quinta-feira, 21 de outubro de 2010

PADRONIZAÇÃO VISUAL: IRRITAÇÃO DE PASSAGEIROS SUPERA BUSÓLOGOS



O anúncio oficial da padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro, evidentemente, causou grande revolta na quase totalidade dos busólogos não só fluminenses como de outras partes do país. É sabido que outros busólogos como Luiz Bareza e Armando Villela, ambos de Minas Gerais, Marcos Nascimento, de Santa Catarina e Thiago Barboza Crespo, do Paraná, estão entre os indignados com a medida arbitrariamente imposta pelo prefeito carioca Eduardo Paes.

Mas é nas ruas que a revolta torna-se bem maior, porque o ceticismo do povo fluminense com a classe política, sobretudo com o grupo do prefeito Eduardo Paes e do governador reeleito Sérgio Cabral Filho, chega a ser surpreendente.

Quem quer que fosse interrogado sente a revolta da medida que pega os usuários mais pobres de surpresa. A perplexidade é grande, sobretudo para pessoas que moram longe e pegam os ônibus lotados de manhã cedo para ir de casa ao trabalho e pegam o trajeto inverso com a mesma lotação de noite.

A preocupação dos passageiros de pegar o ônibus errado é muito grande, afinal o transporte coletivo não é um conto de fadas de perfeccionismo técnico como sonham as autoridades e tecnocratas do transporte. Principalmente de noite, e durante ocorrências como parentes mais velhos terem que ir ao hospital e a aflição dos parentes não os faz perder tempo para reconhecer o ônibus pela bandeira ou pelo número do carro.

A revolta aumenta quando se constata que nenhuma perspectiva concreta a população tem do transporte, com tais novidades. Quase todos os passageiros comuns não acreditam que isso vá resolver o problema, e não são raros, mas sim bastante comuns, as declarações que a padronização visual não passa de oportunismo político, de demagogia, de pura enrolação.

A revolta da população aumenta quando se constata que a prefeitura carioca pouco preocupa com necessidades como o problema das favelas, a Educação e a Saúde. Não são poucos que dizem que a prefeitura desvia o dinheiro da Saúde e da Educação para bobagens como repintar ônibus ou mesmo para enriquecer as autoridades políticas e os dirigentes olímpicos.

DESTINO: FRACASSO - Especialistas garantem que o projeto de padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro, na verdade parte de uma lógica de administração do transporte lançada durante a ditadura militar, está destinado ao fracasso.

Em todo o país, aliás, esse modelo de transporte, cujo pretexto futurista já começa a ser posto em xeque pelos especialistas, sofre um profundo e avançado processo de desgaste.

Esse desgaste se expressa pelas pressões profissionais sobre os motoristas, que em mais de uma vez sofrem até mal súbito, provocando acidentes como o de Curitiba, em junho passado, com dois mortos.

Além do mais, a sobrecarga da Secretaria de Transportes, municipal ou metropolitana, no controle das linhas de ônibus, causa malefícios diversos como o retardamento das renovações de frotas, a própria concentração de poder nas linhas de ônibus que faz decair o serviço, o sucateamento dos ônibus, a redução de investimentos devido à sobrecarga financeira.

Só a enumeração total das desvantagens e dos equívocos desse modelo de transporte daria um livro grosso, incluindo explicações e justificativas. Os fatos desastrosos e trágicos relacionados ao sistema de ônibus de Curitiba e São Paulo são um sério aviso para a prefeitura do Rio de Janeiro, o que faz com que a implantação do novo sistema de ônibus na Cidade Maravilhosa fatalmente seja destinada ao fracasso.

O modelo "curitibano" só vai perdurar no Rio de Janeiro para que seus erros e equívocos sejam mais conhecidos pela opinião pública mais influente. E sua repercussão negativa poderá mesmo refletir nas outras cidades onde se adota o esquema, até mesmo em cidades pioneiras do esquema, como São Paulo e a própria Curitiba.

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