quarta-feira, 14 de julho de 2010

FECHAMENTO DA AV. RIO BRANCO NÃO TRARÁ QUALIDADE DE VIDA


O PARQUINHO DA AV. RIO BRANCO NÃO TRARÁ A QUALIDADE SÓCIO-AMBIENTAL NEM EVITARÁ ALAGAMENTOS COMO O DA PRAÇA DA BANDEIRA.

Vi um texto de um blogueiro sobre o fechamento da Av. Rio Branco para o trânsito de veículos e fiquei transtornado com o deslumbrado otimismo que esse cidadão se manifestou, em posição favorável ao demagógico projeto do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

O blogueiro ficou animado, porque acredita que o fechamento trará qualidade de vida, melhorará o meio ambiente e promoverá o bem estar da sociedade. Só falta ele dizer que o Papai Noel deixará de entrar pelas apertadas chaminés das casas, podendo distribuir seus brinquedinhos para a criançada na avenida convertida em calçadão.

Certamente o blogueiro puxa a brasa para sua sardinha. Será uma opção para seu estilo yuppie e burguês dele passar as tardes de sábado com sua esposa e filhos. Mas seu deslumbramento exagera, diante das promessas dos tecnocratas do urbanismo, que parecem nem ter formação científica, com tantas fantasias que eles evocam em seus projetos.

PSEUDO-COLONIAL - A realidade é que o fechamento da Av. Rio Branco para os veículos, transformando-a num enorme calçadão-parque, NENHUM benefício trará para a população carioca.

O fechamento da Rio Branco é um engodo para turista ver, dentro daquela perspectiva internacional da arquitetura megalomaníaca das "paisagens de consumo" (termo divulgado pela arquiteta Lia Motta, do IPHAN), expressa por praças gigantescas e avenidas transformadas em calçadões, que, com todo o blablablá em torno de "ecologia", "qualidade de vida" ou mesmo com o pretexto de "revalorização histórica do patrimônio", não será outra coisa senão uma mera paisagem que expressa a vaidade de políticos e tecnocratas locais e que servirá de uma simples passarela para turistas deslumbrados, ingênuos e desinformados.

E o que será uma simples avenida-parquinho diante de um gigantesco território que envolve as zonas Norte e Oeste? Que qualidade ambiental trará um pequeno corredor ecológico entre a Av. Pres. Vargas e o Aterro do Flamengo, diante de áreas ambientais degradadas pela ocupação desordenada do solo. Como nos muitos morros que estragam a paisagem do Complexo do Alemão-Maré, e que estão entre as primeiras coisas que os turistas veem quando desembarcam no Galeão.

O fechamento da Rio Branco vai acabar as enchentes na Praça da Bandeira? Vai melhorar a meteorologia em Bangu, considerada a região mais quente da cidade? Vai melhorar a situação das chuvas que acontecem na cidade sobretudo durante o verão?

Nada disso. O fechamento da Rio Branco será um inútil projeto que servirá apenas para o desperdício financeiro (lavagem?) das empreiteiras. Será um grande desperdício de dinheiro, lembrando que dinheiro não é capim e Eduardo Paes não pode iludir as pessoas com um otimismo fantasioso de que terá investimento para tudo, seja para repintar ônibus, fechar avenidas e fazer reforma urbana nos subúrbios.

Isso porque Paes não age de forma prioritária no Complexo do Alemão-Maré, o verdadeiro cartão de visitas do Rio. Nada disso. Põe apenas um teleférico e constrói uns poucos conjuntos habitacionais. Só. Há muitos galpões abandonados, que poderiam dar lugar a conjuntos habitacionais cuja sucessiva construção, por etapas, poderia deslocar as populações dos morros sem qualquer dano.

Mas Eduardo Paes não faz isso, se preocupa tanto em transformar uma avenida em calçadão ou em vestir ônibus com uma mesma farda, mas não se preocupa em urbanizar de fato os subúrbios, promovendo a desfavelização, e nem cuida de despoluir a Baía da Guanabara, tão suja com seu lixo boiando sobre as águas, com seus poluentes degradando o ecossistema nelas existente.

Esse projeto pseudo-arrojado da Prefeitura do Rio terá seu preço caro na medida em que, caso seja implantado, causará transtornos violentos para a população. Pois não será uma classe média alta mas minoritária, que aplaudirá tais bobagens implantadas por Eduardo Paes, que expressará o êxito do seu projeto.

Muito pelo contrário. Será o grito das maiorias lesadas, das classes média e baixa, serão os transtornos diversos, os congestionamentos, a violência, as tempestades, os ônibus errados pegos nos momentos de urgência, os deslizamentos de morros, e até mesmo o terrível desapontamento dos turistas e autoridades diante da paisagem feia e do caos social presentes no caminho entre o Galeão e o centro carioca.

São esses transtornos que, contrariando a teoria mirabolantemente otimista dos tecnocratas, cubrirá de vermelho, com V de vergonha, as faces alegres do prefeito Eduardo Paes, na medida em que a realidade desmentirá a doce ilusão das medidas falsamente audaciosas, e que só interessam, tão somente, a interesses privados (respaldados apenas por uma minoria "convencida"), mas agridem seriamente o interesse público.

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