sexta-feira, 15 de outubro de 2010

PADRONIZAÇÃO VISUAL: ESTÉTICA NÃO É O PIOR DE SEUS PROBLEMAS



Diante das discussões em torno da padronização visual dos ônibus, os partidários da medida - tecnocratas do transporte e busólogos simpatizantes, estes uma minoria - acusam os opositores de se preocuparem demais com o aspecto estético, com a simples eliminação da identidade estética de cada empresa de ônibus circulante numa cidade.

É um grande engano. O maior problema analisado pouco tem a ver com o aspecto estético, da beleza visual, até porque tanto os partidários da padronização visual quanto os da diversidade visual também usam o valor estético como desculpa para suas respectivas teses.

Não nos esqueçamos das argumentações, ainda que delirantes, do prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, que usou a "valorização estética" como pretexto para sua "limpeza visual" através da padronização visual dos ônibus da Cidade Maravilhosa.

Da mesma forma que ninguém é a favor ou contra a "curitibanização" do transporte coletivo devido ao exotismo de ônibus articulados, bi-articulados, micros, midis ou pela quase totalidade de modelos tipo CAIO Mondego ou CAIO Millennium nas ruas de tal cidade.

Outros problemas mostram que a padronização visual terá mais desvantagens do que vantagens, entre os quais:

1) EMBARQUE NOS ÔNIBUS ERRADOS - Embora os tecnocratas do transporte coletivo e busólogos simpatizantes garantam que "todo mundo" conseguirá identificar o ônibus certo, é altíssimo o risco de pegar um ônibus errado, que não será reconhecido de longe e seu reconhecimento será dificultado sobretudo na população pobre, e mais grave ainda durante a noite.

2) DISSIMULAR A CORRUPÇÃO - Com o visual padronizado, a corrupção política e empresarial será muito mais fácil. Os tecnocratas garantem que não haverá corrupção. Quem garante isso? Dizer é fácil. Além do mais, o nome da empresa, minúsculo, não é reconhecido de longe, e a mudança dos códigos numéricos (a centena 5xx e 6xx vão sumir) irá complicar mais ainda isso. A imprensa esquerdista já começa a anunciar que o transporte coletivo de São Paulo e Curitiba estão um mar de lama.

3) PREPOTÊNCIA POLÍTICA DAS SECRETARIAS DE TRANSPORTE - Não é por acaso que existe a pintura padronizada. Não é porque fica mais bonitinho. Por trás dessa medida, há a afirmação do poder concentrado das Secretarias de Transporte e suas paraestatais, que se autodefinem como "simples agências reguladoras", mas controlam as linhas e o transporte público com mãos de ferro. As empresas de ônibus perdem autonomia no serviço de linhas, mas em compensação os empresários do transporte coletivo passam a ter maior peso político para eleger prefeitos e até mesmo para, se for preciso, derrubar casas populares para construção de avenidas.

As Secretarias de Transporte terão poder concentrado para controlar o serviço de ônibus em dada cidade ou região. Isso fará o sistema mais eficaz? Não.

Pelo contrário, isso criará uma sobrecarga no sistema de ônibus de tal forma que as periódicas renovações de frota, que se tornarão mais raras (a idade útil de um ônibus simplesmente dobrará, indo para um parâmetro "ideal" de sete a oito anos em média, mas na prática vai até para 15, como se vê na Grande Curitiba e Grande SP), não darão conta do recado e, não obstante, haverá promessas de renovação mirabolantes, anunciadas como de 2 mil carros, por exemplo, prometidas para um ano, mas executadas em até três anos, em etapas.

Muita coisa ruim vai acontecer. Tem gente que se ilude com a novidade, achando que tudo vai ficar maravilhoso. Busólogos "profissionais" seduzidos pelo empresariado e pelos políticos, e que começam a espalhar em várias mensagens na Internet que o esquema imposto por Eduardo Paes será "perfeito e eficaz".

Enquanto isso, notícias desastrosas e até trágicas aparecem relacionadas a esse modelo "perfeito" de transporte coletivo.

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