quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ARROGÂNCIA PODE BOTAR TUDO A PERDER NA BUSOLOGIA



Nos episódios da Turismo Trans1000 e da suposta "lei do ar condicionado", nota-se em certos busólogos uma demonstração de profunda arrogância, que em muitos casos pode botar tudo a perder e prejudicá-los completamente.

Nos últimos anos, uma elite se destaca na busologia e isso já criou vários conflitos, não só comigo nem com meu irmão do blog Terminal Laranja. Outros conflitos, com outros grupos, já ocorreram, e num dia ou em outro há informações de membros que deixam tal grupo busólogo por alguma desavença.

Mas, em certos casos, a situação chega mesmo a ser complicada. Até mesmo para o lado dos que defendem a tendência "dominante".

O episódio da Transmil, por exemplo, é sabido por muitos. Uma empresa de ônibus que até começou bem e que agora mais parece um elefante branco que ameaça os passageiros e revolta os rodoviários. Afinal, a empresa tornou-se conhecida por operar com frota sucateada, oferecendo desconforto e até risco de acidentes para os passageiros, além de sua estrutura administrativa ser péssima, com rodoviários esperando salários atrasados, cumprimento de encargos trabalhistas pendentes e trabalhando em sério risco.

No entanto, certos busólogos chegam, com uma estranha arrogância, a preferir a manutenção da Transmil como está, pela preferência infantil ao passado histórico cujo sentido se perdeu hoje. Chegam mesmo a esnobar dos rumores de que a Transmil será vendida para alguma(s) outra(s) empresa(s).

No caso da "lei do ar condicionado", uma minoria de busólogos "donos da verdade" se irrita com qualquer contestação feita à tese deles. Sem saber discernir projeto de lei de decreto-lei, eles interpretam mal um texto e querem que sua visão prevaleça. Recebi uma mensagem de um busólogo que ainda teve o cinismo de dizer que eu "não estava sendo um verdadeiro busólogo".

A tese da "obrigatoriedade do ar condicionado" para linhas urbanas é duvidosa. Para ônibus urbanos, ela tem sido sempre uma medida opcional, para linhas cuja demanda e itinerário são compatíveis para essas áreas.

Mas a arrogância cega e surda dessa "panelinha" de busólogos, que chega ao nível doentio, não consegue explicar, por exemplo, se a suposta "lei do ar condicionado" também vale para linhas tipo as gonçalenses 31 Praia da Luz / Barreto e 40 Apolo III / Fazenda dos Mineiros (já que, "tecnicamente", Barreto é bairro de Niterói e Apolo III, de Itaboraí) ou para a linha 544R Maricá / Rio do Ouro. Sem falar de linhas de municípios vizinhos e quase rurais no interior do Estado. Terão ar condicionado, também?

Em ambos os casos, a arrogância dessas minorias de busólogos, sem limites, pode causar sérios problemas. O feitiço pode se virar contra o feiticeiro.

No caso da Transmil, a exposição desses busólogos pode representar risco até à integridade física deles. Eles não sabem a revolta com que sentem os rodoviários da empresa, nessa situação indefinida que só deslumbra seus defensores, tal qual a canção de Osvaldo Montenegro sobre o pescador que "se encanta mais com a rede que com o mar".

Imagine a indignação dos rodoviários que esperam salários atrasados, encargos trabalhistas, reivindicam melhores condições de trabalho, e os motoristas trabalhando em alto risco, dirigindo veículos velhos com pneus carecas.

E, de repente, um busólogo diz na Internet que ninguém vai comprar a Transmil, a empresa não será vendida sequer em 2020, numa declaração bastante jocosa.

O que os rodoviários da Transmil vão entender com essa declaração?

Simples. Vão entender que o busólogo deseja que se mantenham os salários atrasados, os encargos descumpridos, as péssimas condições de vida, o risco de acidentes. Afinal, não foi o tal busólogo um dos feridos no último acidente com um ônibus da Transmil, setembro passado, na Av. Rodrigues Alves, Zona Portuária carioca.

No caso dos defensores da tal "lei do ar condicionado", a encrenca que eles podem arrumar é simplesmente perder o direito de fotografar ônibus novos de primeira mão. Do jeito que se vê nos fóruns sobre ônibus, vários deles chegam a esculhambar as próprias empresas que deixam de comprar ônibus com ar condicionado. Chegam a falar que elas "descumprem as leis", entre outras barbaridades.

Eels desconhecem que muitas linhas de ônibus não possuem demanda que justifique o custo dos ônibus com ar condicionado, que é caro e exige onerosa manutenção. Além disso, linhas muito curtas não justificam, salvo exceções (e exceção não é regra). Outra coisa, é que certos percursos que passam por estradas de barro e areia, que viram lodo em dias chuvosos, são impróprios para ônibus com ar condicionado, que podem se danificar com mais facilidade.

A arrogância desses busólogos, sejam os que defendem a Transmil, sejam os que acreditam na tal "lei do ar condicionado", pode botá-los a perder em tudo.

Os defensores da Transmil podem até mesmo levar uma surra dos rodoviários, se passarem perto das garagens ou dos pontos de ônibus da empresa.

Os da "lei do ar condicionado" podem ser proibidos de fotografar ônibus novos nas garagens das empresas porque simplesmente as classificaram de "irresponsáveis" por não terem adquirido ônibus com ar condicionado.

A arrogância põe tudo a perder. Junto com suas irmãs irritabilidade e teimosia. Na medida em que as três, juntas, lutam pela vitória a todo preço de suas posições, sem qualquer análise autocrítica nem qualquer tipo de cautela, acabam obtendo o resultado extremamente oposto, que é o da derrota inevitável.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...