sábado, 2 de outubro de 2010

MÍDIA CONSERVADORA TENTA MINIMIZAR DECADÊNCIA DO TRANSPORTE DE CURITIBA



A crise do transporte coletivo em Curitiba demonstra, explicitamente, o desgaste de um modelo, até hoje tido como "futurista", implantado durante a ditadura militar e vinculado ao sistema de valores transmitidos pelos generais ou pelo capitalismo neoliberal do qual a ditadura se apoiou, assim como os políticos civis que respaldaram o regime e que, na campanha eleitoral deste ano, são representados pela chapa do tucano José Serra.

Este desgaste envolve muitos das caraterísticas desse modelo. A padronização visual que camufla as empresas, dificultando o reconhecimento delas pelo passageiro comum. A redução da quantidade de ônibus em circulação, sob a promessa de compensar a medida com pistas mais rápidas (como faixas exclusivas ou corredores especiais separados, a exemplo do que ocorre com as ferrovias), não deu certo e, mesmo na capital paranaense, os ônibus se tornaram mais lentos e as esperas por eles, mais longas.

Além disso, a própria concentração de poder da Secretaria Municipal de Transportes, ou, em certos casos, da Secretaria Estadual de Transportes, sob o pretexto de controlar com rigor o transporte coletivo, sobrecarrega suas responsabilidades. A SPTrans, paraestatal paulistana ligada à Secretaria de Transportes da cidade de São Paulo, não conseguiu acompanhar a demanda crescente de passageiros de ônibus na maior cidade da América Latina.

Torna-se inútil dizer que, nesse modelo "curitibano" de transporte, as secretarias de transporte desempenham meramente o papel de "reguladoras". Elas controlam o transporte coletivo com mãos de ferro, é essa a lógica, na prática. Em tese, tudo é lindo, tudo é maravilhoso, tudo é eficaz, até mesmo os defeitos são facinhos de se resolver. Mas, na prática, é como diz o ditado: o buraco é mais embaixo.

A concentração de poder das secretarias de transporte, da qual a padronização visual atua como evidente propaganda (os nomes das empresas são quase ilegíveis, enquanto aparece em destaque expressões como "Cidade de Curitiba" e "Prefeitura de São Paulo"), além de ter dificuldades de controlar com eficiência as linhas de ônibus, também não atua de forma satisfatória na renovação de frotas que, segundo esse modelo, é definido pelas secretarias de transporte, que decide quando vai renovar as frotas de cada empresa, mediante avaliação periódica das frotas. As empresas, reduzidas a meras sócias e atuando como meras oficinas e tesoureiras do sistema, é que pagam a conta dos carros novos.

A mídia conservadora tenta minimizar a decadência do transporte coletivo de Curitiba. Os jornais paulistas, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, representantes de interesses oligárquicos dominantes paulistas, e sediados numa das cidades que seguem o modelo "curitibano" de transporte coletivo, tentam dar a impressão de que a decadência, vivida no dia-a-dia pelos passageiros (alguns deles tendo até morrido em alguns incidentes), simplesmente não existe.

O Estado de São Paulo ainda classificou o modelo de Curitiba de "boa qualidade", enquanto a Folha de São Paulo manifestou preocupação com a crise do sistema na capital paranaense, não pelos problemas em si, mas pela imagem negativa que pode repercutir no exterior. A Folha, tentando desconversar, disse que "A saturação do transporte coletivo em Curitiba não quer dizer que ele tenha dado errado".

A mídia segue a tendência da classe dominante, que, vendo a crise do sistema de ônibus de Curitiba se tornar evidente, tenta minimizar sua repercussão, atribuindo a culpa tão somente aos prefeitos de plantão, quando, na verdade, é o próprio modelo de Jaime Lerner, espécie de versão busóloga de Roberto Campos, que se desgasta em muitos de seus aspectos.

Como não está dando errado, diante dos constantes acidentes de ônibus na capital paranaense, com alguns mortos, diante de tantos transtornos vividos pelos passageiros, diante de tantos curitibanos pegando ônibus errado e tantos outros problemas?

Dá para perceber que a mídia conservadora, como representante do poderio das elites, certamente não quer ofender nem decepcionar os tecnocratas do transporte coletivo, sobretudo o demotucano enrustido Jaime Lerner.

Um comentário:

  1. Xoca, arrumaram um jeito de tentar calar a tua boca:

    http://onibusinbrasil.fotopages.com/?entry=2087596&back=http://onibusinbrasil.fotopages.com/?page=0

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