sábado, 3 de julho de 2010

COMO URBANIZAR O COMPLEXO DO ALEMÃO-MARÉ



Adiantará só construir uns poucos conjuntos habitacionais, para urbanizar o Complexo do Alemão que está na vista de quem sai do Aeroporto Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro? Da mesma forma, adianta colocar apenas UPP's? Ou pintar as casas, remendar o asfalto?

Nada disso.

Mas enquanto o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pensa no asneirol de fechar a Avenida Rio Branco (um bom trecho entre a Av. Pres. Vargas e a Av. Infante Dom Henrique, no Aterro) para os veículos sobre rodas, para benefício de uma minoria de deslumbrados que se acham donos da opinião pública, como um projeto supostamente ousado, ele não se interessa em modificar visualmente toda a área que os estrangeiros encontram quando saem do Aeroporto Internacional em direção ao Centro carioca.

Eduardo Paes não vai dizer, porque na retórica dele tudo ele pode fazer. Se perguntar para ele se ele vai urbanizar completamente o Complexo do Alemão/Maré, ele vai dizer que sim, "mas é claro", "já estamos fazendo" e outras frases do tipo. Mas, falar é fácil. Na prática, ele não tem a menor disposição em alterar a estrutura urbana da região de Bonsucesso, Olaria, Penha e Ramos, além de todos os seus arredores e bairros integrantes. Só vai fazer paliativos e o resto fica por conta da publicidade no rádio, na imprensa escrita e na TV.

Mas a região deveria ser tratada como prioridade. O prefeito carioca nem deveria perder tempo fechando a Rio Branco, pois, como sabemos, vai "comer" muito dinheiro público, provavelmente além dos R$ 300 milhões inicialmente previstos.

GALPÕES ABANDONADOS NA AV. BRASIL

Passando por ônibus pela via expressa da Avenida Brasil, eu pude ver muito bem que existem muitos galpões abandonados no seu entorno entre Manguinhos e Penha. Enquanto isso, grandes favelas superpovoadas e que, visualmente, enfeiam a região do Complexo do Alemão/Maré, se amontoam sobretudo nos arredores de Penha e Bonsucesso, mas também próximo ao Brás de Pina, num lado, e indo para Inhaúma e Del Castilho, por outro.

A região, além disso, ainda é muito perigosa. Não ficou mais segura depois que o jornalista Tim Lopes foi morto nos arredores da Vila Cruzeiro (entre o Largo da Penha e o Grotão). Nem dá para os católicos tão fervorosos irem tranquilos professar sua fé religiosa na bela igreja de estilo neo-gótico, antigo destaque da região. Pagar promessa, então, nem pensar, pois o risco de morrer por bala perdida é enorme. O mesmo perigo se vê quando se estuda no Campus do Fundão.

Ou seja, se Eduardo Paes quer ser arrojado e corajoso, está indo pelo lado errado. Fechar uma avenida, por sinal muitíssimo movimentada, para botar uma grande praça-parquinho, visando meramente o turismo sob pretexto de "ecologia" e "qualidade de vida", não é uma boa iniciativa.

De que adianta insistir numa medida que só agrada alguns poucos abastados? No que se diz à melhoria do meio-ambiente, seu resultado será muito ínfimo, enquanto uma grande degradação ambiental na Baía da Guanabara e na devastação dos morros e áreas verdes não é resolvida senão com paliativos.

TRANSFORMAÇÃO VISUAL DO COMPLEXO DO ALEMÃO/MARÉ

A transformação visual do Complexo do Alemão/Maré deveria ser prioridade. Melhor cancelar o fechamento da Av. Rio Branco, cuja única grande mudança serão os gigantescos engarrafamentos e as buzinas e roncos dos veículos, que sem dúvida alguma ofuscarão os cantos dos passarinhos no futuro parquinho.

O ideal seria a Prefeitura do Rio de Janeiro mandar demolir os galpões ociosos, além de procurar outras áreas disponíveis na região, e construir novos conjuntos habitacionais para transferir os favelados. Esse processo terá que ser incessante, ágil e constante, sem paralisar as atividades.

Na medida em que uma área ociosa dá lugar a conjuntos habitacionais e os favelados são aí transferidos, as áreas de favelas originais são demolidas para dar lugar a áreas verdes.

Também deve-se destruir os barracos e cortiços que se encontram no bairro, procurando diminuir o máximo o aspecto degradado de subúrbio. Substituir sobrados por conjuntos habitacionais de quatro, cinco andares, também será excelente para economizar o espaço e transferir assim um maior número de favelados e de habitantes de residências precárias nos subúrbios.

O investimento, certamente, será superior ao do fechamento da Av. Rio Branco, mas sem dúvida alguma seu custo-benefício é infinitamente maior. Com os sucessivos deslocamentos da população de favelas, cortiços e residências miseráveis para novos conjuntos habitacionais, demolindo as favelas e reflorestando os morros, sem dúvida alguma Eduardo Paes estará fazendo um projeto que realmente equilibra os interesses do turismo e das comunidades pobres, transformando o espaço urbano sem causar danos, mas beneficiando as pessoas humildes que, elas sim, precisariam melhorar a qualidade de vida.

Além do mais, o impacto positivo no meio-ambiente será muito mais expressivo e efetivo no projeto de reforma urbana do Complexo do Alemão/Maré, do que no fechamento da Av. Rio Branco que só servirá para o recreio familiar de alguns riquinhos.

Eduardo Paes tem que analisar prioridades, e ver que um prefeito arrojado não é aquele que banca o aventureiro dos atos precipitados, mas alguém que pensa no equilíbrio das tradições sociais e da melhoria da qualidade de vida de quem realmente precisa e merece, que são as classes pobres e trabalhadoras.

Um comentário:

  1. Voce disse tudo! Estou totalmente de acordo contigo.Parabens!

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