Deus".

Segundo o relato de testemunhas, o bonde virou ao fazer uma curva e houve pânico entre os passageiros. Também houve relatos de que o veículo havia apresentado problemas meia hora antes do descarrilamento.

Às 17h30, os quatro corpos ainda estavam no local. Os feridos foram levados em um ônibus para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro. Até as 18h, ainda não havia informações sobre o estado de saúde dos feridos.

O trânsito ficou interditado na esquina das ruas Joaquim Murtinho e Francisco Murtori.

Em junho, um turista francês morreu ao cair do bonde quando passava pelos Arcos da Lapa, no centro do Rio.

O bonde de Santa Teresa é muito frequentado por turistas, mas também por moradores do bairro de Santa Teresa.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MATIAS E REAL PIORAM SEUS SERVIÇOS APÓS PADRONIZAÇÃO




As empresas Rodoviária A. Matias e Real Auto Ônibus foram afetadas pelo poder concentrado da SMTR sobre o transporte coletivo carioca, que agora adota um padrão "moderno" herdado do regime militar a partir do arquiteto e político Jaime Lerner, que, filiado à ARENA, implantou o modelo em Curitiba em 1974.

A padronização visual é apenas um detalhe - muito incômodo, por sinal - de um projeto político controlado pela Secretaria Municipal de Transportes, onde o esquema de consórcios pressupõe uma empresa paraestatal bancada financeiramente pelas empresas particulares, reduzidas a "sócias" da "mega-empresa".

Pois a medida, de caráter meramente tecnocrático e político, já começa a causar sérios prejuízos. Quem vai para as ruas vê que o sistema piorou consideravelmente, enquanto passageiros são obrigados a fazer teste de lógica nos próprios pontos, para saber qual o ônibus certo para embarcar, já que diferentes empresas têm uma mesma pintura, mas, dependendo do consórcio, uma única empresa pode ter duas pinturas.

O impacto negativo na Avenida Presidente Vargas, previsto por este blogue, se confirmou. Na última terça-feira, nota-se a confusão em que três ônibus da Marcopolo Torino 2007 com a pintura do consórcio Internorte, mas de diferentes empresas - Viação Verdun, Viação Acari e Rodoviária A. Matias - , pode causar ao passageiro que, no lado oposto na mesma avenida, têm que redobrar sua mente para não pegar o ônibus errado.

Só para agravar as coisas, não existe mais diferença entre um City Rio que vai da Penha para Copacabana e um Matias que vai do Lins para a Praça 15.

Mas o poder concentrado de Alexandre Sansão, o secretário de Transportes da Prefeitura do Rio, confirmado não só por mim mas por vários busólogos que não se iludem em bajular o grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, já começa a causar sérios problemas.

A pressão de horário sobre os motoristas - obrigados a rodar em alta velocidade para evitar atrasos - , que já causou trágicos acidentes em Curitiba, mostra agora seu desastre no Rio, com vários ônibus batendo, entre eles um acidente que ocorreu no último dia 17, quando um ônibus da Viação Rubanil, linha 350 Passeio / Irajá, bateu, na Av. Rio de Janeiro, bateu com um outro da Viação Vila Real, linha 378 Marechal Hermes / Praça 15, danificando o retrovisor de um deles.

O acidente fez com que os passageiros das duas linhas tivessem que esperar no local por outros ônibus, já que os dois veículos tiveram que ficar parados para esperar reboque.

Mas mesmo empresas tradicionalmente conceituadas como Real e Matias já começam a sofrer queda de qualidade. Seus veículos já circulam com lataria em parte amassada e "sacolejam" enquanto rodam pelas ruas cariocas.

Eu mesmo pude conferir, no último dia 24, pegando dois carros da Matias, 25506 e 25549, ambos da Marcopolo Torino 2007, que, com três anos de fabricação, pareciam ter o dobro da idade. Circulando na linha 232 Lins / Praça 15, os dois ônibus faziam o típico barulho forte de vidros balançando e lataria sacolejando de ônibus mal conservados, como se fossem ônibus de bóias-frias semi-novos.

No sentido Lins, na altura da Rua Visconde de Santa Isabel, em Vila Isabel, o carro 25506 ainda teve que correr, pela pressão do tempo, ultrapassando um ônibus da Viação Nossa Senhora de Lourdes, mas, por sorte, a manobra não causou qualquer acidente.

Notei também, andando pela Av. Rio Branco, que vários ônibus da Real, também Marcopolo Torino 2007, já "sacolejavam" quando rodavam, coisa que não ocorria em ônibus com três ou quatro anos de fabricação pelas duas empresas, mesmo em suas piores hipóteses.

Enquanto Alexandre Sansão dava entrevista para o RJ TV sobre a inauguração do corredor exclusivo Leblon-Ipanema, um ônibus longo da Torino 2007 com as cores da Intersul - provavelmente Braso Lisboa - apareceu enguiçado apoiado por um reboque. Irônico, Sansão disse que o incidente serve para testar o trânsito no corredor.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

AUTO VIAÇÃO ALPHA COMEMORA DIA DO SOLDADO FARDADA



A Auto Viação Alpha comemora 50 anos de existência hoje, 25 de agosto. Mas como se trata do Dia do Soldado e da lembrança dos 50 anos de renúncia de Jânio Quadros, nada como ver a Alpha totalmente fardada.

Ah, esse não é o ônibus da Alpha? Tanto faz, está tudo igual mesmo...

sábado, 20 de agosto de 2011

TRANSMIL DECEPCIONA COM CARROS SEMI-NOVOS E CURTOS


MELHORAL OU PIORAL? - UM DOS VINTE "NOVOS" CARROS COMPRADOS PELA TURISMO TRANSMIL.

A tão anunciada "renovação" de frota da empresa Turismo Trans1000, de Mesquita (RJ), na Baixada Fluminense, foi um grande fiasco.

Dos prometidos "40 carros 0km" anunciados duas vezes, em novembro do ano passado e fevereiro último, nada se cumpriu. Em vez disso, vieram apenas 20 carros usados e curtos da Neobus Mega IV adquiridos da Viação Pavunense.

Todos esses "novos carros" substituíram os midi-buses e micros que circulavam nas linhas internas da Baixada. Alguns midis eram os últimos carros inéditos comprados pela empresa e foram vendidos para pagar as gigantescas dívidas financeiras da mesma.

A Transmil continua problemática. Apesar da relativa reparação nos carros longos da empresa, ela demonstra não ter fôlego para servir linhas para a Central, Praça Mauá e mesmo Passeio, encostadinho na Glória.

Mesmo na linha 003 Nilópolis / Passeio - a tal linha que vai no calcanhar da Zona Sul carioca - nota-se ônibus dotados de ar condicionado circulando com janelas abertas, indicando mau funcionamento ou simplesmente não-funcionamento do referido aparelho.

Mas a pior linha das mais longas da empresa é a 005 Nilópolis / Praça Mauá, que também roda com ônibus com ar desligado, com motorista fazendo função de cobrador e outros defeitos dramáticos, incluindo pneus carecas.

Na última quarta-feira (17/08), notou-se na Av. Brasil, uma das principais do Rio de Janeiro, pelo menos quatro ou cinco carros da Transmil com ar condicionado desligado, e um deles estava com lataria levemente amassada e outro com pintura velha, com o branco gelo quase tendo cor de lodo.

Os "novos" carros da Transmil não representam que a empresa esteja pronta para dar a volta por cima. Até porque a "festejada" compra conta com alguns pontos negativos.

Primeiro, porque são ônibus com pouco mais de cinco anos de fabricação. Segundo, porque são muito curtos (seu comprimento é comparável a um micrão tipo os que se usava para Santa Teresa, no Rio). Terceiro, porque não contam com elevador e área para deficientes. Aliás, até agora NENHUM ônibus da Transmil conta com acesso para deficientes físicos.

Seria muito bom que a Transmil vendesse suas linhas mais longas para outras empresas. Ficar no faz-de-conta esperando da empresa grandes melhorias, para depois virem os mesmos carros de segunda (desde que mais curtos) ou terceira mãos é brincar com a paciência dos passageiros de Nilópolis e Mesquita, que preferem usar outros ônibus para irem a seus destinos, aproveitando o uso do Bilhete Único.

Continua valendo a petição destinada a tirar a Transmil das linhas para o Centro do Rio, e cabe a você, caro leitor, participar e chamar mais gente para fazer o mesmo.

sábado, 13 de agosto de 2011

QUANDO A BUSOLOGIA APELA PARA O PENSAMENTO ÚNICO


SEM SABER, ALGUNS BUSÓLOGOS FLUMINENSES ANDAM SE COMPORTANDO COMO O POLÍTICO JOSÉ SERRA.

Um busólogo, numa comunidade do Orkut, disse que não quer mais ver montagens de ônibus cariocas despadronizados.

Embora pareça convicto do seu otimismo com o projeto atual da Prefeitura do Rio de Janeiro, seu comentário na verdade apenas dá o tom da partidarização da busologia fluminense e da insegurança dos defensores de Eduardo Paes e Alexandre Sansão de que seus pontos de vista não prevaleçam.

Muitas vezes é o medo de que seus pontos de vista, entusiasticamente defendidos nos escritórios das autoridades e dos tecnocratas do transporte, estejam em desacordo com o interesse do povo.

Além disso, o busólogo em questão disse que a despadronização "confunde" a historiografia das empresas (?!). Então tá. Melhor é que os passageiros se confundam na hora de pegar um ônibus.

Até meu pai ficou revoltado quando lhe disse que o ônibus da linha 378 Castelo / Marechal Hermes e 232 Lins / Praça 15, de empresas diferentes, no entanto têm agora a mesma pintura.

E vejo a cara de muxoxo de muitos trabalhadores, estudantes e até idosos, gestantes e deficientes, além de analfabetos, que agora precisam quebrar a cabeça na hora de pegar um ônibus.

É lamentável que uma parte de busólogos prefira estar do lado do grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, mesmo quando os dois políticos, no conjunto da obra, desalojaram moradores a esmo, reprimiram vendedores ambulantes e mandaram prender bombeiros em greve. Que interesses populares eles defendem?

Além do mais, numa época em que a corrupção política, no âmbito nacional, envolve partidos relacionados direta ou indiretamente com a padronização visual dos ônibus cariocas, e já surgem denúncias de corrupção até contra o "divinizado" Jaime Lerner, isso mostra o quanto o medo atinge certos busólogos.

Certamente não são todos os busólogos fluminenses que pensam assim. Há vários deles bem mais tolerantes e democráticos, não pedem para fulano retirar foto sua por causa de uma discordância banal.

Mas há busólogos chapa-branca que ficam com medo de, ao saírem dos escritórios das autoridades, verem que suas opiniões não coincidem com as da população. Daí o apelo deles para o pensamento único.

Para estes busólogos chapa-branca, só quem apóia a padronização visual dos ônibus cariocas têm que se manifestar. Quem discorda tem que ficar calado. É a lei da unanimidade forçada.

Se for por esse caminho de pedir para retirar fotos por uma discordância de nada, praticamente TODA a blogosfera existente na Internet, nos mais diversos assuntos, estaria mutilada ou desfeita. Muitos textos ficariam capengas pela falta de fotos que seus autores pediriam para remover.

E, sendo que minhas montagens despadronizadoras são um misto de arte moderna e design - com integral respeito às autorias originais, portanto nenhum problema com direitos autorais - , se fosse pelo raciocínio dos busólogos que pedem remoção de fotos, até mesmo a história da Pop Art, um importante movimento artístico do Século XX, seria apagada, pelo uso de imagens alheias. O hip hop, então, desapareceria da face da terra, por causa da sampleagem.

Portanto, os busólogos chapa-branca acabam se comportando como José Serra na última campanha eleitoral. Têm medo que sua causa privada seja provada como impopular. Acham que, só porque têm a seu lado o PMDB carioca, a FIFA e o COI, o povo também está com eles.

O tempo vai mostrar que a causa deles está errada. Mas eles têm o direito de pensar que a padronização visual é um barato. Eles que se limitem a admirar as fotos originais e entendam as montagens como design artístico. Eu não sou o único a fazer tais montagens. Há vários outros que fazem o mesmo.

Os busólogos chapa-branca podem pensar o que quiserem, mas deverão reconhecer que o povo e outros busólogos pensam muito diferente deles.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

MADUREIRA E CASCADURA NÃO TÊM ÔNIBUS PARA COPACABANA


NA DÉCADA DE 70, CHEGOU A EXISTIR UMA LINHA 457 LIGANDO VILA VALQUEIRE A COPACABANA, PASSANDO POR MADUREIRA E CASCADURA.

O descaso das autoridades do transporte coletivo - que apelaram para a decadente e desnecessária padronização visual dos ônibus cariocas - faz com que determinados ramais de ônibus, bastante necessários e funcionais, no entanto não sejam adotados em novas linhas de ônibus.

Não dá para entender por que bairros importantes como Madureira e Cascadura não conseguem mais ter um ramal de ônibus para Copacabana e Ipanema. Até tiveram uma chance de ligação por ônibus na década de 70, mas inexplicavelmente, acabou.

Trata-se da antiga linha 457 Vila Valqueire / Copacabana, sem a menor relação com a 457 atual, a não ser pela coincidência de percurso pelo Méier e pelo Túnel Santa Bárbara e pelo fato de se destinar a Copacabana (a atual 457 vai até Ipanema).

Operada pela Transportes Uruguai, a linha passava pelo Campinho e daí por Madureira e Cascadura. Era uma linha funcional, mas inexplicavelmente foi extinta, num dos casos absurdos de linhas funcionais extintas.

A 442 Lins / Urca, pelo menos, teve sua extinção justificada pelo elitismo dos moradores da Urca, que não queriam "farofeiros" no bairro. Uma extinção justificada pelo preconceito, injusta e discriminatória, mas dotada de algum motivo, por cruel que seja.

Já a antiga 457 nem motivo real de extinção foi feito. Apenas a desculpa de "não ser rentável", provavelmente. A atual 457 Abolição / General Osório é funcional à sua maneira, como disse o amigo Marcelo Delfino, porque a Abolição já possui uma demanda forte à parte. O que deveria ser feito é uma outra linha que viesse de, pelo menos, Cascadura.

Até agora, Madureira e Cascadura só vão para a Zona Sul através da linha 755 Cascadura / Gávea, que pega apenas um pedaço do Leblon. Mas para Copacabana e Cascadura, até agora, nada de linha direta.

Mas a recente criação de uma variante tola da 457, Abolição / Praia de Botafogo - teria sentido se a prefeitura carioca tivesse criado uma variante da 298 Acari / Castelo para a Praia de Botafogo, podendo até ter nome curioso: "Fazenda Botafogo / Botafogo" - , só mostra o quanto as autoridades agem diante da ligação Zona Norte-Zona Sul por ônibus: com descaso ou paliativos.

Pois é uma mentalidade que é capaz de criar muitas linhas da Central para a Zona Sul, mas é ainda indiferente à ligação de Madureira e Cascadura para Copacabana e Ipanema. Demanda para as duas duplas de bairros não falta, e, com a máxima certeza, é muito grande.

Ela se dissolve pelo transporte intermediário por trens, metrô ou mais de um ônibus, mas de fato existe uma demanda fortíssima que mora ou trabalha em Cascadura e Madureira e que trabalha ou mora em Copacabana e Ipanema.

É uma demanda que, aliás, nem tem muito dinheiro assim para pagar quatro ônibus por dia, e, dependendo do salário, nem o Bilhete Único consegue compensar os grandes gastos por transporte.

Portanto, cabe às autoridades pensarem em implantar a ligação direta, por ônibus, de Madureira e Cascadura para Copacabana e Ipanema. O Rio de Janeiro agradecerá.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

VIAÇÃO ARAÇATUBA, DE NITERÓI, VOLTA A ADQUIRIR ÔNIBUS DA MARCOPOLO


FOTO MONTAGEM DE 2008 DA VIAÇÃO ARAÇATUBA COM TORINO 2007 - Aquisição se torna real três anos depois.

A Viação Araçatuba, tradicional empresa de Niterói - embora ela tenha surgido em São Gonçalo e atuado no setor do bairro gonçalense de Engenho Pequeno - , anunciou a compra de ônibus novos para este ano, aposentando micro-ônibus do modelo Marcopolo Senior GV e ônibus do primeiro lote da Marcopolo Viale.

Três micro-ônibus foram vistos ontem, na Ponte Rio-Niterói, sentido Rio de Janeiro, sugerindo que estavam deixando a frota da empresa niteroiense, responsável por quatro linhas: 30 Martins Torres / Centro (com fim de linha nas proximidades de sua garagem), 47 Canto do Rio / Centro (com fim de linha em Vital Brazil, a poucos metros da Rua Dr. Mário Viana, em Santa Rosa), 47A Campus da UFF / Centro e 47B Campus da UFF / Centro (Via MAC).

Tradicional freguesa das Carrocerias Marcopolo - tornaram-se históricos os lotes das Carrocerias Veneza, entre 1972 e 1982, incluindo a geração Veneza II de 1977 a 1982, além das Torinos nos anos 80 e 90 - , a Araçatuba volta a retomar a parceria, interrompida ao adquirir carros das Carrocerias Neobus San Marino, inclusive vários Spectrum com ar condicionado, vários com motor traseiro.

Agora a empresa anunciou que virão carros da Marcopolo Senior Midi e Marcopolo Torino 2007 - que só difere da montagem feita por mim há três anos atrás pelo fato de ser mais curto, ter acesso para cadeirantes, e, talvez, virá com letreiro digital - que serão repartidos para as linhas 30 e 47, como é prática da empresa.

Os niteroienses que se utilizam das linhas mal podem esperar os novos carros dessa empresa que, embora modesta, é conhecida pelo seu excelente serviço e pela conservação de sua frota. Os ônibus da Marcopolo Viale, mesmo antigos, saem da empresa em ótimo estado, parecendo menos antigos do que realmente são, com o primeiro design da Viale e o já datado motor OF-1721 da Mercedes-Benz.

domingo, 24 de julho de 2011

PARECE SCANIA, MAS É MERCEDES-BENZ



Essa foto, do acervo do blogue Busways, mostra um ônibus usado da Marcopolo Torino GV que tem tudo para ser creditado como de chassis Scania 113 - ou talvez um Volvo, iriam supor alguns - , mas se trata de um legítimo ônibus com chassis Mercedes-Benz.

O estranho ônibus, talvez propriedade de um particular, deve ter tido sua estrutura adaptada para ter esse visual. Talvez fosse reencarroçado. Em todo caso, é um ônibus lindo de se ver.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

DILMA DECIDE MANTER INTERINO NO MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O PR, mesmo tendo vários políticos acusados de corrupção, conseguiu colocar um ministro na pasta de Transportes, Alfredo Nascimento, marido da cantora e violonista de MPB Rosa Passos. Alfredo estava no cargo interinamente e foi efetivado pela presidenta Dilma Rousseff.

No Rio de Janeiro, o PR é partido aliado do grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral e um conhecido busólogo trabalha para uma prefeitura do partido no Estado.

Dilma decide manter interino no Ministério dos Transportes

Paulo Passos aceitou hoje convite feito pela presidente

Do Portal R7

Paulo Sérgio Passos vai continuar à frente do Ministério dos Transportes. Em nota divulgada na noite desta segunda-feira (11), o Palácio do Planalto confirmou o convite feito ao interino da pasta, que assumiu após a demissão de Alfredo Nascimento do cargo. Segundo a nota, o convite foi feito hoje pela presidente Dilma Rousseff e aceito.

Próximo a Dilma, Passos era cotado para assumir a vaga logo no início do governo. No entanto, o cargo ficou com Alfredo Nascimento (PR), que pediu demissão na semana passada após denúncias de um suposto esquema de cobrança de propina e superfaturamento de obras na cúpula da pasta. Membros do partido citados e o próprio Nascimento negaram as acusações.

O nome de Passos, que também é filiado ao PR, sofria resistências dentro do partido. A legenda ameaça deixar a base do governo Dilma depois que a presidente afastou a cúpula da pasta por causa das denúncias.

Alguns parlamentares do PR ficaram irritados com a decisão de Dilma de afastar imediatamente os envolvidos em um suposto esquema de propina nos projetos da área de transportes. O esquema renderia aos cofres do PR até 5% dos contratos do setor, segundo a denúncia publicada pela revista Veja.

Leia a íntegra da nota:

"O ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, foi convidado nesta segunda-feira pela presidenta Dilma Rousseff a assumir a titularidade da pasta. O convite foi aceito.

Secretaria de Imprensa da Presidência da República"

Recusa

Hoje, o senador Blairo Maggi (PR-MT) confirmou que recusou o convite feito pela presidente para assumir a vaga. Blairo, em entrevista no Senado, disse que conversou por telefone com a presidente Dilma Rousseff e que, nessa conversa, declinou definitivamente do convite.

Maggi recebeu o convite de Dilma para assumir os Transportes numa conversa por volta das 21h da quarta-feira (6). Maggi negou o cargo pois considerou que há impedimento jurídico por conta do envolvimento de empresas dele com o governo. O líder citou o BNDES e a Marinha, já que uma empresa do senador opera na área da navegação e do transporte fluvial para escoar a soja produzida.

Trajetória

Nas eleições de 2006 e 2010, Passos ocupou o cargo quando Nascimento concorreu ao governo do Amazonas. Atualmente é secretário-executivo do ministério.

Baiano de Muriti, formado em economia pela Universidade Federal da Bahia, Passos é servidor público desde 1973, quando começou carreira no Ministério dos Transportes.

Passos também passou pelo extinto Ministério do Bem-Estar Social e pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), foi secretário-adjunto da Secretaria de Orçamento Federal por seis anos.

Casado com a cantora e compositora Rosa Passos, o novo ministro tem três filhos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

PADRONIZAÇÃO VISUAL COMPROVA SER UM ERRO PARA ÔNIBUS DO RJ


DESPERDÍCIO - Mal o carro foi repintado, foi logo posto à venda.

As pessoas estão preocupadas. Nota-se um certo incômodo nos pontos de ônibus. Ninguém reclama, porque está acostumado com os desmandos das autoridades. Além disso, o povo tem seus compromissos pessoais, e agora tem que redobrar suas atenções para evitar o risco de pegar o ônibus errado.

Enquanto isso, pessoas que se fascinam por tudo que venha da "sabedoria" dos escritórios tecnocráticos acham que o atual esquema está ótimo e que padronizar o visual vai disciplinar o transporte coletivo. Não vai. Os exemplos de Curitiba e São Paulo já são sintomáticos. Além disso, a sobrecarga das secretarias de transporte - que controlam os sistemas de ônibus com mão de ferro - já cria um colapso que nenhum "São Volvo" longo ou de piso baixo irá resolver.

A confusão atinge a todos. As linhas 397 e 398 confundem os moradores do Campo Grande. Que diferença faz o 535XX da Campo Grande e o 585XX da Bangu? E o troca-troca de linhas que agora faz os moradores de Vila Kosmos pegarem ônibus para Curicica, que é bem longe?

Mas os transtornos são mil. Só na quarta-feira passada, 22, notou-se apenas parte dos inúmeros erros que fazem o transporte de ônibus carioca, nesta atual fase, um grande fracasso, com os especialistas já prevendo um colapso para antes de 2014.

Vejamos alguns erros:

1) Carros com bandeiras de lona deixam de exibir a linha nas partes laterais e traseiras, dificultando os passageiros que não estão posicionados na frente para identificar que linha serve tal ônibus. A City Rio e a Campo Grande são alguns exemplos.

2) Um ônibus midi com bandeira digital, da Vila Real, operando na linha 908 Bonsucesso / Guadalupe, estava com o letreiro dianteiro exibindo apenas "NSUCESSO".

3) Carros da Neobus Mega 2006 da Campo Grande e Madureira Candelária circulam com a tampa lateral sem trinco, o que faz a tampa bater na lataria diante dos veículos em movimento.

4) Carros da CAIO Apache VIP II da Pégaso já estão deteriorados e circulando com a lataria amassada e suja, além dos pára-choques quebrados.

5) Um ônibus midi da Viação Ideal estava circulando com marcas de mão na expressão "Cidade do Rio de Janeiro", sendo um provável protesto já mencionado por nosso amigo Leonardo Ivo.

6) Carros que já receberam a pintura padronizada já começam a ser vendidos, o que indica um desperdício de tinta que, certamente, será reembolsado pelos passageiros através das tarifas atuais.

Mas, infelizmente, de nada adianta escrever milhares de transtornos e equívocos. As autoridades estão surdas. Os tecnocratas, arrogantes, se acham os donos da verdade. Os busólogos-pelegos sentem nojo de textos que não concordam com o que eles pensam.

Sabe como é, a verdade machuca, melhor é viver sonhando com o Rio de Janeiro parodiando Madri (talvez como uma gozação pelo fato da capital espanhola ter sido mais preparada para sediar as Olimpíadas de 2016).

Infelizmente, para alguns, o povo é apenas um detalhe.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ADAMO BAZANI SOFRE CENSURA DE BUSÓLOGOS



A busologia brasileira indica viver uma má fase. Com o envolvimento das elites de busólogos com tecnocratas e políticos, e com algumas amostras de estrelismo que atingem o setor, alguns desses busólogos passam a adotar atitudes e posturas autoritárias, embora não assumam isso.

Afinal, este é o Brasil enrustido, onde pessoas de mentalidades retrógradas fazem o possível para forjar posturas "progressistas", caprichando no discurso e na pose. Mas, na hora do aperto, mostram o quanto são autoritários, conservadores e reacionários.

Desta vez a vítima é o jornalista Adamo Bazani, também pesquisador de transporte coletivo. Seu blog Ponto de Ônibus - http://blogpontodeonibus.wordpress.com - está proibido de publicar fotos históricas antigas, porque seus autores, ou os herdeiros dos mesmos, reclamam exclusividade nos acervos.

Mas também é conhecida a arrogância de busólogos mais recentes em pedir, até com certa falta de educação - que contradiz a visibilidade que eles têm e até mesmo a facilidade com que eles podem botar fotos nos maiores portais de ônibus do país - , que retirem as fotos deles de certos blogues ou fotologs por conta de uma ou outra discordância.

Há também um que, querendo puxar o saco de busólogos que nem são tão autoritários assim, pede que retirem fotos destes, porque "pegar foto sem autorização é crime hediondo (sic)", investindo num pedantismo legislativo em vez de observar mesmo o que a legislação define como crimes hediondos.

CREATIVE COMMONS - Imaginemos duas situações. Primeiro, se esses busólogos estivessem vivendo no período do AI-5, lá na virada de 1969 para 1970, por exemplo. Eles seriam os primeiros a se candidatarem ao cargo de censores da imprensa, estudando o máximo para os concursos que os colocariam para a função de vetar informações "perigosas" nos jornais, revistas e roteiros para rádio e TV.

Segundo. Se esses busólogos, hoje, soubessem o que é Creative Commons, saberiam o quanto estão agindo contra esse protocolo, fundado nos EUA, e que flexibiliza o uso de obras com direitos autorais, desde que com responsabilidade e sem leviandade.

O Creative Commons tornou-se um dos códigos da democracia na Internet, e a remoção de sua licença no portal do Ministério da Cultura, meses atrás, tornou-se um dos maiores problemas enfrentados pela ministra Ana de Hollanda, a ponto de haver uma campanha para tirá-la do cargo.

É certo que as obras devem ter seus créditos de autoria respeitados, e que em muitos casos seus autores recebem remuneração por elas. Mas, na medida em que o tempo passa, as obras passam a ser de domínio público, ainda que continuem com o crédito da autoria original.

Muitas vezes usa-se fotos sem pedir autorização aos autores, mas respeitando seus créditos e evitando qualquer uso leviano. Isso é um procedimento correto. E, quando o motivo é a informação, esse uso torna-se até um serviço de utilidade pública, ou seja, de grande benefício para a sociedade.

Ainda existem lacunas profundas, na busologia, quanto às fotos antigas. Vários acervos são publicados incompletos. No caso da Internet brasileira, onde predomina mais a atividade do "Ctrl+C"/"Ctrl+V" ("copiar e colar"), a pesquisa torna-se capenga, e temos que nos contentar com meros relatos, simples textos, num país onde o hábito de leitura também é precário.

Já temos que nos contentar, por exemplo, do nosso precário acervo da história da televisão brasileira, já que a maior parte do seu acervo foi destruída em incêndios e outra parte simplesmente desgravada.

É claro que isso influi na mentalidade tacanha de busólogos censores que acham grotescos como Wagner Montes e José Luiz Datena os "deuses" do telejornalismo brasileiro. Nunca ouviram falar de Jornal de Vanguarda da TV Excelsior, nem de nomes como Fernando Barbosa Lima, Gontijo Teodoro e Heron Domingues.

No blog de Adamo - também jornalista da CBN - , há mensagens de apoio a ele. Falam do egoísmo dos donos de acervos, que acham que vão ficar ricos com tais fotos e que vão morrer com elas.

Em resumo, a busologia já começa a sentir o peso da visibilidade crescente, que faz subir a cabeça de muitos deles - nem todos, pois há busólogos que são famosos mas são íntegros e democráticos - e isso compromete, e muito, não só a sobrevida de um hobby, mas também o cotidiano do povo brasileiro, que sofre com as arbitrariedades que as autoridades e os tecnocratas determinam para os sistemas de ônibus das cidades.

A padronização dos ônibus do Rio de Janeiro e a não-cassação da moribunda empresa de ônibus Turismo Trans1000 são algumas dessas arbitrariedades que fazem o povo sofrer sob a indiferença pilatiana dos busólogos-estrelas.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

PADRONIZAÇÃO VISUAL DE ÔNIBUS NÃO SEGUE A LÓGICA DO TRÂNSITO



Um bom exemplo do que a medida da padronização visual dos ônibus vai contra a lógica geral do trânsito nas cidades é a comparação com os carros de ambulância, bombeiros e outros.

Pode parecer que uma coisa não tem a ver com outra, mas tem.

Veja uma ambulância como esta da foto. Certamente parece uma grande bobagem a palavra "Ambulância" aparecer escrita ao contrário, uma coisa de débil mental, não é mesmo?

Nada disso. A palavra "Ambulância" está escrita ao contrário para facilitar o reconhecimento do veículo pelo motorista de um outro veículo a vê-lo pelo retrovisor. É uma medida de facilitação de reconhecimento, portanto.

No caso dos ônibus, a padronização visual dificulta o reconhecimento dos ônibus por pessoas que vivem ocupadas no dia-a-dia. Portanto, a diversidade visual, que tornaria um ônibus reconhecível pelo visual de cada empresa, não é mera questão de estética, mas de utilidade pública.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

AS FOTOS "PERDIDAS"

















No dia 01 de novembro de 2010, eu e meu irmão saímos para o Rio de Janeiro para tirar as últimas fotos dos ônibus cariocas antes da padronização visual. A máquina enguiçou depois de pouco mais de 60 fotos tiradas, mas deu para salvar o chip e o acervo, com uma série de fotos tiradas pelo Marcelo, do blogue Terminal Laranja, e por mim, já estão arquivadas.

Aqui estão as fotos minhas que quase estariam perdidas. Foram tiradas no bairro do Castelo, no centro carioca.

Empresas fotografadas:

Transportes Vila Isabel
Viação Vila Real
Transurb
Viação Ideal
Expresso Pégaso
Empresa de Transportes Braso Lisboa
Viação Verdun
Viação Real Rio
Breda Turismo (Breda Rio)

Com exceção da Real Rio (e descontando as frotas intermunicipais da Pégaso e Braso Lisboa, e do fretamento da Breda Rio), as demais deixam saudades.
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