sábado, 18 de setembro de 2010

EDUARDO PAES FARÁ "ENCAMPAÇÃO BRANCA" NOS ÔNIBUS CARIOCAS


O projeto de uniformização visual dos ônibus do Rio de Janeiro imposto pelo prefeito Eduardo Paes parece uma grande novidade, mas já vimos este filme antes.

Trata-se da volta do fantasma da encampação dos ônibus, desta vez adaptado aos princípios da livre iniciativa empresarial do neoliberalismo.




Ou seja, haverá controle das autoridades políticas nas empresas de ônibus cariocas - é possível que Eduardo Paes desminta, mas esta é a verdade - , mas com a garantia de sustento dos empresários de ônibus. Se bem que o Estado, na medida em que concede empréstimos financeiros às empresas, também se mostra detentor do poder econômico. E o empresariado, detentor também do poder político.





Em 1985 o então governador fluminense Leonel Brizola (1922-2004) encampou várias empresas de ônibus e determinou a padronização visual à imagem da empresa estatal CTC-RJ (Companhia de Transportes Coletivos do Rio de Janeiro).

As empresas deixaram de renovar suas frotas e seus carros foram sucateados. O serviço piorou, quase indo à falência. E a greve das Barcas, fazendo com que vários ônibus das empresas encampadas fossem desviados para um ramal especial Barcas X Praça XV (embrião da linha 100D, hoje bem servida pela Viação Mauá), só fez complicar ainda mais as coisas.

Em 1988, a encampação foi desfeita e a padronização visual também.

Eduardo Paes vai misturar elementos da encampação de Brizola com os clichês do transporte curitibano. Ele promete uma coisa bacana, mas NÃO devemos acreditar nele. O que ele faz é um projeto para turista ver (e, por sinal, não gostar).

A princípio, haverá a renovação constante das frotas, apenas para atender às exigências técnicas determinadas por leis (ar condicionado, acesso para deficientes etc.). Passada a festa da Copa de 2014 e das Olim Piadas de 2016, o rombo financeiro fará o serviço se estagnar, porque o preço da festa será altíssimo e o sistema de ônibus já estará em colapso, com tantos passageiros pegando os ônibus errados, até porque nem todos terão tempo para ler os panfletos informativos (gasto de dinheiro público à toa, além das tintas) e nem as autoridades vão distribuir esses panfletos a vida toda. Dessa maneira, que o passageiro se aventure para não confundir a linha 397 com a linha 398 na volta para casa. Isso se não pegar um ônibus para Santa Cruz achando que vai para o Campo Grande (longe para dedéu...).

Mais cedo ou mais tarde, implantado ou não, o projeto "curitibano" dos ônibus cariocas, ancorado na padronização visual, terá que ser desfeito. DE QUALQUER MANEIRA. O fracasso desse esquema será inevitável, vide o caso de São Paulo.

2 comentários:

  1. Com, efeito, o período Brizola foi um dos mais negros na história do transporte coletivo na região metropolitana do estado do Rio de Janeiro. Paralelamente à encampação das empresas de ônibus e à greve das barcas, assistimos ao sucateamento da CBTU, o que contribuiu ainda mais para o colapso do transporte coletivo da região.
    Quanto à "Emcapação Branca" adotada pelo Sr.Eduardo Paes, o poder público deveria voltar suas ações para a fiscalização eficiente das empresas de ônibus, bem como a revisão periódica dos contratos de concessão das mesmas, ao invés do gasto desnecessário com padronização visual e alteração dos números de algumas linhas. o BRT é bem-vindo, mas o que será depois de 2016? Os turistas é que devem adaptar-se à cidade, não o contrário.

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  2. QUERO SABER QUANTO O EDUARDO PAES ESTA GANHANDO COM ISTO
    VCS SABIÃO QUE ELE TEM PARENTESCO COM GRANDE EMPRESARIO DE ONIBUS DO RIO ???RACIOCINEM ,,TIROU NOME DAS ENPRESAS PINTOU TUDO IGUAL ,,TROCOU NUMERO DE VARIAS LINHAS ,,,MAS O PRINCIPAL CADE ??
    OS ONIBUS SÃO OS MESMOS ,,AS MESMAS LINHAS E O SERVIÇO PESSIMO
    ENFIM ESTE E O RIO TUDO ACONTEÇE ,,AGORA VAI DEMOLIR A PERIMETRAL ,,,GENTE CUIDADO SENÃO ELE DESTROI O RIO

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