terça-feira, 21 de setembro de 2010

A AGONIZANTE TRANS1000



A crise da Turismo Trans1000 está no nível extremo. Afinal, a indefinição de sua situação, mesmo com o estado decadente de sua frota e com todas as dívidas pendentes, sobretudo trabalhistas, começa a causar revolta na população, principalmente porque várias de suas linhas possuem percurso exclusivo, sem qualquer outra a competir em ramal viário.

Com o aumento dos comentários indignados em relação à empresa, enfraqueceram as fracas vozes que acreditavam na "esperança de recuperação" da Transmil, mesmo às custas da renovação-de-faz-de-conta, sempre com os restos comprados de outras empresas. Afinal, a Transmil comprou até os excelentes carros Marcopolo Viale com ar da Viação Mauá, de São Gonçalo (e outros originários da mesma empresa, mas já como semi-novos da Vera Cruz RJ 205, de Caxias), e até eles foram sucateados.

A discussão agora gira em torno de quem está mais conivente com a situação da Transmil. Se é o DETRO, órgão que regula o transporte coletivo intermunicipal no Estado do Rio de Janeiro, o governo estadual ou as prefeituras das cidades da Baixada Fluminense servidas pela empresa, Nova Iguaçu, Nilópolis e Mesquita.

Estranha-se a atitude do DETRO, mesmo em período eleitoral - Sérgio Cabral tenta a reeleição no governo do Estado - , em não fazer qualquer intervenção nos ônibus da Transmil, mesmo com sua experiência em apreender os vários ônibus velhos da empresa, seja por estarem velhos e sucateados, seja por irregularidades na documentação (afinal, os carros geralmente passaram por mais de duas empresas antes de serem adquiridos pela Trans1000).

Estranha-se a atitude da imprensa, já que o episódio da Transmil é exatamente igual ao das empresas cariocas Feital, Ocidental e Oriental, alvos das mesmas queixas. A Baixada Fluminense é uma região onde a maior parte da população usa dos diversos serviços, opções de lazer e outras atividades no município do Rio de Janeiro, e muitos trabalham na Cidade Maravilhosa. É, portanto, uma demanda potencial para o transporte intermunicipal e até agora poucos deram ao luxo de ouvir as queixas da população sobre a jurássica frota da Transmil.

Diante da indiferença dada à Transmil, a empresa já chega a ser apelidada de "Pamela Anderson dos ônibus", uma vez que a famosa atriz, com aparência bastante feia e envelhecida, não é vista por certos fãs como decadente e ainda é cultuada como musa. Mas, do lado de quem está indignado, houve quem, fazendo piada sobre a frágil situação da empresa, escrevesse no Orkut que um ônibus da Transmil enguiçou depois que esse sujeito o fotografou, comentando que o flash da máquina destruiu o ônibus.

Ainda não há um desfecho em relação à Transmil, mas aumentam as pressões da população sobre as autoridades. Algo terá que ser feito, mais cedo ou mais tarde.

Um comentário:

  1. Acho que deveria ter uma Kombis da TransMil, porque os ônibus dessa empresa estão mais perto desse veículo-dinossauro da Volkswagen do que das vans asiáticas dos anos 90.

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