terça-feira, 26 de outubro de 2010

INFANTIS SÃO OS DEFENSORES DO "POOL" E DA PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS



Existe um costume entre os reacionários de transferir suas verdadeiras qualidades para aqueles que discordam de seus (discutíveis) pontos de vista.

É o caso de certos busólogos pelegos, que não tiveram a coragem de assumir que são favoráveis à padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro quando ela foi anunciada pela primeira vez, e, só agora, decidem ser favoráveis.

Sem apresentar uma justificativa convincente - além do fato da adesão tardia ser estranha, porque nenhuma nova alegação foi feita em prol da arbitrária medida do prefeito carioca Eduardo Paes - , os partidários dos ônibus visualmente iguaizinhos xingam os opositores de "infantis", demonstrando total falta de objetividade ao lidar com discordantes, à semelhança que vemos no caso de José Serra e de veículos como Veja e Folha de São Paulo.

Primeiro, porque os verdadeiros infantis são os partidários da padronização visual. E não só eles, mas os defensores do sistema de "pool" (duas ou mais empresas servindo uma mesma linha de ônibus), estes independente de serem contra ou a favor da padronização visual.

VISUAL PADRONIZADO TEM MENOS A VER COM ESTÉTICA, E MAIS COM PROPAGANDA DO PODER POLÍTICO

Os defensores da padronização visual ignoram que essa medida, longe de representar salvação ou ameaça estética, conforme o ponto de vista apresentado, na verdade é apenas uma representação de uma lógica de transporte coletivo cujo poder é concentrado na Secretaria de Transportes, municipal ou metropolitana, que usa o visual padronizado como propaganda de seu poder.

Em outras palavras, a identidade visual não é mais por conta das empresas de ônibus, mas sim da Secretaria de Transporte, o visual padronizado é a afirmação desse poder, que os partidários da padronização visual definem como "técnico", mas que, na verdade e na prática, não é mais do que um poder político, de uma prepotência mesmo.

Por isso é infantil acreditar que a pintura padronizada é apenas um recurso estético, porque é bonitinho que a Real Auto Ônibus e a Empresa de Transportes Braso Lisboa, por exemplo, tenham a mesma cor, ou porque a Secretaria de Transportes vai mesmo reorganizar e disciplinar o transporte coletivo carioca.

Esse raciocínio é exatamente o mesmo que se fazia quando o golpe militar de 1964 foi instaurado. Naquela época, também se condenava a diversidade de opiniões, porque elas causavam bagunça.

Éramos considerados "infantis" porque pedíamos reforma agrária, aumentos salariais, ensino público de qualidade, atendimento médico gratuito e eficaz. E, da mesma forma que Eduardo Paes acha "feia" a diversidade visual dos ônibus cariocas, defensores do golpe militar de 1964 (só para citar alguns, como o general Golbery do Couto e Silva, o empresário Roberto Marinho e o político Antônio Carlos Magalhães) achavam "muito feio" que o povo pobre falasse sobre política nas mesas de bar.

No sistema de "pool", a visão infantil se dá pela obsessão de pessoas que acham bonito uma linha de ônibus servida por mais de uma empresa. Não existe um só argumento técnico convincente e coerente que viabilize esse esquema, sempre defendido com meias-verdades que, na fragilidade dos argumentos, se transformam em desaforos e xingações.

E, sabemos, que, na Internet, alguns defensores do esquema de "pool", na verdade, são pessoas ligadas a empresários de ônibus que usam o referido esquema para aumentar o poder "pelas beiradas", pelas mordidinhas. A empresa tem participação parcial numa linha de ônibus, pede empréstimos superfaturados, e aumenta seu poder pouco a pouco, quando um dia ela exerce seu oligopólio sem que viva alma perceba.

Da mesma forma, os defensores da padronização visual também são ligados aos interesses empresariais que, dispensados de controlar de forma responsável as linhas de ônibus - eles se limitam apenas a investir na manutenção da frota e no seu sustento financeiro - , aumentam seu poder político junto aos secretários de transporte e prefeitos, criando uma oligarquia político-empresarial que manipulará o jogo eleitoreiro e poderá fazer medidas como derrubar casas populares e prédios históricos para construir pistas exclusivas ou viadutos (aqui com a clara aliança das elites empreiteiras).

Esses defensores do "pool" e da padronização visual são tão infantis que, no fundo, não são mais do que defensores das causas que interessam aos seus padrinhos. Ou melhor, dindinhos, numa linguagem mais próxima a essa garotada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...