quinta-feira, 12 de agosto de 2010

PARA ESPECIALISTA, MUDANÇA NO TRÂNSITO DE CURITIBA PRIVILEGIA O CARRO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A cada dia, a cada ano cai a máscara sobre o sistema de transporte de Curitiba. Lançado durante a ditadura militar, o modelo de transporte, com claras tendências neoliberais, é baseado em medidas paliativas e anti-populares, demonstrando ser exatamente a versão busóloga do projeto econômico de Roberto Campos e Otávio Bulhões durante o governo Castello Branco.

Nessa época, um reitor da Universidade Federal do Paraná (na época em que o arquiteto Jaime Lerner estudava pós-graduação), Flávio Suplicy de Lacerda, foi promovido a Ministro da Educação e, no cargo, pretendia extinguir a UNE e privatizar as universidades. Sua atuação impulsionou as revoltas estudantis em 1966, que atingiram o ápice dois anos depois.

O modelo curitibano de transporte começa a decair, na medida em que apresenta sérios defeitos, como a uniformização visual (clara camuflagem da atuação de cada empresa para os passageiros, e clara propaganda da prefeitura da capital paranaense), a concentração de poder das Secretarias de Transporte, o monopólio de uma paraestatal mista que impede a autonomia das empresas concessionárias (reduzidas a "sócias" da paraestatal, atuantes apenas no aspecto técnico e financeiro). Além disso, há a redução da quantidade de ônibus, que causa sua superlotação em horários de pico, e os bancos de plástico totalmente desconfortáveis, que podem provocar danos para a coluna dos passageiros.

Por enquanto, os tecnocratas do transporte ainda estão no poder - vários deles camuflados em siglas socialistas, como o próprio Jaime Lerner, que não condizem com perfil ideológico verdadeiro - e falar nesses defeitos que tanto irritam muita gente é soprar para o vácuo. Mas a pressão da realidade já mostra que o transporte de Curitiba anda decadente, coisa que nem a compra de novos carros pela paraestatal "Cidade de Curitiba" consegue resolver.

Agora, outro aspecto dessa política neoliberal e herdada da ditadura é o claro privilégio dos automóveis - provavelmente, devido ao lobby da indústria automobilística - que tais políticas tecnocráticas promovem, de forma muito mal disfarçada. Por isso, quanto aos engarrafamentos nas grandes cidades, os tecnocratas se mostram omissos e, quando muito, tentam dizer que isso "nada tem a ver". Em certos casos, até tentam "resolver" com sucessivos viadutos que não resolvem o problema, só servem para "laver dinheiro" de empreiteiras e que, em breve, poderão ser demolidos num plano de embelezamento turístico das cidades.

Para especialista, mudança no trânsito de Curitiba privilegia o carro

Do site Bem Paraná - reproduzido também no blog Meu Transporte

Especialistas na área afirmam que o ritmo atual de criação de binários demonstra que a política pública para os transportes em Curitiba é voltada ao privilégio dos carros. Para o urbanista e diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Hardt, a implantação de novos sentidos às ruas tem aspectos positivos e negativos. Como melhoria, Hardt aponta o aumento de fluidez nas vias em que receberam as mudanças. Em contrapartida, o investimento em transporte individual, se não acontece no mesmo ritmo que nos outros modais, reflete uma mudança de postura do poder público perante a questão. “Temos que fazer uma análise muito cuidadosa sobre essa questão.

Curitiba tinha de valor – e que inclusive a diferenciava das demais cidades – a prioridade nos pedestres e no transporte coletivo. Com essas obras vem sendo dito à sociedade: priorizamos os carros”, observa o urbanista.Para ele, a melhora nas ruas beneficia tanto o transporte individual quanto o coletivo, mas na sua opinião os investimentos em todos os modais deveriam acontecer com a mesma ênfase. “Há a melhoria no trânsito. Porém em muitos casos a intervenção prioriza os carros em detrimento dos pedestres e das bicicletas”, analisa.

Exemplos para perceber que os demais modais não têm a mesma prioridade que os carros podem ser vistos na construção de passarelas e ciclovias pela cidade. Após quase dois anos da construção da Linha Verde, que trouxe melhorias para o trânsito na região Sul de Curitiba, além de permitir a implantação de um novo corredor de ônibus, um problema ainda existe: a dificuldade que os pedestres encontram para atravessar a antiga BR-116.

Depois de muita insistência da população do bairro Pinheirinho, acostumada em ver cotidianamente acidentes nas proximidades do terminal, a Prefeitura começou em julho o processo de licitação da construção da passarela. Já em relação às bicicletas, neste ano começou a ser discutida a implantação da primeira ciclofaixa da cidade, na Avenida Marechal Floriano Peixoto, entre o viaduto da Linha Verde e o terminal do Carmo.

Porém, para a implantação é necessário primeiro que haja obras nas pistas da avenida, para mais tarde criar a faixa que vai dar preferência às bicicletas. Pelos cálculos da Prefeitura, a primeira ciclofaixa da capital deve entrar em operação só em 2011.

Fonte: Bem Paraná

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