quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MORADORES DE RJ E SALVADOR PROTESTAM CONTRA PINTURA PADRONIZADA


POPULAÇÃO LIMPA AS MÃOS NOS ÔNIBUS DO RJ; EM SALVADOR, ÔNIBUS BRANCOS SÃO ALVOS DE PICHAÇÕES.

O que é o interesse público? Algo que está na imaginação de autoridades e tecnocratas, confiantes demais na superioridade de seus diplomas, na segurança dos cálculos matemáticos e na "transparência" (?!) de seus escritórios? Com toda a certeza, não.

A padronização visual, já em andamento nos ônibus do Rio de Janeiro e parcialmente adotada em Salvador - o tal "branquinho básico" de parte das empresas soteropolitanas - causa sério protesto dos passageiros e dos cidadãos em geral.

Leonardo Ivo, do blog Fatos Gerais - http://fatosgerais.blogspot.com - notou um ônibus da Viação Madureira Candelária, uma das tradicionais empresas cariocas que perderam a identidade visual e a autonomia operacional (agora quem controla as linhas de ônibus, em poder centralizado, é a Secretaria Municipal de Transportes), na linha 349 Rocha Miranda / Praça 15, marcas de sujeira das mãos na lataria do ônibus, na parte em que aparecia o nome "Cidade do Rio de Janeiro", num claro recado ao prefeito Eduardo Paes.

Certamente, outros casos aparecem, principalmente nos subúrbios, mostrando a indignação da população ao visual padronizado. Mas certamente os protestos não acontecem somente no Rio de Janeiro.

Em Salvador, as empresas que adotam o chamado "visual branquinho básico", em que a variação só se dá nas cores dos pára-choques, dos pneus, do nome da empresa e do numero do carro, são alvo de pichações feitas sobretudo em áreas populares de Salvador, como o entorno do Bonocô e bairros de regiões como Cabula, Cajazeiras, Pirajá, Liberdade ou mesmo nas avenidas da Pituba e do Iguatemi.

Não são poucos os ônibus de empresas como a Verdemar Transportes, Coletivos São Cristóvão e Empresa de Transportes União, entre outras, que circulam com pichações de jovens vindos das classes populares, de onde vem as pessoas que são mais lesadas pelo risco de pegarem ônibus errados.

Afinal, o transporte de Salvador também peca pela pulverização de áreas por empresas e pelo padrão visual parcialmente adotado (algumas empresas não adotam, como BTU, Barramar e Vitral), que, juntos, confundem os passageiros e contribuem para o enriquecimento ilícito dos empresários.

Afinal, a ocorrência de pichações nos ônibus soteropolitanos é maior do que a que se pode admitir em circunstâncias normais. É uma revolta de passageiros que pegam ônibus para Santo Inácio pensando irem para Santa Mônica, ou pelo fato de empresas servindo bairros distantes de suas garagens, o que aumenta o custo do deslocamento, que vai incidir no valor das tarifas.

Por isso, as ações, sejam as marcas de mãos sujas nos ônibus do Rio de Janeiro, e nas pichações nos ônibus de Salvador, são protestos das classes populares ludibriadas e cansadas de serem iludidas por autoridades paternalistas e tecnocratas do transporte insensíveis ao interesse público, embora o usem como pretexto para suas decisões arbitrárias e supostamente "sábias".

2 comentários:

  1. Em que fontes o sr. se baseia para emitir tal opinião?

    As duas ocorrências não se devem em fato de protestos contra a padronização e sim em decorrência do vandalismo e da falta de educação de certos indivíduos. Quem nunca viu ônibus pichados e/ou sujos, tanto no seu interior como em seu exterior?

    Sem mais,

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  2. Existem atos de vandalismo, sim, e falta de educação, mas se os casos se tornam mais frequentes, não dá para dizer que as gangues de pichadores aumentaram. Por isso eu citei "a ocorrência de pichações nos ônibus soteropolitanos é maior do que a que se pode admitir em circunstâncias normais".

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