quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"POOL" DE ÔNIBUS NÃO TEM INTERESSE PÚBLICO E SIM PRIVADO



Um internauta aparece constantemente em fóruns sobre ônibus e lança um plano sobre linhas de ônibus. Aparentemente, ele se denomina um "busólogo" e diz que só quer contribuir para um transporte coletivo mais eficiente. Demonstra ter conhecimento sobre história dos ônibus, mas demonstra um radicalismo suspeito na sua defesa do "pool" dos ônibus, deixando vasar que no fundo defende a duvidosa medida em causa própria.

Investindo em argumentos "técnicos", que soam pedantes, ele logo mostra-se defensor extremado do "sistema de pool", uma vez que as linhas propostas sempre se destinam à operação de mais de uma empresa. Mas a argumentação falha em vários pontos, como no caso de que o "pool" "permite" ao passageiro "escolher a empresa de ônibus para pegar", o que é uma grande farsa. Ninguém escolhe o ônibus que vai pegar, pega o que vem primeiro.

Depois, descobre-se que o rapaz é parente de um empresário de ônibus, que vê no "pool" uma forma de sua empresa investir menos e faturar mais, porque apesar da participação em 50% ou até 33% numa linha de ônibus, a linha é registrada como sendo da "empresa". Com isso, "incha" o patrimônio de linhas operadas, total ou parcialmente, pela empresa, mas para pedir dinheiro dos bancos federais, pouco importa a quota de participação, vale apenas a quantidade de linhas.

Evidentemente, o rapaz vai usar tudo que é argumento a seu favor, escrevendo textos longos, no desespero de convencer qualquer um que leia suas mensagens. Num país onde as pessoas possuem baixo senso crítico e são vulneráveis a argumentações confusas e sem coerência, mas que tentam convencer na base da emoção, misturando meias-verdades com outras apelações, o rapaz consegue convencer a plateia, distraindo a garotada com seus conhecimentos sobre ônibus, uma experiência que se torna mera coincidência, afinal não é pela vontade dele que o "pool" mostrará sua validade.

Pelo contrário, colocar mais de uma empresa para servir uma mesma linha de ônibus demonstrou ser um fracasso retumbante. Nenhuma argumentação conseguiu provar a validade dessa medida que, quando muito, deveria ser sempre provisória. Os passageiros são enganados com essa medida que nunca contribuiu para fortalecer ou melhorar o transporte coletivo, e desculpas como "mais concorrência", "mais opções de escolha", "menos custos" e outras demonstraram irrelevantes e ineficazes.

Também não convence pelo nível demagógico com que os defensores do "pool" exageram na descrição da realidade problemática do sistema de ônibus e também exageram na capacidade das prefeituras de controlar a promíscua medida, como se os secretários de transportes fossem Super-Homens dotados de garantir a "absoluta eficácia" da medida. Pura fantasia de quem, na verdade, usa o pretexto do "interesse público" para defender os interesses empresariais.

Afinal, sabemos que, por debaixo dos panos, determinados empresários de ônibus se aproveitam do "pool" para que suas empresas "cresçam pelas beiradas", operando linhas pela metade mas pedindo financiamentos superfaturados, além de interesses políticos estratégicos.

Uma das provas da ineficácia do "pool" está em Salvador, onde mais da metade das linhas servidas por mais de uma empresa tem problemas na frota, obrigando os passageiros a esperarem até uma hora para a chegada de um ônibus. Em muitos casos, o "pool" se torna perigoso, já que as disputas das empresas obrigam ultrapassagens arriscadas e o jogo do empurra nos pontos de ônibus, além da formação de comboios que juntam muitos ônibus numa só ocasião (como os horários de rush) enquanto falta ônibus para outras ocasiões.

Na capital baiana, há também o estranhíssimo caso de algumas linhas em "pool" em que uma das empresas envolvidas contribui com apenas um único carro, pondo por terra abaixo o mito de que a medida estimula a concorrência e permite o direito de escolha dos passageiros. E há também o esquema de "frotas reguladoras", destinadas a usurpar qualquer linha de determinado terminal de ônibus, mas que na prática é claramente inspirado no serviço de ônibus piratas, o que mostra o quão grotescos são os interesses dos empresários de ônibus de Salvador, representados por um sindicato de sigla esquisita, SETPS, com pronúncia mais estranha ainda, "setépis".

Daí que o sistema de "pool" só serve para empresários e políticos. A realidade prova que o sistema pouco é eficaz para os passageiros, e apresenta muito mais desvantagens do que vantagens.

3 comentários:

  1. Quero apresentar meus argumentos:
    Eu não tenho nenhuma ligação com nenhuma empresa de ônibus.O projeto que eu fiz como usuário, teve amparo na Lei nº 8987/95, Art.19
    A idéia de ter o pool na linha Gávea x Alcântara linha que eu projetei se baseava no seguinte sistema:
    Uma fusão de itinerário das linhas Alcântara x Meier (533) trecho Alcântara x Base de Mocangê com a linha Charitas x Gávea (996). Era para ser apenas com a CTC que detinha a concessão da 996 e este demorava para passar de 2 em 2 horas. Então pensei: neste período a linha se operada por mais de uma empresa o tempo dela de esperas no ponto cairia de metade a 1/6. inicialmente eram pelas empresas encampadas pelo Estado (CTC-ABC-Real), mas ela para rodar na linha Dr.March teria de ser com a Viação Mauá incluída além da viação 1001 e Rio Ita que detinha a partir de 1990 a participação da linha 996
    Foi visto empresas que tinham condição de operar a linha com facilidade de ter carro , e em sendo um itinerário altamente rentável e com isso uma única empresa não daria conta , vide a 100 da Mauá, apesar dela ter muito carro mas ela sacrifica outras linhas, se bem que agora a exigencia de carros com ar todos eles se localizam nela. Mas no caso da 996 (hoje 751D) a demanda dela somada a linha 740 (Ipanema) é grande e se vê que a 1001 sozinha não dá conta. A própria 740 é feita em parceria 1001 e Braso com o 1001 com carro urbano e o Braso com carro seletivo e falta carro nesta linha assim como ocorre com a linha 998 (hoje 761-Galeão) que são poucos carros.A maioria dos carros da 1001 setor Rio x Niterói está priorizada na linha 996 (751) e 999 (Seletiva Castelo x Charitas) e Castelo x Região Oceânica x Niterói e sem falar na Região dos Lagos que a reclamação é gritante com o monopólio da 1001 e Salineira .No caso da Região dos lagos,não existe outra empresa que faça linha para competir com a 1001 e muitos carros dela são sucateados inclusive que não são mais utilizados na Rio x Niterói . Também o monopólio que possivelmente o dono deste site defende é tão danoso ou pior que o pool colo ele acusa. A concorrencia em forma de pool faria não só a melhoria do serviço como ônibus excedentes de uma linha poderiam ser repassados a outro itinerário mais carente. Vide um bom exemplo: Se na Zona Sul há ônibus demais, os técnicos querem reduzir a frota. Qual a melhor forma de reduzir? Passaria as linhas serem operadas por mais de uma empresa, se uma empresa digamos a Real opera numa linha com 30 carros se a Real dividir a linha com a São Silvestre cada uma delas fornece 15 carros a linha. O excedente pode ser usado na Zona Oeste que é carente e a concorrencia faria com que o serviço fosse em tese melhorado , caso que era da 1001 e Rio Ita na linha 996 (hoje 751).O 1001 custava R$ 1,65 a tarifa contra R$ 1,71 da Rio Ita. Resultado passava o 1001 super lotado que custava menos que o Rio Ita que por custar R$ 0,06 mais caro vinha com menos passageio que o 1001 , era ver se vinha o 1001 cheio , logo atras viria o Rio Ita mais vazio. Porém a crise com a Rio Ita fez ela desfazer-se da linha e logo a seguir Garotinho baixou a tarifa e a 1001 assumiu só a linha. E o que dizer por exemplo das linhas administradas pela Galo Branco onde trajetos como a 530-Colubande x Niterói, 529-Ceasa x Niterói, tem pouquissimos carros e chegam ao ponto ridiculo de por apenas 1 carro em frota como é a 35A-Alcântara x Forum Circular ou 02-Ceasa-Água Mineral ou a 42S integração Shopping São Gonçalo -Forum ? É correto isso?

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  2. Outra questão sobre a questão do monopólio, o passageiro fica refém daquela empresa não tendo opção alguma. Considerando um trecho Niterói x centro de São Gonçalo a pessoa tem opção das empresas Galo Branco (530), Mauá (143-527-532 via Dr. March e 422 via Neves), Rio Ita (403-0515-516-567-514 via Neves e 516 via Dr.March), ABC (400-401-402-408-409 todos por Neves) e Estrela (526-526A-443), há opção neste trecho de escolha porém se for olhar que no que tange origem e destino continua uma única empresa. Se quer um serviço de qualidade tem de haver a concorrencia .Por exemplo. Quem precisa ir ao Shopping São Gonçalo tem de depender apenas dos ônibus da Estrela (20-45-42-42S-526-526A-536-443) estes ônibus demoram muito nos pontos de integração. Se está no Shopping São Gonçalo para ir a Niterói mais depressa a alternativa seria a BR101 teria a Rio Ita (403A-517A-481B-482B-483B-572B-568-MB10-MB70), Mauá (422A-422B), ABC (400A-401A-402A-404), e o Estrela (443A e 536). Só que Mauá , ABC e Estrela não pode parar na BR101 , o passageiro é refém apenas da Rio Ita.É certo isso? A linha Rio x São Paulo por exemplo de ônibus é feita por pool: 1001 (1001-Cometa-Expresso do Sul) e Itapemirim e Expresso Brasileiro, funciona 100% . Ponte Áerea Rio x São Paulo funciona 100 % com pool da Gol-Varig-TAM-Avianca e funciona como também funciona a linha São Paulo x Brasília que as empresas TAM e Gol fazem a linha por que não funciona uma linha de ônibus metropolitana? Tem de olhar a legislação do Poder Concedente se ela permite e licitação ganha aquela empresa ou aquelas empresas que oferecerem melhor serviço e preencher os requisitos técnicos ,e inclusive o pool no caso da linha Alcântara a Gávea seria a opção lógica para se evitar ações judiciais que poderiam vir por parte da 1001 ou Rio Ita , Real ou Mauá caso uma só operasse na área de outro que a Rio Ita e a Mauá implicariam com a 1001 se esta fizer a linha se for só com ônibus de Niterói a Real implicaria como implicou com a 741, e a Real só não ficou com a linha por ela não ter o registro intermunicipal que a Braso tinha e era em cima da linha da própria Braso a 474-Jacaré x Jardim de Alah.

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  3. Saindo do exemplo dos ônibus,por acaso o dono deste site, pode responder no seu pensamento, acha correto apenas uma empresa como a CCR Barcas operar na linha Niterói a Praça 15 com barcas velhas enguiçando toda hora ou acha que o serviço sendo operado por mais de uma empresa não melhora a oferta de barcas,até mesmo de aerobarcos? E as enormes filas que se tem nas pontes de barcas e o preço extorsivo de quase 5 reais numa barca quando o ônibus custa bem menos? Se é para ter menos carros nas ruas incluindo ônibus tem de ser pensado uma coisa. É correto uma empresa de ônibus ter uma frota de 1050 carros registarada em nome dela e é frota inchada e em linhas que ela opera sozinha

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