sexta-feira, 30 de julho de 2010

BOATOS ENVOLVENDO VENDA DA TRANSMIL PELA BLANCO



Em abril último, o inferno astral da Transmil/Trans1000 (para facilitar a busca no Google), expresso pelas inúmeras queixas, irregularidades e até processos judiciais, havia se agravado com a greve de seus funcionários no dia 28.

Dias antes, porém, surgiram boatos de que a Transportes Blanco, que havia adquirido as linhas de Queimados e Japeri para o centro do Rio de Janeiro, antes operadas pela Transmil, estaria interessada em comprar a empresa deficitária. O boato foi fortalecido com a aquisição de carros da Transmil da Marcopolo Senior Midi, que a Blanco reformou no melhor estilo "Lata Velha" ou "Pimp My Ride", transformando-os em novos.

O texto da Revista do Ônibus, no entanto, divulga que a direção da Transportes Blanco nega a compra da Transmil. Eu mesmo também enviei mensagem por e-mail sobre rumores de que a Blanco finalmente assumiria as linhas de Mesquita para o centro carioca e a ligação Nova Iguaçu - Parada de Lucas pela linha 479I, e recebi resposta de que a direção desconhece completamente tais rumores.

Mesmo não sendo verdade, os rumores - que a gíria busóloga denomina de "rádio-leão", espécie de corruptela do "rádio-peão" do jargão sindicalista, com o mesmo significado de boataria - só fortalecem a escolha da Blanco para assumir as linhas de Mesquita e Nova Iguaçu (por enquanto) operadas pela decadente Transmil.

A BOATARIA DE JULHO

Apesar da Transportes Blanco oficialmente desconhecer das negociações envolvendo as linhas da Transmil, a boataria continua, através de conversas que busólogos ouvem de rodoviários.

No dia 13 de julho, uma lista de discussão do Yahoo! Grupos, envolvendo os busólogos DuqueCaxiense Roxo e André Luís Gomes dos Santos (este último responsável pelo site VegaBuss), comentava rumores de rodoviários da Trans1000 envolvendo a empresa e a Transportes Blanco, que havia adquirido da Transmil as linhas de Queimados e Japeri e ainda obteve alguns carros da Marcopolo Senior Midi da mesma empresa e os reformou.

Dois principais rumores foram divulgados:

1. A linha 003 Nilópolis / Passeio operaria com carros novos, zero quilômetro, já em agosto. Nenhuma informação de nova empresa foi divulgada, e ficou implícito que a Transmil poderia continuar na linha.

2. Há informação de que carros novos da Transportes Blanco estão estacionados na garagem da Ciferal/Marcopolo em Duque de Caxias.

Há outros rumores que dão conta de que a negociação entre a Blanco e Transmil existe, apesar da diretoria da primeira negar o acordo, e eles dão conta de que a Blanco assumiria as linhas de Nilópolis, deixando Mesquita ainda com a Transmil.

Em outros espaços de discussão na Internet, rumores também dão conta da compra total da Transmil pela Transportes Blanco. De toda forma, a trajetória da Transmil praticamente se congelou, quase sem fotos inéditas na Internet e sem qualquer compra de carros novos ou sequer usados.

BUSÓLOGO COLHE LINKS COM FOTOS DA TRANSMIL

No esforço de mostrar a frota velha da Transmil, mesmo em fotos em que os carros aparecem em "bom estado", o busólogo João Vicente, o DuqueCaxiense Roxo, enviou uma coleção de links com a "retrospectiva" da empresa na Internet.

Nota-se que a Trans1000 hoje é uma morta-viva, sem novidades, seja na frota da empresa, seja em fotos da Internet, praticamente esperando que a lei dê um golpe mortal à sua trajetória.

Aqui estão os links:

Data Empresa Link do Fotopages
30/07/2006 T.Trans1000 http://clubedotrecho.fotopages.com/?entry=876693
06/09/2006 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=914437
13/09/2006 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=923991
30/09/2006 T.Trans1000 http://clubedotrecho.fotopages.com/?entry=940955
05/11/2006 T.Trans1000 http://onibuscariocas.fotopages.com/?entry=972433
15/11/2006 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=983449
08/01/2007 T.Trans1000 http://onibusemovimento.fotopages.com/?entry=1188819
27/01/2007 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1059768
25/02/2007 T.Trans1000 http://onibusemovimento.fotopages.com/?entry=1088015
30/03/2007 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1121154
30/03/2007 T.Trans1000 http://onibuscariocas.fotopages.com/?entry=1121193
01/04/2007 T.Trans1000 http://ciadeonibus.fotopages.com/?entry=1121866
20/05/2007 T.Trans1000 http://clubedotrecho.fotopages.com/?entry=1169498
21/05/2007 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1171323
13/11/2007 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1343622
12/12/2007 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1374009
31/12/2007 T.Trans1000 http://onibuscariocas.fotopages.com/?entry=1392804
08/01/2008 T.Trans1000 http://onibusecia.fotopages.com/?entry=1402144
16/02/2008 T.Trans1000 http://onibusemovimento.fotopages.com/?entry=1442778
15/04/2008 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1509081
12/05/2008 T.Trans1000 http://onibusdacidade.fotopages.com/?entry=1539548
10/06/2008 T.Trans1000 http://onibusemovimento.fotopages.com/?entry=1573773
15/08/2008 T.Trans1000 http://onibuscariocas.fotopages.com/?entry=1648789
19/08/2008 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1653072
08/09/2008 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1672969
28/10/2008 T.Trans1000 http://onibusdorio.fotopages.com/?entry=1715872
31/10/2008 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1719042
25/11/2008 T.Trans1000 http://onibusexpresso.fotopages.com/?entry=1743320
05/12/2008 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1748600
08/12/2008 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1750158
22/12/2008 T.Trans1000 http://vhpinturas.fotopages.com/?entry=1761923
17/03/2009 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1821964
14/06/2009 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1878544
02/08/2009 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1904649
12/09/2009 T.Trans1000 http://onibusdacidade.fotopages.com/?entry=1910189
05/10/2009 T.Trans1000 http://onibusdorio.fotopages.com/?entry=1932282
10/10/2009 T.Trans1000 http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=1935792

quarta-feira, 28 de julho de 2010

PROGRAMA PRECISA DE R$ 8 BI PARA URBANIZAR FAVELAS CARIOCAS ATÉ 2020


Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, região central do Rio, depois da tragédia das chuvas em abril deste ano

COMENTÁRIO DESTE BLOG: O projeto Morar Carioca é uma forma mais branda do que deveria ser. Até agora, não se informou quais favelas serão totalmente removidas e, apesar do discurso firme, não há garantias de que realmente haverá urbanização nos subúrbios. O ideal seria que o projeto tocasse na remoção de todas as favelas no entorno da Av. Brasil, aproveitando espaços ociosos como os de galpões abandonados para sua demolição e para construção, nesses espaços, de conjuntos populares.

Programa precisa de R$ 8 bi para urbanizar favelas cariocas até 2020

Até 2012 serão investidos R$ 2 bi por prefeitura, BID e governo federal

Do R7, no Rio

A Prefeitura do Rio de Janeiro lançou na manhã desta terça-feira (27), o programa Morar Carioca, que prevê a urbanização de todas as comunidades do Rio até 2020, com o objetivo de promover a integração e implantar um sistema de controle e ordenamento da ocupação e uso do solo urbano. O compromisso é internacional pois faz parte do Plano de Legado Urbano das Olimpíadas de 2016. Serão necessários até 2020 cerca de R$ 8 bilhões.

De acordo com a prefeitura, até 2012 o investimento é de R$ 2 bilhões, com recursos da prefeitura, Governo Federal e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que atendem 141.394 domicílios.

No lançamento do programa, a prefeitura assinou ainda um convênio com o IAB que vai elaborar os projetos para urbanização das comunidades com mais de cem residências, a delimitação dos assentamentos, a produção dos diagnósticos das condições físicas, sociais e jurídicas desses locais, e a produção dos planos de intervenção e dos projetos básicos.

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) explicou a nova metodologia do cadastramento das comunidades feito pela prefeitura para a realização do projeto, que diminuiu de 1.020 para 625 o número total de favelas na cidade.

- Integração é a palavra chave deste plano. Ele vai integrar definitivamente todos os assentamentos precários, as comunidades carentes, à chamada cidade formal. O Instituto Pereira Passos tradicionalmente acompanha o número e o tamanho das comunidades do Rio. Pela contagem tradicional se divulgava o número de 1.020 favelas no Rio, com aproximadamente 380 mil domicílios.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento do Município, Felipe Góes, para definirem as políticas públicas adequadas para o programa foi necessário reconhecer a existência dos complexos, ou seja, favelas que se encontram em áreas contínuas e formam um tecido urbano único.

Portanto, temos hoje 539 'favelas agrupadas', formando 144 complexos de favelas, e mais 481 'favelas isoladas', totalizando 625. É com esse número que vamos trabalhar a partir de agora.

Paes fez frisou que “é preciso que fique claro que não estamos diminuindo o número de comunidades na cidade, apenas fazendo uma nova abordagem e metodologia para facilitar o trabalho que será realizado”

O Morar Carioca prevê a urbanização de 571 assentamentos precários, beneficiando mais de 260 mil domicílios até 2020. Para isso, o IAB realizará os projetos para urbanização das comunidades com mais de cem residências e o município para as comunidades menos de cem domicílios.

Também ficará sob responsabilidade da prefeitura a implantação dos serviços básicos de conservação da infraestrutura e dos equipamentos sociais, como iluminação, pavimentação, drenagem, limpeza; implantação de um sistema de controle do surgimento e do crescimento irregular de favelas, sob fiscalização da Seop (Secretaria Especial da Ordem Pública); o mapeamento anual das favelas, através de fotos aéreas e satélites; ampliação da legislação urbanística, através do aumento do número de Postos de Orientação Urbanística e Social; e reassentamento das famílias em áreas de risco pelo Programa Minha Casa, Minha Vida.

Já o IAB organizará também o concurso público que vai mobilizar e cadastrar empresas, escritórios e profissionais de arquitetura, urbanismo e engenharia interessados e capacitados para atuar nos projetos
.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

DESFAVELIZAÇÃO DO BRASIL


ROCINHA: UMA DAS MAIORES E MAIS PROBLEMÁTICAS FAVELAS DO RIO DE JANEIRO, SITUADA NO CAMINHO ENTRE A ZONA SUL E ZONA OESTE.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Nosso blog, embora aparentemente se dedique exclusivamente ao trânsito de veículos, também se preocupa com questões de urbanismo e do bem estar da população. Por isso, encampamos também a campanha pela desfavelização, de forma a salvar ou recuperar não só a beleza paisagística dos morros de outrora, mas também recuperar a ecologia e permitir ao povo a inclusão imobiliária, tirando-o de moradias degradadas e transferindo-o para habitações mais dignas.

DESFAVELIZAÇÃO DO BRASIL

Por Inácio Strieder - Blog Recanto das Letras - 30.12.2009

Como o conceito "favela" evoca uma realidade desumana, há sugestões de que não se denomine mais os conjuntos favelados de "favela", mas de "assentamentos subnormais", o que teria conotação menos pejorativa.

Evidentemente, seria uma tremenda injustiça considerar todos os favelados como marginais, vagabundos, ou coisas que valha. A maioria dos moradores das favelas não está lá porque quer, mas porque não possui alternativas. Por isto mesmo, ao entrar em favelas, o que se presencia é uma ofensa à dignidade humana. E se ainda possuímos sensibilidade humana, naturalmente, se sente uma indignação política por não se colocar como prioridade das prioridades governamentais a desfavelização do país.

Isto demonstra uma incrível insensibilidade de nossos políticos, de nossos empresários, de nossos religiosos perante esta situação indigna de moradia da maioria da população favelada. Simultaneamente com os belos projetos de "fome zero", de "bolsa família", de "minha casa, minha vida", e tantos programas sociais e gestos de solidariedade pelo Natal, que, em geral, são puros paliativos, deveria nascer uma indignação nacional frente à permanência das milhares de favelas nas grandes e médias cidades brasileiras.

Pois, nenhum brasileiro, minimamente informado, ignora que as favelas são fonte, ou retrato, de múltiplos problemas sociais. Embora não em maioria, mas em grande parte, as pessoas faveladas estão psicológica e culturalmente desestruturadas, pelo ambiente perverso e desumano em que vivem. Psicologicamente vivem sem a tranquilidade de uma vida normal. A maioria vive angustiada com o seu futuro e o futuro de seus filhos. Grande parte das pessoas ali residentes não possuem relacionamentos familiares estáveis e tranquilos.

Muitas mulheres são induzidas à prostituição, ou à prestação de sub-serviços, sujeitando-se a uma sub-remuneração, e constantemente expostas à violência. Muitos homens desempregados perambulam de boteco em boteco, embebedando-se, a se drogar e prostituir, e gerando filhos sem responsabilidade. Pois estes são os seus únicos e principais divertimentos e prazeres.

A falta de inclusão comunitária leva à violência e à desordem. O desemprego e a falta de ocupação tornam os jovens vítimas fáceis da bandidagem, das drogas e de outros vícios. Faltam as condições e o estímulo para os valores humanitários. O ambiente nas favelas não favorece apenas a ignorância literária.

O "analfabetismo" que ali floresce é também de sãos costumes e trato social civilizado. A privacidade é praticamente impossível. A falta de espaço obriga os indivíduos a invadirem o espaço vital mínimo necessário a uma privacidade existencial.

Por isto a alta taxa de promiscuidade, de violência, de agressvidade que define as favelas. Assim se deve entender que a vida nas favelas não favorece nem uma vida humana digna, nem civilizada. Por isto o Brasil, caso queira ser considerado um país civilizado, em que haja um conceito positivo de seus políticos, do sistema judiciário e dos sentimentos humanos de seu povo, necessariamente, e de imediato, terá que propor um amplo projeto de desfavelização do país.

Quem não se indigna com 2.000 favelas em São Paulo, com 1.000 favelas no Rio de Janeiro, com 600 favelas na região metropolitana do Recife, e com outras centenas de favelas pelos centros urbanos de todo território nacional? Os mandatários deste País deveriam se envergonhar por não enfrentarem com o devido empenho este problema fundamental, que ofende a dignidade de todos os brasileiros, minimamente humanizados.
Não há dúvida que são louváveis outros projetos sociais, mas o primeiro e fundamental deveria ser a desfavelização do Brasil.

Enquanto isto não acontecer, nosso país continuará a ser visto pelo mundo civilizado, como um país corrupto, subdesenvolvido, um sub-mundo. Somente um Brasil desfavelizado nos permitiria viver de "cabeça erguida", pois isto nos permitiria alardear pelo mundo inteiro que aqui vivemos uma vida humana digna e humana, sem a precariedade de moradia de grande parte da população, obrigada a viver no sub-mundo de nossas favelas, que envergonha a todos. Mas é preciso também considerar que "favela" nem sempre é apenas um espaço geográfico. Muitas vezes "favela" também é um "estado de espírito". Mesmo nas coberturas de nossos prédios encontramos este tipo de "favela". Mas, sobre estas "favelas" refletirei em outra oportunidade.

domingo, 25 de julho de 2010

RIO: PREFEITURA LANÇA NOVO PLANO PARA FAVELAS


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Espera-se que esse plano seja efetivado e que possa ao mesmo tempo melhorar a paisagem dos morros cariocas e garantir moradias dignas para a população. Falar é fácil, diante do entusiasmo de promessas que acreditam-se sempre possíveis de serem realizadas. Mas, na hora de pô-las em prática, é preciso encarar as dificuldades com sabedoria, agilidade e perseverança. Não é uma tarefa fácil, embora urgente e imprescindível.

Até o momento, não obtive uma lista com as favelas a serem erradicadas pelo plano. Nem se as favelas e sub-moradias do Complexo do Alemão/Maré (o verdadeiro cartão de visitas do Rio) serão totalmente removidas e seus moradores transferidos para novos conjuntos populares.

Rio: Prefeitura lança novo plano para favelas

Luiz Ernesto Magalhães - Agência O Globo

RIO - O programa Favela Bairro, que estava para entrar na sua terceira fase, já tem um sucessor na administração de Eduardo Paes. Na terça-feira, o prefeito lançará o Morar Carioca, um ambicioso plano que pretende se tornar, pelos próximos dez anos, a política pública de referência para a urbanização de todas as favelas da cidade, que estão sendo recontadas. O novo programa, concebido para ter continuidade nos governos seguintes, pretende dar às comunidades tratamento idêntico ao recebido pela cidade formal. Ao custo de R$ 8 bilhões até 2020, todas terão gabarito fixado e limites demarcados, além de serem alvo de choques de ordem em caráter permanente. A manutenção dos equipamentos públicos ficará a cargo da mesma secretaria - a de Conservação - que zela pelo restante do espaço urbano. As favelas que estiverem em áreas de risco e não forem urbanizáveis serão removidas.

O plano, definido pela prefeitura como um legado social dos Jogos Olímpicos de 2016, prevê a remoção, até 2012, de 123 comunidades, onde vivem pelo menos 12.973 famílias em áreas de risco. Desse total, já foram retiradas 4.900. O número de favelas a serem erradicadas é similar ao antecipado pelo GLOBO em janeiro (119), quando o então secretário de Habitação, Jorge Bittar, anunciou uma série de remoções.

Das 13 comunidades que deveriam ser integralmente removidas no primeiro semestre, a prefeitura confirmou a retirada completa de apenas 416 casas da Favela Serra do Sol, em Santa Cruz. Os moradores estão em abrigos provisórios, aguardando a conclusão das obras de casas populares no mesmo bairro. As demais favelas ou não foram ainda removidas ou o foram apenas parcialmente - caso do trecho da Tabajaras atrás do Cemitério São João Batista, em Botafogo. A prefeitura alega que as chuvas de abril forçaram uma revisão do planejamento.

Para as famílias removidas, a prefeitura oferecerá como opção apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, construídos pela União em parceria com estados e municípios. Segundo a Secretaria municipal de Habitação, o número de domicílios projetados ou já em construção no Rio chega a 54 mil, que seriam suficientes para receber as famílias removidas.

Pelo novo programa, a Secretaria Especial da Ordem Pública ficará responsável por erradicar as favelas em estágio inicial. Os levantamentos, por fotos aéreas e satélite, de áreas ocupadas, para identificar novas invasões, passarão a ser anuais - hoje, são feitos a cada quatro anos.

Concurso escolherá escritórios de arquitetura

Um convênio de R$ 8 milhões será assinado na terça-feira com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). A entidade fará um concurso para escolher os escritórios de arquitetura que desenvolverão os projetos de urbanização de 378 favelas com mais de cem moradores. A expectativa da prefeitura é que todos estejam prontos até o fim de 2012. A partir daí, o município elegeria os projetos prioritários para licitação a cada ano, até a conclusão em 2020.

Paes disse já ter assegurados cerca de R$ 2 bilhões para o programa até o fim do seu governo, em dezembro de 2012. Nesse pacote, estão obras em andamento ou em fase de licitação, com projetos que incluem comunidades com um total de 141.394 domicílios. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que emprestou US$ 360 milhões à prefeitura para duas etapas do Favela-Bairro e passou a considerá-lo um exemplo mundial de projeto social, continuará como parceiro. As verbas também virão de parcerias público-privadas, do governo federal, do município e, eventualmente, do estado.

No caso do caixa da prefeitura, Paes decidiu reforçar os gastos em urbanização das favelas com R$ 300 milhões por ano que sobrarão no orçamento, graças à redução do percentual dos juros (de 9% para 6% ao ano) da dívida do município renegociada com a União, hoje em R$ 7,4 bilhões.

- A proposta, a partir de agora, é não se preocupar apenas com a realização das obras, como acontecia com o Favela-Bairro, mas com a manutenção da infraestrutura implantada e a contenção do crescimento, fixando regras para cada comunidade. Cada secretaria passará a cuidar das favelas da mesma maneira que faz no asfalto, substituindo um papel que tradicionalmente cabia à Secretaria de Habitação - explicou Paes.

O prefeito acrescentou:

- Se a estratégia é integrar as comunidades ao asfalto, precisamos ter um tratamento idêntico dos serviços públicos. A Seop terá um papel mais intenso na repressão ao crescimento desordenado, enquanto a Secretaria de Conservação assumirá atividades como a substituição de lâmpadas.

Outra mudança é que a demarcação das comunidades não será feita só pelos ecolimites. O IAB ajudará a elaborar decretos que fixarão as regras para as construções e os limites das favelas. Os decretos terão referências simples, como uma caixa d'água ou uma birosca, que ajudarão a identificar expansões ilegais. Já a fiscalização das regras de construção ficará sob a responsabilidade de 130 Postos de Orientação Urbanística e Social (Pousos) que serão implantados. Cada um cuidará em média de cinco favelas ou complexos. Hoje, existem 30 Pousos.

- Esse tipo de delimitação trará uma mensagem clara: a partir daqueles pontos, as comunidades não poderão mais crescer e a fiscalização será rigorosa - disse o secretário municipal de Habitação, Pierre Batista.

HOJE É O DIA DO MOTORISTA



Se hoje é o dia do motorista, que tal os caros cidadãos aprenderem a dar uma folga no volante, além de dar ao seu carro mais tempo de descanso nas suas garagens?

sábado, 24 de julho de 2010

CAOS NO TRÂNSITO DE SALVADOR


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Nos 18 anos em que vivi em Salvador, eu pude verificar bem o caos do trânsito na capital baiana, sobretudo no entorno do Iguatemi que envolve vários acessos que ligam a rodovia BR-324, a Av. Luís Viana Filho (Av. Paralela), o Itaigara, a Av. Mário Leal Ferreira (Bonocô) e a Rótula do Abacaxi (que por sua vez também liga várias áreas, como Cabula, Sete Portas, Av. San Martin e também BR-324).

As sucessivas obras de construção de novos acessos, desde 1993 - principalmente na conclusão de via exclusiva de ônibus que um certo ex-prefeito, hoje dublê de radiojornalista, não concluiu de propósito (corrupção...) - , não conseguiram resolver os congestionamentos, ante o aumento do número de automóveis e do radicalismo dos baianos, mais do que o dos cariocas, na frescura de utilizar o automóvel para fins supérfluos e banais.

Isso se deve sobretudo ao péssimo transporte coletivo da capital baiana, preso a um padrão viciado e retrógrado, com restrição na quantidade de ônibus em circulação, na distribuição caótica e politiqueira de linhas por áreas de bairros, pelos bancos desconfortáveis e inseguros e sobretudo pela arbitrariedade dos empresários, principalmente na hora de censurar a imprensa para que críticas mais graves deixem de ser divulgadas. Só isso faz os baianos preferirem a "comodidade" dos automóveis, em vez de encarar ônibus superlotados numa espera que chega a durar no mínimo meia hora.

Caos no trânsito de Salvador

Do site Folha Salvador - 24.11.2009

Engarrafamentos, buzinas, xingamentos e stress se tornaram cada vez mais comuns no dia-a-dia do soteropolitano. De acordo com matéria publicada no dia 26 de setembro pelo site Portal do Correio, Salvador ocupada a segunda posição no ranking das capitais nordestinas com maior número de veículos em circulação nas ruas da cidade, aproximadamente 569 mil carros transitam na capital. A previsão é que em 2014 já existam 805 mil automóveis rodando nas ruas de Salvador.

Por conta desse crescente número de conduções espalhados nas avenidas soteropolitanas, a população tem enfrentado sérios problemas ao trafegar nas principais vias da cidade. Um dos pontos mais crítico da capital baiana fica na região do Iguatemi devido ao grande fluxo de automóveis que circulam na área. Pessoas que trafegam pelo local reclamam pelos inúmeros congestionamentos que são obrigados a enfrentar diariamente. A bancária Lívia Vitor, que mora no Cabula e trabalha na Avenida Tancredo Neves, diz gastar em média – uma hora e meia de casa para o trabalho.

Entre as principais promessas dos governos federal, estadual e municipal para a melhoria no trânsito da terceira maior capital do país, está à construção da Via Expressa Baía de Todos os Santos que visa desafogar o tráfego na Rótula do abacaxi, BR 324, Largo dos Dois Leões, Ladeira do Cabula e Baixa de Quintas. Outra grande expectativa dos baianos é finalização das obras do metrô que pode facilitar a vida de quem enfrenta diariamente o caos no trânsito da metrópole.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

EM DIAS DE CHUVA, PASSAGEIROS USAM SOMBRINHAS NOS ÔNIBUS DA TRANSMIL



Embora seja uma queixa publicada no ano passado, vale a pena publicá-la diante da persistência das irregularidades da Trans1000, que há dois anos não renova sua frota, não tem ônibus adaptados para deficientes e seus carros velhíssimos - vários obtidos até de terceira ou quarta mão - oferecem até insegurança aos passageiros, sobretudo por causa dos pneus carecas.

Este relato, publicado na Revista do Ônibus, em 29 de maio de 2009, mostra o drama que é pegar um ônibus da Transmil em dias de chuva, porque as goteiras causam tamanho incômodo que faz até com que os passageiros peguem seu guarda-chuva e abram dentro dos referidos veículos.

Tudo na Transmil é ruim, descontando a simpatia e a dedicação dos rodoviários (que sabem o drama que é trabalhar numa empresa dessas e dirigir ônibus que são piores do que muito caminhão de frete surrado), e aqui está o trecho que descreve o drama dos passageiros nos momentos pluviais:

"Segundo os passageiros que enviam suas reclamações por e-mail ao nosso Alô Redação, alguns ônibus da empresa que são equipados com ar condicionado, operam a linha 478 - Mesquita x Central (Parador) com o ar desligado, e nos dias de chuva, causam goteiras em todo o interior de alguns coletivos, obrigando os passageiros há utilizarem sobrinhas dentro do coletivo, afim de que não se molhem".

O texto também denuncia as demoras nas esperas dos ônibus que atendiam Queimados, mas recentemente a Transmil perdeu a concessão das linhas do município, agora entregues aos ótimos ônibus da Transportes Blanco, favorita para assumir também as linhas de Mesquita para o Centro do Rio (005, 478 e 479B) e a 479 Nova Iguaçu / Parada de Lucas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O DESCASO PELOS MORROS (TEXTO DE 1925)


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Há 85 anos, a revista Fon-Fon já alertava sobre o risco de expansão das favelas, e pedia para a administração municipal olhar com carinho o problema, para que não causasse a degradação das paisagens do Rio.

No artigo, sobra até mesmo críticas à operadora de bondes do Rio de Janeiro, a Light, que desde 1960 deixou o setor e hoje está restrita à exploração de energia elétrica na cidade (por sinal, com o mesmo péssimo serviço, ante às explosões de bueiros na Zona Sul, uma delas em Copacabana, que feriu gravemente um casal de turistas estadunidenses).

O senão do texto é que a postura elitista da época (1925) faz o editorial pensar tão somente no embelezamento das paisagens dos morros, mas nada fala em medidas para assistir o povo miserável dos bairros.

Ainda assim, vale por curiosidade um texto destes, sobretudo ante a indiferença de um prefeito que, mais preocupado em fechar uma movimentada avenida e transformá-la em parquinho para o recreio das elites, se recusa em adotar medidas rigorosas e transformadoras para nossos subúrbios, se limitando a meros paliativos que em nada contribuem para eliminar as favelas através de novos conjuntos habitacionais, nem em qualquer real transformação social da periferia carioca.

O descaso pelos morros

Revista Fon-Fon - Editorial de Julho de 1925
Reproduzido do site da revista Época, com revisão de Alexandre Figueiredo

Além dos panoramas da Guanabara, sem rivais no mundo, a beleza do Rio reside quase toda no pitoresco dos morros que o cercam, guardas avançadas da majestade granítica de incomparável moldura de montanhas. Mas até hoje ainda não houve um prefeito que dignasse olhar com carinho para o problema, que é capital, do embelezamento dos nossos morros.

Arrasamos o do Senado e estamos acabando de arrasar o do Castelo. Contudo, será impossível arrasarmos todos e mesmo a isso se oporia a estética da cidade. A incúria municipal através de dezenas de lustros deixou em abandono os da Saúde, do Pinto, da Favela, do Livramento e da Conceição, que são hoje, em vez de pontos aprazíveis, coitos de desclassificados, ou bairros abjetos.

Os de Santa Teresa e Paula Matos, que têm progredido, quase exclusivamente graças à iniciativa particular, e que formam uma parte característica e quase aristocrática da nossa urbe, esses até agora não conseguiram da Prefeitura obras de espécie alguma e por ela estão entregues, manietados, a uma horrível, retrógrada, suja e desorganizada companhia de bondes, a qual só pode contribuir para deles afastar os moradores. O aspecto do de Santo Antônio é desolador e aqueles que se erguem para os lados de Catumbi, Vila Isabel, Andaraí e Tijuca, completamente abandonados, estão destinados a ser novas Favelas e novas Saúdes.

A lepra dos casebres e a devastação dos matos começa já a devastar todos quantos emolduram Copacabana e essa encantadora região da Lagoa Rodrigo de Freitas, que podia ser, com um pouco de boa vontade e administração honesta, um Lago de Como dentro da nossa cidade.

Dirão os defensores da municipalidade que é quase impossível levar água e vias de comunicação a todos os cerros verdejantes que apertam os bairros cariocas na sua cadeia de belezas naturais. De acordo. Pois então que a Prefeitura impeça a ereção de cabanas de bagaço e palha, de tugúrios de taipa, de casinholas de latas velhas em tão lindos recantos. Procure desapropriar esses terrenos que valem pouco preço, cercar a base dos morros desertos, de maneira a convertê-los em outros tantos parques selvagens, reservas de beleza, de arvoredos, de pássaros, de encantos naturais para a grande capital rumorejante estendida aos seus pés.

O que não se compreende é que se estrague esse patrimônio generosamente doado pela natureza, é que ao lado das ruas deliciosas e lindas de Ipanema, Copacabana, Lagoa, Leblon, Jardim, Botafogo se ergam os morros pelados pelas roçadas, com as feridas das pedreiras abertas a esmo e os agrupamentos miseráveis de cerbatas horríveis. Se a municipalidade posturas, por que e como consente sua casa de acordo com as leis e posturas, por que e como consente no levantamento de choupanas e casebres?

É tempo ainda e bem tempo de evitar para os melhores bairros do Rio a vergonha dos aspectos miseráveis dos morros, transformando-os em lugares aprazíveis à vista na sua selvatiqueza admirável.

O programa de defesa e embelezamento dos morros do Rio de Janeiro é tão momentoso e tão imprescindível, tão grande e tão belo, tão útil e tão vantajoso, que a sua execução é tarefa para cobrir de glória um prefeito que se decida a tratar dela, a executá-lo com energia e continuidade.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

TREM-BALA NÃO REDUZIRÁ CONGESTIONAMENTO EM SP E RIO


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Mais uma medida mirabolante visando o turismo durante os eventos esportivos de 2014 e 2016, o trem-bala, caríssimo, não irá resolver o problema do trânsito no eixo Rio-São Paulo.

Sugiro que os tecnocratas do urbanismo e do transporte consultem os livros do engenheiro e filósofo Paul Virílio, que comentam "poucas e boas" sobre o ideal da velocidade que tanto deslumbra a tecnocracia brasileira.

Trem-bala não reduzirá consgestionamento em SP e Rio

Da Folha On Line - Reproduzido do blog Meu Transporte

O início da operação do trem-bala terá efeito reduzido sobre o fluxo de passageiros do aeroporto de Congonhas (SP) e sobre os trechos mais congestionados da Dutra tanto na capital paulista como no Rio de Janeiro.
É o que mostra uma comparação da Folha dos estudos de viabilidade do projeto com os fluxos de transporte desses dois sistemas. O argumento de que o trem ajudaria a descongestionar o aeroporto e a estrada, já próximos da saturação, tem sido usado por integrantes do governo para defender o projeto.
No caso de Congonhas, a redução de passageiros projetada equivaleria a só 8,8% dos que utilizam o aeroporto por ano.
Já para a Dutra, o fluxo de veículos/dia cairia 6,6%, no máximo, no trecho mais engarrafado de São Paulo. No Rio, seria 3,6% menor.
Ouça comentários do repórter sobre o trem-bala
Só há redução significativa no fluxo de passageiros entre Campinas e São Paulo, que poderia perder até 8,7 mil veículos/dia (cerca de 30% do fluxo em Campinas).
A empresa Halcrow fez o estudo de viabilidade econômica do projeto. Segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a pesquisa tem metodologia científica comprovada internacionalmente e o número de passageiros calculados foi obtido em pesquisas de opinião feitas com os usuários.
A agência informou que não comentaria os números.
Em 2008, a Halcrow projetou que, se o trem-bala estivesse em operação naquele ano, teria 4,4 milhões de passageiros/ano no trecho SP-RJ, 7,3 milhões no SP-Campinas e 4,9 milhões no SP-São José dos Campos-SP.
Os passageiros retirados desses principais trechos reduziriam fluxo de carro, ônibus e avião.
No caso dos aviões, foi projetada uma perda de 2 milhões de passageiros entre SP-RJ. Considerando 1 milhão em cada cidade, Congonhas ficaria com menos 8,8% dos 13,7 milhões dos usuários de 2008.
O percentual pode ser ainda pior porque naquele ano foi baixo o número de passageiros, após as restrições de uso impostas após o acidente com o avião da TAM, em 2007. Em 2006 foram 18,5 milhões de usuários.
"Ainda que 1 milhão possa parecer significativo, rapidamente seria absorvido pelo crescimento da aviação civil, que é de 30% ao ano", afirmou Pedro Azambuja, do Sindicato Nacional das Empresas Aeroportuárias.
Na Dutra, a média de veículos por trecho na chegada a São Paulo é de 124,2 mil ao dia. Considerando o estudo, no máximo 1.200 carros e ônibus deixariam de usar a via ao dia para fazer todo o trecho. Outros 7.100 de São José deixariam de usar a Dutra para ir à capital.
"É o fluxo de veículos das cidades do entorno que engarrafa, e o trem-bala não tira isso. Dos 900 mil veículos ao dia da Dutra, menos de 10% usam toda a via", afirmou Eduardo Rebuzzi, da Federação dos Transportadores de Carga do Rio de Janeiro.
Obra prioritária para o governo, o trem é orçado em R$ 33 bilhões -60% seriam financiados pelo BNDES. Estima-se que o custo real chegue a R$ 50 bilhões.


Detalhe do Projeto
http://img837.imageshack.us/img837/1711/1019844.gif

Fonte: Folha online

terça-feira, 20 de julho de 2010

TRANS1000 NÃO TEM ÔNIBUS ADAPTADOS



A empresa Trans 1000, de Mesquita (RJ), é a pior do Grande Rio, em frota totalmente velha e sucateada. É bastante conhecido o desempenho humilhante da empresa, que deveria ter perdido as concessões de linhas longas, mas não se sabe por que cargas d'água isso não aconteceu.

A empresa é tão deficitária em renovação de frota que chega a comprar carros de quarta mão, e o único modelo de carroceria ainda em fabricação que a Transmil mantém em sua frota é a Marcopolo Senior Midi. Marcopolo Viale não conta, porque os detalhes do design da carroceria mudaram na máscara dianteira e nos paralamas, o que indica que os ônibus Viale da Transmil correspondem a lotes bem mais antigos.

Não bastasse isso, não bastasse o péssimo cuidado dos ônibus, o aspecto sujo da pintura nunca renovada nem lavada, o ar condicionado desligado, os bancos de cobrador inutilizados e o motorista acumulando função de cobrador, os ônibus da Transmil não são dotados de acessos para deficientes físicos.

Nota-se que as outras empresas estão renovando suas frotas substituindo carros antigos por carros novos, dotados de acesso para deficientes físicos, e o coitado do passageiro que é obrigado a pegar os ônibus da Transmil tem que ter trabalho para entrar nos ônibus da empresa. Afinal, para a Transmil, de deficiente já bastam os ônibus, que fazem rodízio entre as garagens e a circulação nas linhas, porque têm que passar por "manutenção constante", de preferência com canibalização de peças.

Os ônibus balançam, parecendo estar com os parafusos soltos. O chão é escorregadio de tão liso, se é anti-derrapante está raspado no corredor. Os pneus, carecas, oferecem risco aos passageiros. Enfim, alguém tem que tirar a Transmil da concessão de suas linhas. Será que ninguém se empenha para isso? Ou será que os moradores do Campo Grande são diferentes dos moradores de Mesquita, Nilópolis e Nova Iguaçu, daí o pouco caso com a circulação de ônibus muito velhos e em péssimo estado?

PREFEITURAS INVESTEM EM DESFAVELIZAÇÃO


REMOÇÃO DE MORADORES DA FAVELA CASSAP, EM MAUÁ (SP), TRANSFERIDOS PARA NOVOS CONJUNTOS POPULARES.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Este texto tem dois anos que foi publicado. Mas vale a pena republicá-lo para reforçar as análises sobre a desfavelização, um processo que deveria ser estudado com muito cuidado pelas autoridades, pelos técnicos e pelos cientistas sociais.

Prefeituras começam a investir em desfavelização

Do Blog Desfavelização

A cada dia vejo mais notícias de que prefeituras começam, mesmo que aos poucos, a investir em desfavelização. Abaixo leiam mais uma matéria sobre mais uma iniciativa. Não é possível que somente no Rio de Janeiro não aconteça nada. Precisamos da desfavelização. Isto é um absurdo.

Famílias da Cassap se mudam para moradias entregues pela Prefeitura de Mauá

O Prefeito de Mauá, Leonel Damo, acompanhou a mudança de sete famílias da Favela Cassap, no Jd. Itapeva, para as unidades habitacionais do Núcleo Cincinato Braga, entregues no último dia 30 de março. Ao todo, 41 pessoas deixaram o local.

Além de contribuir para a desfavelização da cidade, a Prefeitura de Mauá pretende ceder o local para uma entidade assistencial em prol dos moradores do bairro. Já no fim de semana, funcionários da Prefeitura começaram a retirar os barracos do local. Quatro caminhões foram disponibilizados para realizarem as mudanças. “Pedimos para não levarem tudo, principalmente coisas estragadas, sem utilidade ou sem condições de uso. Mas, ainda assim, os caminhões estão levando muita coisa”, explicou Rosani Aparecida Silva Pinto, assistente técnica da Secretaria de Habitação.

Morador da favela há aproximadamente 20 anos, o catador de material para ferro-velho Geraldo Gonçalves, de 50 anos, que vive num container com a filha, o genro e dois netos, partiu para uma casa alugada pela administração, provisoriamente, até que possam se mudar para uma das unidades habitacionais. “É muito bom saber que não vamos mais precisar morar na favela. Teremos mais espaço e segurança. Meus dois netos são pequenos e precisam de um lugar melhor para viver”, disse.

De acordo com o secretário de Habitação, José Roberto Correa, essas famílias, as primeiras encaminhadas às novas moradias, eram prioridades devido às péssimas condições em que se encontravam. “As famílias da Cassap sempre estiveram em primeiro plano, assim como os moradores das palafitas do Jd. Oratório”, garantiu.

Leonel Damo se mostrou satisfeito com a conquista da atual gestão em poder ajudar famílias carentes de Mauá. “É nessas horas que vemos a importância do poder público. A partir de agora, essas e muitas outra famílias terão a chance de ter uma vida digna de cidadão”, afirmou.

Outro morador da Cassap beneficiado com as moradias, João Pessoa Rodrigues, de 59 anos, que trabalha como ‘chapa’, ajudando caminhoneiros de São Paulo, acredita que chegou a hora de viver bem. “Moro aqui há dez anos, num lugar sem ventilação, em meio a ratos e sem saneamento. Minha esposa e eu adoramos a nova casa. Lá a gente vai ter sossego, segurança e comodidade”, concluiu.

domingo, 18 de julho de 2010

SINDICATO VAI À JUSTIÇA CONTRA PREFEITURA DO RJ POR MORTE DE ALUNO


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Sei que isso não tem a ver diretamente com o trânsito, mas mostra que, se a Prefeitura do Rio se dedicasse mais à urbanização dos subúrbios, à desfavelização e à melhoria na Educação e Saúde, episódios vexaminosos como as mortes de inocentes por balas perdidas não teriam acontecido, independente de onde essas balas tenham partido.

Sindicato vai à Justiça contra prefeitura do Rio por morte de aluno

Por Aluizio Freire - Portal G1

Entidade de profissionais de ensino aponta crime de responsabilidade.
Dossiê alertava para casos de violência em áreas de risco.

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe) vai entrar com uma representação na Justiça contra a prefeitura do Rio por crime de responsabilidade pela morte do estudante Wesley Guilber Rodrigues de Andrade, de 11 anos, na sexta-feira (16).

De acordo com a direção do sindicato, a entidade tem feito várias denúncias e cobranças ao governo municipal e alertado para os problemas da violência nas escolas.

Os representantes do Sepe afirmam que um dossiê, relatando vários casos, foi entregue aos órgãos governamentais e ao Ministério Público sobre os problemas da insegurança nas escolas, seja na parte interna ou externa dela.

“Esse episódio do Wesley é mais uma prova do aumento da violência que ameaça profissionais e alunos nas escolas públicas do Rio”, afirma a coordenadora do sindicato, Édna Félix.

O menino foi atingido por uma bala perdida dentro de uma sala de aula no Ciep Rubens Gomes, em Costa Barros, no subúrbio, e já chegou morto ao Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

Cabral lamenta a morte do menino Wesley

O governador Sérgio Cabral disse, no sábado (17), que a estratégia da operação policial, que resultou na morte do menino estava errada.

"Se faz uma operação como aquela, com troca de tiros, luz do dia, com um Ciep funcionando, no meio de um confronto como esse, se for absolutamente impossível evitar. Não era o caso. Poderia ter sido feito em outro momento. Houve um erro na operação", disse ele.

O governador lamentou profundamente a perda de uma vida e reafirmou que o Governo do Estado vai seguir firme na luta pela pacificação.

Pai se emociona no enterro do filho único

Durante o enterro do filho único, o pai, Ricardo Freire, estava inconsolável. "Veio de tão longe para morrer aqui", disse, lamentando ter trazido a família de Pernambuco para que o filho se tornasse mais uma vítima da violência no Rio de Janeiro. Segundo Ricardo, o menino nasceu no Recife, e morava no Rio há 4 anos.

Professores doentes
Entre os relatos de violência feitos no dossiê, estão depoimentos de professores que foram afastados por problemas de saúde, alguns deles, acometidos de Síndrome de Burnout (distúrbio psíquico de caráter depressivo).

O sindicato propõe, no documento, a reforma dos prédios localizados em área de risco, com a construção de paredes reforçadas e vidros blindados.

Um dos trechos do dossiê ressalta a situação de perigo em escolas dentro de comunidades.

“É de domínio público que tiroteios ocorrem com certa frequência nestes locais e que por muitas vezes nossas escolas já foram atingidas ou tiveram que interromper suas atividades em função do clima de guerra. Os profissionais vivem diversos momentos em que precisam sair de suas salas de aula para procurar proteção nos corredores dos andares, escadas ou banheiros.”

Diante das denúncias, a Secretaria municipal de Educação anunciou um plano de emergência para treinar professores, funcionários e alunos de 200 escolas municipais – de acordo com mapeamento de unidades localizadas em áreas de risco - para que eles saibam como agir em situações de conflito, como tiroteios entre criminosos e policiais.

O curso se propõe a ensinar como deixar as salas de aula da maneira mais segura e se abrigar em locais em que o grupo possa aguardar o cessar fogo.

Para o Sepe a medida está distante da realidade que os profissionais vivem. “Nossos profissionais não são policiais e nem bombeiros para fazerem este tipo de treinamento, além de não haver a menor estrutura física e humana nas escolas para garantir segurança de verdade”, afirma a direção da entidade.

sábado, 17 de julho de 2010

CARIOCA TERÁ QUE USAR CADA VEZ MENOS O AUTOMÓVEL



A "liberdade" automotiva dos cariocas está com os dias contados. Como também está por um fio o desejo de ter automóvel por puro status. Com as reformas do trânsito previstas pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que envolvem o fechamento da Av. Rio Branco para veículos, a demolição de um trecho do Viaduto da Perimetral e a redução da quantidade de ônibus a circular no Centro e Zona Sul, isso significa mais restrição para o trânsito carioca, com menos coletivos e menos artérias viárias.

Este é um alerta que todo o povo carioca terá que seguir, o que forçará muitas pessoas a abrir mão de seu conforto, evitando o uso de automóvel até mesmo para ir ao trabalho ou levar os filhos à escola. O uso do automóvel cada vez mais será associado apenas a situações de extrema urgência.

Também estão contados os dias em que uma mesma família tem um carro para cada membro. Os cidadãos têm que se preparar para começar a vender seus automóveis, sob pena de contribuirem para os congestionamentos que irritam as pessoas e complicam a vida de quem realmente precisa usar o automóvel para se deslocar para algum lugar.

A situação é séria e grave, porque o risco de congestionamentos a ocorrerem com as medidas da prefeitura carioca é de um aumento de pelo menos 75% do fluxo de veículos, transformando áreas como o Castelo e as praças 15 e Tiradentes e seus entornos em verdadeiros acampamentos sobre rodas.

POSSÍVEIS SOLUÇÕES

Não seria eficiente que se estabeleçam, no Rio, medidas arbitrárias para restringir a circulação de veículos, como os rodízios por código de placa de carro adotados em São Paulo. Melhor seriam as campanhas educativas que esclarecessem as pessoas que o uso do automóvel não pode ser feito por motivos banais, ou mesmo por motivos úteis mas nem sempre urgentes. Há famílias que poderiam muito bem pegar ônibus ou trem para irem ao trabalho ou levar seus filhos para a escola.

CARONA DE AMIGOS - Outra solução, que deveria ser a mais urgente, deve ser a combinação de vizinhos próximos para pegarem um único automóvel para irem ao trabalho, dentro de um percurso comum. Por exemplo, se na Tijuca há um grupo de amigos que mora em diferentes áreas, como Andaraí, Saens Peña, Estácio e Rio Comprido e eles trabalham em diferentes bairros da Zona Sul, entre Botafogo e Ipanema, o ideal é que esses amigos combinem para que peguem o mesmo carro, dirigido por um deles, e assim todos seguem o percurso, na carona, para irem ao trabalho.

NOSSA META PARA A ZONA SUL: 60% DE AUTOMÓVEIS A MENOS, USO DE AUTOMÓVEL PARA DENTRO DA ZONA MAIS RARO

A meta adotada pelo nosso blog para a circulação de automóveis na Zona Sul é de menos 60% dos automóveis que hoje circulam. Uma forma de tornar o trânsito bem mais fluente e tornar a zona bem menos poluída.

Nossa outra meta também é fazer com que o uso de automóveis para bairros dentro da Zona Sul sejam cada vez mais raros. Uma pessoa não pode usar um automóvel, sem necessidade, para ir do Jardim Botânico para Copacabana. A pessoa deveria se esforçar e pegar um ônibus.

A circulação de automóveis é problemática porque, sendo veículos dotados de cinco lugares, eles quase sempre são ocupados por um único indivíduo. Isso desperdiça seriamente o espaço para o trânsito nas ruas, sem falar que um ônibus, que ocupa o espaço físico de dois automóveis nas ruas, é capaz de tirar até 200 automóveis nas ruas, sobretudo na hipótese de que todo automóvel é ocupado apenas por uma pessoa.

Por isso mesmo é bom que as pessoas se conscientizem de que não se deve usar automóvel sem motivo. Certamente, muitos perderão o conforto e o status. Mas será melhor assim. Afinal, é preciso sacrificar esse conforto e status para que congestionamentos não aconteçam. E quando ocorre um congestionamento, não adianta conforto, nem status, nem qualquer pretexto: os cidadãos ficam plantados no trânsito, atrasando no deslocamento para seus lugares. Se atrasar no trabalho, por exemplo, será justa causa na certa. E aí, adeus conforto, adeus status.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

TREM-BALA QUE VAI LIGAR SP AO RJ PODE CUSTAR R$ 50 BILHÕES

COMENTÁRIO DESTE BLOG: O ambicioso projeto do trem-bala Rio-São Paulo, que faz parte do pacote de medidas modernizantes para o turismo durante a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, é tão caro que seus técnicos acreditam depender de capital e tecnologia estrangeiros para ser implantado.

Trem-bala que vai ligar SP ao RJ pode custar R$ 50 bilhões

Da Folha de São Paulo - sucursal Brasília

Na avaliação de um executivo de uma grande construtora interessada no trem-bala, que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, as empresas que participam do consórcio da hidrelétrica de Belo Monte não têm capital suficiente para bancar participação relevante no projeto.

Nem (existem) condições de entrar no projeto do trem-bala sem se associar a um dos grupos estrangeiros que detêm a tecnologia e a experiência para esse empreendimento.

Estudos preliminares feitos por essa construtora sugerem que o custo do projeto fique perto de R$ 50 bilhões, informa reportagem de Leila Coimbra, Dimmi Amora e Valdo Cruz, publicada nesta sexta-feira pela Folha.


quinta-feira, 15 de julho de 2010

TEMPORAL ALERTA: NOVO "BUMBA" PODE ESTAR NA ÁREA DA PENHA E BONSUCESSO



Nos últimos dias 12 e 13, o Rio de Janeiro foi atingido por um temporal, com trovoadas, que anunciou a vinda de uma frente fria que acontece nos últimos dias.

Observando o foco da trovoada que caiu no Grande Rio, os raios se dirigiram a uma área correspondente aos bairros do entorno da Av. Brasil, sobretudo Bonsucesso, Olaria, Penha e Vigário Geral, além de parte da Baixada Fluminense, onde também se concentraram as nuvens cinzas.

É um fenômeno semelhante ao que aconteceu em Niterói, em 2008 e 2009, quando as nuvens cinzas que resultaram em grandes trovoadas se concentravam numa área correspondente aos bairros de Ititioca, Viçoso Jardim, Caramujo, Santa Bárbara, Maria Paula, Cova da Onça e Tribobó, entre outros.

Foi justamente no bairro de Viçoso Jardim, onde se situava a então pouco conhecida comunidade do Morro do Bumba, que aconteceu, em abril passado, uma das maiores tragédias causadas por deslizamentos de terra em Niterói, com mais de 45 mortos e mais de 150 famílias desabrigadas.

Foi a Natureza complementando pesquisas técnicas sobre o Morro do Bumba, estudos feitos há vários anos e que alertavam a prefeitura niteroiense da tragédia iminente. Mas a prefeitura ignorou os avisos e nem prestou atenção ao recado da Natureza.

NOVO "BUMBA" PODE ESTAR NO COMPLEXO DO ALEMÃO/MARÉ

Podem anotar. Uma nova tragédia como a do Morro do Bumba pode ocorrer se não houver um plano urgente de urbanização intensa e recuperação ambiental nas áreas do entorno da Av. Brasil, nas zonas Norte e Oeste.

Com a formação de um foco de trovoadas sobre a área entre Manguinhos, Irajá, Duque de Caxias e Inhaúma, nos últimos dias 12 e 13, o Grande Rio tem que se preparar para evitar que uma tragédia aconteça, investindo em urbanização intensa e permanente nas comunidades, aliada a medidas urgentes de recuperação ambiental, com a demolição de favelas (com moradores removidos para conjuntos habitacionais). São medidas ecológica e socialmente muito mais eficazes e benéficas do que o fechamento da Avenida Rio Branco para veículos, que só fará aumentar os engarrafamentos.

As áreas que poderão sofrer sérias tragédias são comunidades situadas em morros na Penha, Bonsucesso e no próprio Morro do Alemão.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

FECHAMENTO DA AV. RIO BRANCO NÃO TRARÁ QUALIDADE DE VIDA


O PARQUINHO DA AV. RIO BRANCO NÃO TRARÁ A QUALIDADE SÓCIO-AMBIENTAL NEM EVITARÁ ALAGAMENTOS COMO O DA PRAÇA DA BANDEIRA.

Vi um texto de um blogueiro sobre o fechamento da Av. Rio Branco para o trânsito de veículos e fiquei transtornado com o deslumbrado otimismo que esse cidadão se manifestou, em posição favorável ao demagógico projeto do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

O blogueiro ficou animado, porque acredita que o fechamento trará qualidade de vida, melhorará o meio ambiente e promoverá o bem estar da sociedade. Só falta ele dizer que o Papai Noel deixará de entrar pelas apertadas chaminés das casas, podendo distribuir seus brinquedinhos para a criançada na avenida convertida em calçadão.

Certamente o blogueiro puxa a brasa para sua sardinha. Será uma opção para seu estilo yuppie e burguês dele passar as tardes de sábado com sua esposa e filhos. Mas seu deslumbramento exagera, diante das promessas dos tecnocratas do urbanismo, que parecem nem ter formação científica, com tantas fantasias que eles evocam em seus projetos.

PSEUDO-COLONIAL - A realidade é que o fechamento da Av. Rio Branco para os veículos, transformando-a num enorme calçadão-parque, NENHUM benefício trará para a população carioca.

O fechamento da Rio Branco é um engodo para turista ver, dentro daquela perspectiva internacional da arquitetura megalomaníaca das "paisagens de consumo" (termo divulgado pela arquiteta Lia Motta, do IPHAN), expressa por praças gigantescas e avenidas transformadas em calçadões, que, com todo o blablablá em torno de "ecologia", "qualidade de vida" ou mesmo com o pretexto de "revalorização histórica do patrimônio", não será outra coisa senão uma mera paisagem que expressa a vaidade de políticos e tecnocratas locais e que servirá de uma simples passarela para turistas deslumbrados, ingênuos e desinformados.

E o que será uma simples avenida-parquinho diante de um gigantesco território que envolve as zonas Norte e Oeste? Que qualidade ambiental trará um pequeno corredor ecológico entre a Av. Pres. Vargas e o Aterro do Flamengo, diante de áreas ambientais degradadas pela ocupação desordenada do solo. Como nos muitos morros que estragam a paisagem do Complexo do Alemão-Maré, e que estão entre as primeiras coisas que os turistas veem quando desembarcam no Galeão.

O fechamento da Rio Branco vai acabar as enchentes na Praça da Bandeira? Vai melhorar a meteorologia em Bangu, considerada a região mais quente da cidade? Vai melhorar a situação das chuvas que acontecem na cidade sobretudo durante o verão?

Nada disso. O fechamento da Rio Branco será um inútil projeto que servirá apenas para o desperdício financeiro (lavagem?) das empreiteiras. Será um grande desperdício de dinheiro, lembrando que dinheiro não é capim e Eduardo Paes não pode iludir as pessoas com um otimismo fantasioso de que terá investimento para tudo, seja para repintar ônibus, fechar avenidas e fazer reforma urbana nos subúrbios.

Isso porque Paes não age de forma prioritária no Complexo do Alemão-Maré, o verdadeiro cartão de visitas do Rio. Nada disso. Põe apenas um teleférico e constrói uns poucos conjuntos habitacionais. Só. Há muitos galpões abandonados, que poderiam dar lugar a conjuntos habitacionais cuja sucessiva construção, por etapas, poderia deslocar as populações dos morros sem qualquer dano.

Mas Eduardo Paes não faz isso, se preocupa tanto em transformar uma avenida em calçadão ou em vestir ônibus com uma mesma farda, mas não se preocupa em urbanizar de fato os subúrbios, promovendo a desfavelização, e nem cuida de despoluir a Baía da Guanabara, tão suja com seu lixo boiando sobre as águas, com seus poluentes degradando o ecossistema nelas existente.

Esse projeto pseudo-arrojado da Prefeitura do Rio terá seu preço caro na medida em que, caso seja implantado, causará transtornos violentos para a população. Pois não será uma classe média alta mas minoritária, que aplaudirá tais bobagens implantadas por Eduardo Paes, que expressará o êxito do seu projeto.

Muito pelo contrário. Será o grito das maiorias lesadas, das classes média e baixa, serão os transtornos diversos, os congestionamentos, a violência, as tempestades, os ônibus errados pegos nos momentos de urgência, os deslizamentos de morros, e até mesmo o terrível desapontamento dos turistas e autoridades diante da paisagem feia e do caos social presentes no caminho entre o Galeão e o centro carioca.

São esses transtornos que, contrariando a teoria mirabolantemente otimista dos tecnocratas, cubrirá de vermelho, com V de vergonha, as faces alegres do prefeito Eduardo Paes, na medida em que a realidade desmentirá a doce ilusão das medidas falsamente audaciosas, e que só interessam, tão somente, a interesses privados (respaldados apenas por uma minoria "convencida"), mas agridem seriamente o interesse público.

terça-feira, 13 de julho de 2010

FOGO EM ÔNIBUS NO RIO TERIA SIDO PROVOCADO POR PASSAGEIROS REVOLTADOS


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Que vergonha para os passageiros! Certamente demoras são insuportáveis, mas neste caso o motorista estava agindo por uma boa causa. É o vandalismo mostrando que é contra os valores da cidadania neste país. Nota zero para quem queimou o ônibus revoltado com uma boa ação que fez o ônibus parar por um instante.

Fogo em ônibus no Rio teria sido provocado por passageiros revoltados

Motorista teria parado veículo para socorrer mulher que passava mal. Janelas teriam sido quebradas

Do Portal G1

O incêndio que atingiu o ônibus da linha 882 na noite de segunda-feira (12) na Zona oeste do Rio teria sido provocado por passageiros revoltados. Segundo o motorista do ônibus, a revolta aconteceu após ele parar o veículo, que estava superlotado, para socorrer uma passageira que estava passando mal.

Isso acabou provocando uma grande confusão com os outros passageiros, que reclamaram da demora e do calor no interior do veículo. Revoltados, os passageiros arrancaram as janelas de emergência. O motorista contou que se recusou a seguir viagem e as pessoas quebraram e incendiaram o ônibus.

“Todo mundo ficou nervoso, começaram a quebrar o ônibus todo. Aí nesse momento, alguns vândalos incendiaram o ônibus e fugiram, subiram a serra e não deu pra ver quem era”, contou o motorista.

A polícia vai investigar o caso.

O caso aconteceu na Estrada da Grota Funda, na altura do Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, ninguém ficou ferido.

O ônibus pegou fogo por volta das 19h de segunda-feira, na pista sentido Campo Grande da via. Bombeiros do quartel da Barra da Tijuca foram acionados para o local. Um caminhão e uma ambulância da corporação deram apoio à operação.

Por causa do incêndio, o trânsito foi parcialmente interditado na Estrada da Grota Funda. Motoristas que seguiram em direção a Campo Grande encontraram tráfego lento. Policiais militares e guardas municipais também foram acionados para o local e auxiliaram os motoristas.

sábado, 10 de julho de 2010

BUSÓLOGO RECLAMA DA TRANS1000


COMENTÁRIO DESTE BLOG: O busólogo conhecido como DuqueCaxiense, um dos que corajosamente não se calam diante das irregularidades da Trans1000, mandou e-mail reclamando justamente deste carro da foto, que não está mais neste estado conservado que nela vemos, mas totalmente sucateado e com o ar condicionado desligado.

Ele também dá apoio à minha campanha para tirar a Transmil das linhas de Mesquita para o centro carioca.

Reformado, porém DESTRUÍDO

DuqueCaxiense Muito Roxo

Ontem cheguei na Praça Mauá para pegar o 005 [479B] e deparei-me com um Viale RJ148163 EX-VVC de D.Caxias. Reformado, pintura nova (saia toda branca). Ar Condicionado? Bom isso não funciona mesmo, pelo menos no inverno gela um pouquinho, já que não tem necessidade, no verão, nada funciona mesmo.

O que me chamou a atenção neste carro é que ele está completamente destruído. Batendo tudo, parece não ter molas de tanto que o carro bate. Tinha horas que tinha-se a impressão que o carro quebraria no meio de tanto que bate a cada quebra mola ou pequenos buracos que passa.

Quando é que vão lembrar de enterrar esta empresa heim? Inclusive nosso colega Alex Figueiredo está mandando muito bem uma campanha pelos fotopages. Confiram.

http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=2025901&source=2068640

Este carro Senior Midi ficou muito melhor nas mãos de uma empresa de verdade. Dava até pena de ver ele anteriormente. Agora, até vista eletrônica ele ganhou. Veja que grande diferença é o capricho e a ordem de uma boa administração.

http://onibuslegal.fotopages.com/?entry=2045195&source=2068615

quinta-feira, 8 de julho de 2010

VISUAL BRANCO DE ÔNIBUS DE SALVADOR VAI CONTRA O INTERESSE PÚBLICO







Existem certas coisas, em Salvador, que desafiam a lógica, tamanha a prevalência da estupidez em certas decisões.

O sistema de ônibus de Salvador é famoso por manter por muito tempo certos cacoetes, que irritam os passageiros, ainda que as autoridades e mesmo a imprensa local estejam coniventes com tais decisões que claramente vão contra o interesse público.

Nos anos 90, houve a moda de mudar as portas traseiras, e às vezes dianteiras, dos ônibus de Salvador, estragando com a estética até no interior dos ônibus, que ganhavam um tom de ônibus de bóias-frias com os painéis internos das portas serem substituídos por grotescas chapas de aço. Isso também estragava toda a concepção que o fabricante estabelecia nos ônibus.

Agora são os irritantes e confusos ônibus brancos. Geralmente é um visual basicamente de fundo branco, diferindo apenas pelo logotipo da empresa e o número do carro, em certos casos apenas havendo cor diferente nas rodas e nos pára-choques. Insuficiente para os passageiros identificarem o ônibus que vai pegar.

Marcado por erros e por medidas que confundem os passageiros e favorecem a concentração de poder dos empresários de ônibus - como o lamentável sistema de "pool" nas linhas e sua versão mais corrupta ainda, o das "frotas reguladoras" - , o sistema de transporte coletivo de Salvador é considerado um dos piores do país.

COM PUBLICIDADE, SETPS CALA IMPRENSA ANTE IRREGULARIDADES

A grande imprensa não denuncia as irregularidades do transporte coletivo, se limitando apenas a se "queixar" de ônibus lotados e outras amenidades, porque o SETPS - o atrapalhado sindicato patronal dos ônibus soteropolitanos, sigla que risivelmente se pronuncia "setépis" - faz uma mordaça financeira nos jornalistas, sob o aparato das verbas publicitárias.

Mas as irregularidades do sistema de ônibus soteropolitano são tantas, por culpa tanto dos empresários quanto das autoridades governamentais, que até a escassez de ônibus nas frotas, que faz com que se espere até mais de uma hora por um ônibus, mesmo em dias de semana, é uma medida feita de propósito por autoridades e empresários.

Os ônibus são renovados no máximo duas vezes por ano - isso na melhor das hipóteses - , eles são dotados de desconfortáveis bancos de plástico, que machucam a coluna e são um risco à segurança dos passageiros durante o percurso, e há ainda micro-ônibus em linhas que deveriam ter não só mais carros, mas também carros maiores.

CRITÉRIOS DUVIDOSOS

O visual branco dos ônibus de Salvador, feito por critérios duvidosos - há boatos que variam entre uma padronização visual branca e intenções de economia de tinta dos empresários - , comprovadamente vai contra o interesse público e diariamente lesa centenas de passageiros que diariamente embarcam em ônibus errados, sendo obrigados a pegar mais de um ônibus, gastando mais dinheiro na passagem.

Aliás, os mecanismos de "pool" nas linhas de ônibus, das "frotas reguladoras", da distribuição aleatória e caótica de empresas por região de bairros (há empresa sediada no subúrbio ferroviário que faz linha da região de Brotas, e empresa sediada na região do Aeroporto atuando em linhas do Cabula, só para citar exemplos) e do visual branco da maioria das empresas de ônibus da cidade, são feitos justamente para confundir os passageiros, obrigá-los a pegar mais de um ônibus e assim enriquecer seriamente os empresários.

Nem os blogueiros atuantes em Salvador denunciam as irregularidades, o que faz com que aparentemente o quadro caótico seja visto com assustador conformismo pela mídia e pelas autoridades. E mostra a prepotência dos barões do "setépis", e seu desprezo contra o interesse público, na medida em que os empresários de ônibus calam a imprensa que não denuncia tais irregularidades.

Algumas empresas cometem a sensatez de não adotar o visual branco (BTU, Praia Grande, Boa Viagem, Axé, Joevanza, Vitral e Barramar), mas outras empresas já começam a irritar os passageiros por causa do visual predominantemente branco, e aqui enumeramos as empresas que cometem esse verdadeiro atentado à cidadania:

CAPITAL TRANSPORTES URBANOS LTDA.
CENTRAL DE SALVADOR TRANSPORTES URBANOS LTDA.
COLETIVOS SÃO CRISTÓVÃO LTDA.
EMPRESA DE TRANSPORTES COSTA VERDE LTDA. (Intermunicipal)
EMPRESA DE TRANSPORTES UNIÃO LTDA.
ILHA TROPICAL TRANSPORTES LTDA.
MODELO TRANSPORTE URBANO LTDA.
TRANSPORTE ONDINA LTDA.
TRANSPORTE ONDINA LTDA. / DIVISÃO METROPOLITANA (ODM) (Intermunicipal)
TRANSPORTES SOL S/A (TRANSOL)
TRANSPORTES VERDEMAR LTDA.
VIAÇÃO RIO VERMELHO LTDA.
TRANSPORTES VIA NOVA LTDA. (Intermunicipal)

É um grande absurdo que nada é feito para combater as irregularidades do sistema de ônibus de Salvador, cuja gravidade salta aos olhos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

REUNIÃO VAI TRATAR DE MEDIDAS PARA MELHORAR O TRÂNSITO DO RIO


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Só vamos ver o que eles farão com o trânsito carioca com o fechamento da Av. Rio Branco e sem medidas reais para desestimular os cidadãos a usarem automóvel sem motivo relevante.

Reunião vai tratar de medidas para melhorar o trânsito do Rio até a Copa de 2014

Isabela Bastos e Paulo Roberto Araújo

RIO - Os engarrafamentos diários enfrentados por motoristas nas estradas estaduais e federais de chegada e saída do Rio estão na berlinda. A sobrecarga de tráfego de rodovias importantes, como Ponte-Rio-Niterói, Via Dutra e BR-101 Norte (Rodovia Niterói-Manilha), será um dos alvos de um encontro, na próxima quinta-feira, na Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).

Organizada pela Secretaria estadual de Transportes, a reunião é o pontapé inicial de um esforço para identificar as necessidades de investimentos nas estradas, planejando obras e modificações para amenizar os congestionamentos com vistas à Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Segundo o subsecretário de Transportes, Delmo Pinho, o objetivo é criar uma grade de prioridades de investimentos para solucionar problemas de infraestrutura que comprometem a circulação viária. Problemas como o gargalo nos acessos à Ponte tanto em Niterói como Rio. Para o encontro, foram convidados representantes das oito concessionárias que administram trechos das principais estradas do estado, das prefeituras da Região Metropolitana, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Ministério dos Transportes.

Pinho explica que a estratégia é encontrar um meio termo entre as obras previstas nos contratos de concessão e as necessidades dos usuários e dos municípios. O pano de fundo da discussão é o crescimento da frota de veículos. Segundo o Detran-RJ, o estado do Rio já tem 4.868.158 veículos, um percentual 53,8% maior que em 2001.

Segundo o subsecretário, o descompasso entre a quantidade de veículos e infraestrutura viária pode ser sentido em várias rodovias. A chegada ao Rio pela Via Dutra se tornou um transtorno para os motoristas no trecho da Baixada Fluminense. Na BR-101 Norte, o trânsito pesado e a infraestrutura precária do trecho entre Rio Bonito e Campos tem feito uma média de 170 vítimas fatais ao ano.

O presidente da concessionária Ponte S.A., Márcio Roberto de Moraes, disse que a ponte foi projetada para receber 50 mil veículos por dia, mas atualmente o volume diário de tráfego chega a 145 mil veículos, e o movimento cresce à taxa de 1% ao ano. Segundo ele, são consideradas prioritárias três obras para desafogar a ponte. A construção do viaduto ligando a ponte à Linha Vermelha, no Rio, um mergulhão em frente ao Porto de Niterói e a duplicação da Avenida do Contorno (BR-101), de responsabilidade da concessionária Autopista Fluminense. Os projetos já foram encaminhados à (ANTT) para aprovação, mas ainda não há previsão de início.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

MOTORISTA QUE ATROPELOU 3 VAI RESPONDER POR MORTES EM LIBERDADE



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Passaremos a noticiar neste blog casos de acidentes de trânsito envolvendo automóveis, como forma de mostrar o quanto muitos motoristas estão despreparados para a rotina automotiva.

Do Portal G1

O motorista da Kombi que atropelou e matou três pessoas na altura do km 12 da Rodovia dos Imigrantes na noite de sábado (3), em São Paulo, recebeu alta do hospital onde estava internado. Segundo a polícia, ele confessou ter ingerido bebida alcoólica.

O teste do bafômetro teria constatado a embriaguez e ele foi preso em flagrante por homicídio culposo - sem intenção de matar. O homem, no entanto, foi liberado após pagar fiança de R$ 1,2 mil e irá responder em liberdade pelo triplo homicídio e pela

A Kombi branca conduzida pelo motorista atropelou Eduardo Flausino Cardoso, de 43 anos, que havia parado seu carro com problemas mecânicos no acostamento da rodovia, além de outras duas pessoas que prestavam socorro: o policial rodoviário estadual Rodrigo Pereira e o motorista do guincho da concessionária Ecovias Nilson Ribeiro. Os três morreram na hora.

No domingo, o cabo Pereira foi enterrado no Mausoléu da Polícia Militar, no Cemitério do Araçá. Os colegas se despediram com honras militares. A mulher do policial teve de ser amparada e sua mãe recebeu a bandeira do Brasil que cobria o caixão.

sábado, 3 de julho de 2010

COMO URBANIZAR O COMPLEXO DO ALEMÃO-MARÉ



Adiantará só construir uns poucos conjuntos habitacionais, para urbanizar o Complexo do Alemão que está na vista de quem sai do Aeroporto Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro? Da mesma forma, adianta colocar apenas UPP's? Ou pintar as casas, remendar o asfalto?

Nada disso.

Mas enquanto o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pensa no asneirol de fechar a Avenida Rio Branco (um bom trecho entre a Av. Pres. Vargas e a Av. Infante Dom Henrique, no Aterro) para os veículos sobre rodas, para benefício de uma minoria de deslumbrados que se acham donos da opinião pública, como um projeto supostamente ousado, ele não se interessa em modificar visualmente toda a área que os estrangeiros encontram quando saem do Aeroporto Internacional em direção ao Centro carioca.

Eduardo Paes não vai dizer, porque na retórica dele tudo ele pode fazer. Se perguntar para ele se ele vai urbanizar completamente o Complexo do Alemão/Maré, ele vai dizer que sim, "mas é claro", "já estamos fazendo" e outras frases do tipo. Mas, falar é fácil. Na prática, ele não tem a menor disposição em alterar a estrutura urbana da região de Bonsucesso, Olaria, Penha e Ramos, além de todos os seus arredores e bairros integrantes. Só vai fazer paliativos e o resto fica por conta da publicidade no rádio, na imprensa escrita e na TV.

Mas a região deveria ser tratada como prioridade. O prefeito carioca nem deveria perder tempo fechando a Rio Branco, pois, como sabemos, vai "comer" muito dinheiro público, provavelmente além dos R$ 300 milhões inicialmente previstos.

GALPÕES ABANDONADOS NA AV. BRASIL

Passando por ônibus pela via expressa da Avenida Brasil, eu pude ver muito bem que existem muitos galpões abandonados no seu entorno entre Manguinhos e Penha. Enquanto isso, grandes favelas superpovoadas e que, visualmente, enfeiam a região do Complexo do Alemão/Maré, se amontoam sobretudo nos arredores de Penha e Bonsucesso, mas também próximo ao Brás de Pina, num lado, e indo para Inhaúma e Del Castilho, por outro.

A região, além disso, ainda é muito perigosa. Não ficou mais segura depois que o jornalista Tim Lopes foi morto nos arredores da Vila Cruzeiro (entre o Largo da Penha e o Grotão). Nem dá para os católicos tão fervorosos irem tranquilos professar sua fé religiosa na bela igreja de estilo neo-gótico, antigo destaque da região. Pagar promessa, então, nem pensar, pois o risco de morrer por bala perdida é enorme. O mesmo perigo se vê quando se estuda no Campus do Fundão.

Ou seja, se Eduardo Paes quer ser arrojado e corajoso, está indo pelo lado errado. Fechar uma avenida, por sinal muitíssimo movimentada, para botar uma grande praça-parquinho, visando meramente o turismo sob pretexto de "ecologia" e "qualidade de vida", não é uma boa iniciativa.

De que adianta insistir numa medida que só agrada alguns poucos abastados? No que se diz à melhoria do meio-ambiente, seu resultado será muito ínfimo, enquanto uma grande degradação ambiental na Baía da Guanabara e na devastação dos morros e áreas verdes não é resolvida senão com paliativos.

TRANSFORMAÇÃO VISUAL DO COMPLEXO DO ALEMÃO/MARÉ

A transformação visual do Complexo do Alemão/Maré deveria ser prioridade. Melhor cancelar o fechamento da Av. Rio Branco, cuja única grande mudança serão os gigantescos engarrafamentos e as buzinas e roncos dos veículos, que sem dúvida alguma ofuscarão os cantos dos passarinhos no futuro parquinho.

O ideal seria a Prefeitura do Rio de Janeiro mandar demolir os galpões ociosos, além de procurar outras áreas disponíveis na região, e construir novos conjuntos habitacionais para transferir os favelados. Esse processo terá que ser incessante, ágil e constante, sem paralisar as atividades.

Na medida em que uma área ociosa dá lugar a conjuntos habitacionais e os favelados são aí transferidos, as áreas de favelas originais são demolidas para dar lugar a áreas verdes.

Também deve-se destruir os barracos e cortiços que se encontram no bairro, procurando diminuir o máximo o aspecto degradado de subúrbio. Substituir sobrados por conjuntos habitacionais de quatro, cinco andares, também será excelente para economizar o espaço e transferir assim um maior número de favelados e de habitantes de residências precárias nos subúrbios.

O investimento, certamente, será superior ao do fechamento da Av. Rio Branco, mas sem dúvida alguma seu custo-benefício é infinitamente maior. Com os sucessivos deslocamentos da população de favelas, cortiços e residências miseráveis para novos conjuntos habitacionais, demolindo as favelas e reflorestando os morros, sem dúvida alguma Eduardo Paes estará fazendo um projeto que realmente equilibra os interesses do turismo e das comunidades pobres, transformando o espaço urbano sem causar danos, mas beneficiando as pessoas humildes que, elas sim, precisariam melhorar a qualidade de vida.

Além do mais, o impacto positivo no meio-ambiente será muito mais expressivo e efetivo no projeto de reforma urbana do Complexo do Alemão/Maré, do que no fechamento da Av. Rio Branco que só servirá para o recreio familiar de alguns riquinhos.

Eduardo Paes tem que analisar prioridades, e ver que um prefeito arrojado não é aquele que banca o aventureiro dos atos precipitados, mas alguém que pensa no equilíbrio das tradições sociais e da melhoria da qualidade de vida de quem realmente precisa e merece, que são as classes pobres e trabalhadoras.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

TRANS (HU)MIL(HANTE)


"003 - NILÓPOLIS / PASSEIO" - Por incrível que pareça, essa linha é exemplo do mais próximo ao tratamento "decente" que a Transmil dá a seus veículos.

A Trans1000 é a pior empresa da Baixada Fluminense. A única ressalva é que a empresa conta com rodoviários competentes, dedicados e simpáticos, sempre prestativos, atenciosos e até bem informados. Mas a empresa conta com uma frota velhíssima, com modelos que já saíram de produção das fábricas.

Recentemente, a empresa apenas "reduziu" suas irregularidades. Botou cobradores em vários de seus carros, embora, em outros, haja o "efeito Gasparzinho", com banco de cobrador no recinto mas é o motorista que cobra as passagens. Além disso, consertou o ar condicionado de vários veículos, de forma que eles possam rodar com o ar condicionado ligado.

Mas não é suficiente. Além de ter essa pintura cafona, os ônibus são muito velhos. Rodam com pneus carecas, o que oferece risco de acidentes graves. E os veículos ficam tanto tempo sem serem repintados que a má diferença se nota diante dos demais ônibus que passam pela Av. Pres. Antônio Carlos, no bairro carioca do Castelo.

Nota-se os ônibus da Transmil com um branco sujo que mais parece cinza, com seus veículos da Neobus e CAIO já fora de produção. Isso numa linha que é considerada "top" ou "vip" da Trans1000, que é a 003 Nilópolis / Passeio.

Se numa linha dessas, considerada a mais "luxuosa" da empresa, circulam até carros da Neobus Mega que não são produzidos desde 2006, imagine então linhas de carros mais velhos ainda como as que se destinam a Mesquita.

Por isso mesmo, a Transmil deveria, ao menos, deixar de operar em linhas longas, se limitando a linhas curtas para ver se pelo menos "segura" sua frota antiga e sucateada.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...